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Milwaukee Bucks: Revalidação ou uma tragédia grega à espera de acontecer?

Diogo Valente Vieira · 9 min

Foto: Milwaukee Bucks

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Quando se discute quais os principais favoritos à conquista do título da NBA, torna-se quase imperativo mencionar os atuais campeões. Os Milwaukee Bucks, liderados pelo técnico Mike Budenholzer, realizaram um trajeto glorioso na época passada que esperavam repetir na presente temporada.

Depois de conquistarem o seu primeiro título em 50 anos, os Bucks regressaram à competição como um dos grandes candidatos a marcar presença nas finais da NBA, uma expectativa elevada, mas com um fundamento sólido que justificava esta aposta. Afinal, a equipa manteve o seu principal núcleo de jogadores intacto, conhecido pelo seu espírito aguerrido e altamente competitivo.

A organização e os seus fãs esperavam que o coletivo forte da época transata produzisse resultados idênticos ou até melhores em comparação com 2020/2021. No entanto, o elemento mais marcante até agora identificado pelos analistas é a sua inconsistência exibicional, algo que inclusive poderá custar à estrela da companhia o seu terceiro prémio de MVP.

A versão atual do Bucks acabou janeiro com um recorde pouco habitual de apenas 7 vitórias e 8 derrotas. Durante esta sequência de jogos, houve vitórias marcantes contra Brooklyn, Golden State, Memphis e Chicago. Contudo, também houve derrotas decepcionantes frente a Toronto (por duas vezes), Denver, Cleveland e Detroit.

Os Milwaukee Bucks estão a ter dificuldades óbvias nesta fase do campeonato e vários dos problemas podem ser atribuídos à ausência de Brook Lopez, provavelmente o seu jogador defensivo mais valioso. Com a trade deadline de 10 de fevereiro a aproximar-se, existe ainda a oportunidade dos responsáveis dos Bucks arriscarem e fazerem uma mudança de última hora no plantel que permita alterar a sua sorte e reforçar a ambição pela presença nas finais deste ano.

A melhor maneira de eliminar estes obstáculos seria, teoricamente, através de uma troca, mas não significa que isso realmente seja benéfico para as esperanças da equipa.

Os Bucks de facto sentem falta de Brook Lopez, surgindo rumores constantes de propostas para tentar mitigar este risco antes dos playoffs. Na opinião dos analistas e dos adeptos, falta um center que possa não só ser uma opção imediata, mas acima de tudo que seja um bom defensor e que consiga retirar alguma da presssão atribuída a Bobby Portis e Giannis Antetokounmpo nestes momentos.

Muitos foram os nomes indicados, entre eles, DeMarcus Cousins, Mo Bamba e Dwight Howard. Infelizmente, não há muita margem de manobra para os Bucks no mercado e, se formos honestos, nenhum destes nomes oferece a mesma sensação de confiança que Brook Lopez implementaria. Hipotecar os poucos ativos que os Bucks têm num jogador de rotação que provavelmente não participará dos playoffs traduz-se somente num mau negócio.

É verdade que, aos 33 anos e depois de uma cirurgia às costas, a possibilidade do atleta voltar à sua melhor forma a tempo dos playoffs é, no mínimo, ambígua. Não obstante, os campeões em título acreditam que Lopez irá disputar jogos durante a época regular, um sinal positivo para o futuro da organização.

Se a sua recuperação for boa e puder aumentar a intensidade dos seus treinos, talvez Lopez possa regressar e usar o restante da temporada regular para encontrar o seu ritmo e  preparar-se para os playoffs. Os Bucks estão mais do que habituados a fazer ajustes espontâneos ao longo da época, pelo que a reintegração no núcleo de trabalho não deverá constituir um problema.

Ainda há outras operações que a equipa de Milwaukee pode efetuar. A mais óbvia prende-se com a possível existência de uma vaga em aberto no plantel, bastante apelativa para jogadores no mercardo aberto que procuram a conquista de um título antes do final da carreira e que podem ajudar o grupo na pós-temporada. No entanto, parece cada vez menos provável que este lugar possa ser preenchido por um center que realmente faça a diferença.

No contexto geral, Milwaukee aparenta não estar muito preocupado com o desenrolar das suas exibições, uma vez que já teve uma experiência semelhante na época passada e acabou por vencer o troféu. De recordar que, antes do sucesso recente, os Bucks foram os primeiros classificados da Conferência Este em temporadas consecutivas, mas nunca chegaram a ultrapassar as finais de conferência, demonstrando que a classificação da temporada regular não importa em certas ocasiões.

Assim como o período mais medíocre da última temporada, tendências preocupantes desenvolveram-se e palavras menos agradáveis foram proferidas. Isso não impediu que os Bucks tivessem uma percentagem de vitórias bem acima dos 50% e, atualmente, a equipa volta a ocupar os lugares cimeiros da tabela classificativa, muito próximo dos Chicago Bulls e dos Miami Heat.

Ainda assim, é importante realçar que esta é, talvez, a Conferência Este mais imprevisível em mais de uma década, com equipas como os Raptors, os Cavaliers e os 76ers a intrometerem-se na luta pelos lugares de acesso direto aos palyoffs, sem simultaneamente esquecer a subida de rendimento dos Celtics, dos Hornets e dos Hawks. Por outras palavras, com tantos rivais diretos, não poderia ter existido pior altura para os resultados negativos começarem a surgir.

Segue-se agora um conjunto de jogos contra equipas da Conferência Oeste, seguidos imediatamente por confrontos de grande exigência no Fiserv Forum, arena dos Milwaukee Bucks. Na temporada passada, os Bucks saíram do seu mal-estar com uma sequência de vitórias. Será que a responsabilidade acrescida irá produzir os mesmos efeitos?

Até ao momento, tudo indica que o mês de fevereiro será um regresso à normalidade, com vitórias sobre os Washington Wizards, Portland Trail Blazers e Los Angeles Clippers. Por agora, resta-nos avaliar o desempenho das três grandes figuras desta equipa.

Foto de Capa: Milwaukee Bucks

Artigo redigido por Diogo Vieira

GIANNIS ANTETOKOUNMPO

Como seria fácil de imaginar, o ativo mais consistente dos Bucks é o candidato habitual à denominação de melhor jogador da liga. Giannis apresenta aos 27 anos um currículo que muitos basquetebolistas nunca conseguirão obter ao longo de uma carreira inteira, isto estando apenas a entrar agora no auge da sua vida desportiva.

Um dos líderes indiscutíveis do plantel que venceu o troféu da época 2020/2021, o “Greek Freak” já conta com 2 prémios de MVP (2019 e 2020); Most Improved Player (MIP) de 2017; Defensive Player of the Year de 2020; 5 vezes All-NBA Team (de 2017 a 2021); 4 vezes NBA All-Defensive Team (de 2017 a 2021); 6 vezes All-Star (de 2017 a 2022) e MVP das Finais de 2021. Uma jornada inacreditável que continua a ser caracterizada por grandes desempenhos à medida que a temporada regular vai avançando.

Comparativamente com as épocas anteriores, as médias de 28.9 pontos, 11.2 ressaltos, 5.9 assistências, 1.0 roubos de bola e 1.4 desarmes de lançamento seriam mais do que suficientes para garantir o topo do pódio na corrida ao prémio de MVP da temporada regular. Desta feita, Jokic e Embid acabam por estar acima do poste grego na votação, muito devido às prestações surreais que ambos os jogadores têm proporcionado, sendo igualmente benefeciados pelo baixo rendimento dos Bucks em janeiro.

Quando uma equipa é incapaz de manter a qualidade do inicío da competição ou é afetada por um conjunto de partidas contra os candidatos ao título, torna-se muito complicado assegurar o favoritismo face às distinções individuais e Giannis não é exceção à norma. Basta também recordar o quanto a inaptidão dos Lakers para vencer jogos tem custado a Lebron James a presença no top 10 dos atletas mais valiosos da edição 2021/2022 da NBA.

Apesar de tudo, é de esperar que o ainda campeão continue a perseguir este feito, ao mesmo tempo que solidifica a sua posição na luta pela nomeação a melhor defensor do ano. Se existem estrelas que possam carregar uma equipa inteira até às finais por si só, Giannis é uma delas, mas até mesmo os monstros mais imparáveis necessitam de apoio de vez a vez.

KHRIS MIDDLETON

Em Milwaukee desde 2013/2014, Middleton é dos nomes com mais anos ao serviço dos Bucks e certamente das vozes mais respeitadas no balneário. 3 vezes All-Star ao lado de Giannis, o extremo americano tem sido o companheiro de longa data do grego e a 2ª opção enquanto marcador viável de pontos.

Com uma média de 19.4 pontos, 5.6 ressaltos e 5.3 assistências, Khris apresenta números interessantes e, de certa forma, algo condizentes com o papel que desempenha na equipa. Todavia, continua abaixo dos 20.9 pontos de 2019/2020 e dos 20.4 de 2020/2021, uma queda de produtividade que se fez sentir nas derrotas desta temporada e principalmente nas vitórias em que, tirando Bobby Portis a espaços, foi praticamente Antetokounmpo sozinho contra o mundo.

Embora tinha sido selecionado para o All-Star Game deste ano, talentos como Jarrett Allen e Jaylen Brown talvez merecessem mais a presença num dos grandes eventos anuais do desporto dos Estados Unidos da América. Não estando propriamente na fase descendente do sua evolução, é urgente que Middleton recupere alguma da propensão finalizadora dos dois anos transatos e o talento para resolver nos momentos decisivos, caso os Bucks realmente queiram ter chances de revalidar o título.

JRUE HOLIDAY

Por fim, falta mencionar um dos bases com melhores aptidões defensivas de toda a NBA. Jrue Holiday sempre foi conhecido pela sua inteligência no momento da transição defensiva, muitas vezesdesignado para fazer marcação cerrada a superestrelas como Devin Booker, James Harden e Trae Young, juntamente com alguns dos melhores lançadores de triplos da liga.

Para minimizar os tiros exteriores, poucos são aqueles que superam a experiência e a agressividade do atleta de 31 anos, registando por média 1.5 roubos de bola ao longo da temporada. A sua distribuição de jogo encontra-se apurada, natural para um base com as suas caraterísticas, anotando 6.6 assistências por partida.

Por outras palavras, Holiday é o protótipo de um bom base da NBA, não propriamente um dos melhores, por exemplo ao nível de Ja Morant, mas claramente acima da média. O único aspeto do seu jogo que requer maior precisão é a mentalidade de ataque. Por hábito, e por mais que seja um jogador rápido e relativamente forte fisicamente, Jrue não tem preferência em apostar em jogadas de 1vs1, ou seja, demonstra tendência para jogadas coletivas e de menor risco, selecionando lançamentos programados com maiores probabilidades de eficácia ao invés de assumir a notoriedade normalmente reservada a Giannis e Middleton.

18.0 pontos de média é um número bastante sólido e normal para o base. Infelizmente, perante uma Conferência Este tão lotada de equipas de qualidade, ter apenas um jogador a apresentar estatísticas acima dos 20.0 pontos é preocupante para uma equipa com aspirações de grandeza e que claramente implora por mais poder de fogo atacante.

Diogo Valente Vieira

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