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Fim-de-semana dourado para o país do esqui | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 10 min

Salto
Foto: FIS Ski Jumping

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Era após a viagem até solo finlandês, mais em concreto até à pequena cidade de Ruka, na qual Anze Lanisek havia subido pela primeira vez ao degrau mais alto do pódio, que a Taça do Mundo de Saltos de Esqui teria uma dupla jornada em solo polaco, no mítico trampolim de Wisla.

Uma cidade que, aquando da passagem do campeonato por estas paragens, vira “santuário” da modalidade, com dezenas de milhares de espectadores a lotarem as bancadas do Malinka Adam Malysz, assim batizado em homenagem a Adam Malysz, agora diretor da equipa e ex-saltador que detém, atualmente, a terceira posição na tabela dos praticantes mais vitoriosos de sempre deste incrível desporto.

De realçar ainda que, no segundo dia de prova, teve lugar a primeira competição coletiva da temporada, sendo que, durante a presente época, se assiste a um decréscimo de eventos deste âmbito.

A estrutura de 134m contava com o K-point localizado nos 120m, com um record que datava de 2013, um dos mais antigos, assinado então por Stefan Kraft, registo esse de 139m. A questão que todos queriam ver respondida era se seria desta que a marca cairia.

Como manda a tradição por estas bandas, o trampolim tornou a receber os entusiastas adeptos polacos, confiantes de que Stoch, Zyla ou Kubacki lhes pudessem conferir novas alegrias, com o triunfo a ficar entre portas. De referir que o “samurai”, Ryoyu Kubayashi, falhava a jornada de Wisla, visto estar ainda em isolamento profilático, após ter voltado a contrair a covid-19.

Desta forma, seriam 72 os atletas a “afrontar” a qualificação realizada na tarde de sexta-feira, que seria disputada debaixo de forte vento, nada impeditivo pois soprava de forma frontal. Quem levaria a melhor, apesar de não ter registado o salto mais longo, seria o jovem Jan Hoerl, a anotar 129m, marca inferior, em cinco metros, à averbada por Karl Geiger, que vestia o dorsal amarelo de líder da Taça do Mundo de Saltos de Esqui, situação facilmente explicável uma vez que o germânico havia contado com condições mais favoráveis aquando da execução do seu voo quando comparadas com as de que dispusera o austríaco. O terceiro mais pontuado seria o norueguês Marius Lindvik, a registar 132m.

Ainda a destacar os nomes de Pius Paschke, fechando a ronda preliminar com a quarta melhor pontuação, 128m, e para o único saltador russo que até à data soma vitórias entre a elite do desporto, sucesso esse obtido em Wisla, em 2019, Evgeniy Klimov, com uma marca de 129m.

Refira-se que sta foi uma ronda na qual se viu um amplo contingente caseiro marcar presença na competição dominical, algo relacionado com o maior número de vagas atribuídas à nação anfitriã.

De resto, são ainda de salientar os registos, interessantes, de dois desportistas que já tocaram a glória do Olimpo: Andreas Wellinger, germânico que atualmente procura recuperar forma para conseguir apresentar-se a um nível consentâneo com a sua real valia, a posicionar-se em oitavo, com 122.5m, e para Kamil Stoch, que fechava em décimo com um salto sobre o K-point.

Este apronto não veria marcas particularmente distantes, para além das já mencionadas, uma vez que o vento não ia sendo amigo dos atletas, estando agora fraco, algo que ia prejudicando a qualidade do espetáculo.

Pela negativa, evidenciavam-se os saltos do esloveno Anze Lanisek, que terminaria em 15.º posto, Halvor Egner Granerud, que desta feita asseguraria a presença na prova, mas apenas com recurso a parcos 119m, qualificando-se no 32º posto, e ainda Markus Eisenbichler, a concluir em 39º, anotando apenas 117m. Com todos os nomes de monta a seguirem, com maiores ou menores sobressaltos, para a competição de domingo. Agora, as “baterias” iam estando apontadas para o evento de sábado.

O dia seria destinado a uma competição por equipas, com as nações a apresentarem cada uma quatro saltadores que atuariam duas vezes, uma em cada ronda. As mesmas seriam compostas por quatro “mangas”.  O evento contaria apenas com nove conjuntos a concurso: Alemanha, Áustria,  Noruega, EUA, Suíça, Rússia, Eslovénia, Japão e a anfitriã, a Polónia. Destaque para a ausência de um quarteto finlandês, algo bem revelador da escassez de matéria-prima no que diz respeito à qualidade apresentada pelos jovens competidores de um país que, outrora, era uma das nações de topo.

Finalizados os primeiros 36 saltos, seria, sem surpresas, o quarteto norte-americano a deixar mais cedo a contenda, visto que os oito restantes conjuntos garantiriam direito a realizar mais quatro marcas nesta fantástica estrutura. Quanto a uma das nações favoritas, os noruegueses, que contavam com Robert Johanson, Marius Lindvik, Daniel Andre-Tande e Halvor Egner Granerud, estavam num “miserável” sétimo posto, a mais de meia centena de pontos da liderança na posse dos austríacos, verdadeiros especialistas em eventos coletivos  que contavam nas suas fileiras com Jan Hoerl, Manuel Fettner, Stefan Kraft e Daniel Huber.

No entanto, a mesma ia estando “presa” por apenas 3.6 pontos, com o segundo posto a ser pertença dos caseiros David Kubacki, Kamil Stoch, Andrzej Stekala e Piotr Zyla, seguidos de muito perto pela jovem equipa eslovena formada por Cene Prevc, Anze Lanisek e Timi Zajc, aos quais se aliava a veterania do vencedor da Taça do Mundo de Saltos de Esqui em 2016, Peter Prevc. Fora, por estes instantes, dos lugares medalháveis iam militando alemães em quarto, japoneses em quinto, russos em sexto e suíços em oitavo, a garantirem, perante os EUA, a derradeira vaga na segunda parte do evento.

Após uma primeira metade de disputa em que o equilíbrio entre os dois primeiros dificilmente poderia ser maior, esperava-se cenário idêntico para a segunda parte da competição. Beneficiando de um grande segundo registo da autoria de Jan Hoerl, 135.5m, marca mais distante de todo o fim-de-semana até então e de um voo de 130m de Kraft a fechar, a Áustria repetiria o sucesso aqui conseguido na época transata.

Em segundo, ficaria a Alemanha, que viu em Karl Geiger, com 134m na sua segunda aparição, ser um dos principais impulsionadores do crescimento germânico, que contava com uma formação constituída por: Karl Geiger, Markus Eisenbichler, Pius Paschke e Stephan Leyhe, relegando a equipa da Eslovénia para o bronze. Eles que eram líderes até à segunda “manga” da ronda derradeira, altura em que Lanisek deitaria tudo a perder com um segundo salto de 112m.

De resto, este seria um dia para esquecer para o bem jovem saltador, visto que, na sua primeira atuação, havia registado apenas 104m, ao contrário do companheiro Cene Prevc, que teria um segundo voo gigante, no caso 135m, que davam boas indicações para domingo.

Em quarto, mas liderando até à última ficaram os caseiros, com o responsável por tal queda a ser David Kubacki, que efetuaria um paupérrimo segundo salto de apenas 97m.  Em quinto, concluíam os nipónicos, seguidos pelos noruegueses, pelos soviéticos e pelos helvéticos, desfalcados do veterano Ammann.

O dia seguinte trouxe um vento forte e cruzado que criava pouca sustentação debaixo dos esquis, sendo que, por conseguinte, os 50 participantes da primeira ronda do sexto evento da temporada iam denotando muitas dificuldades, inclusive em ultrapassar o K-point. Tanto assim era que a liderança após uma ronda inicial realizada desde o portão 10, que, salvo melhor opinião, poderia e deveria ter sido subido, pertenceria a Jan Hoerl, com o vencedor do cheque de 3.000 francos suíços a voar escassos 121m, que realçavam a pobreza, em termos de registos  vislumbrada nessa primeira metade do evento.

O segundo posto ia estando em posse do “baixinho” Kraft, que assinalara 120m, estando a pouco mais de três décimas de ponto do seu jovem e ambicioso compatriota. Em lugar de bronze ia “navegando” um jovem norueguês, que no ano transato havia estado até meados na discussão pelo torneio dos quatro trampolins, Marius Lindvik, que, voando mais um metro que o “comandante”, havia sido mais penalizado pelas condições que encontrara. Em quarto, em busca do seu primeiro pódio na “Champions” dos Saltos de Esqui, “rodava” Cene Prevc, mano mais novo do clã, totalizando 121m, mais meio metro face ao quinto colocado, o germânico Markus Eisenbichler.

O líder do campeonato, Karl Geiger, ia dececionando após rubricar somente 117m, tendo adiante de si o nipónico Junshiro Kobayashi, que “sacara” 119.5m na sua primeira tentativa. Ainda dentro do top-10, figuravam os nomes de Forfang, a somar 118m, Kamil Stoch, com 117m, e Pius Paschke, veterano de Kiefersfelden, que registava mais dois metros face ao polaco. Anze Lanisek parecia manter as más indicações dadas no dia de sábado, ao estar apenas na 15ª posição, assinando um salto bem curtinho, de apenas 115m.

Registo igualado pelo local Piotr Zyla, com o homem da “mosquinha” a apurar-se apenas no 25º posto. Nomes como os de Granerud, Kubacki ou Leyhe falhavam a ronda final, à semelhança do esloveno Domen Prevc, desqualificado por irregularidades detetadas no seu fato.

A segunda ronda contaria com uma inesperada, mas bem-vinda, novidade, visto que o vento passou a apresentar-se frontalmente, originando uma grande melhoria na distância e recorte técnico das marcas no trampolim que honrava o quatro vezes vencedor do grande globo de cristal. A mesma consagraria o austríaco Jan Hoerl, que, assim, garantia o primeiro triunfo de toda a carreira. O atleta natural da cidade que acolhe a última etapa do torneio dos quatro trampolins aguentaria a pressão de Lindvik e Kraft, conquistando o sucesso após realizar um segundo voo de 128m.

Em segundo, ficaria outro jovem, Marius Lindvik, que assinava uma segunda marca de 124m, com o pódio a ficar fechado por Stefan Kraft, que garantiria um registo de 123m. Quem veria a sua liderança ampliada seria o alemão Karl Geiger, que selava a quarta posição com um segundo esforço de 123m, que fariam dilatar a margem para Anze Lanisek, apenas 13.º posicionado, realizando uma segunda marca de 119m.

A encerrar os cinco primeiros, nota para outro germânico, Eisenbichler, que, na sua segunda atuação, não faria melhor que superar em meio metro o “filtro” do K-point. Já Cene Prevc, quem sabe acusando a pressão inerente a um eventual primeiro pódio em perspetiva, acabaria em sexto. Se um esloveno falhava, outro seria o maior destaque da segunda parte da contenda: Lovro Kos, que “tirava da cartola” uns impressionantes 128.5m que o fariam ascender até ao oitavo lugar, três postos adiante de Kamil Stoch, muito discreto na etapa de casa, onde nunca mostrou poder discutir lugares de relevo.

Dentro do top-10, destaque  ainda para um “sólido” Killian Peier, que vai sempre fazendo resultados de uma consistência aterradora, e para o “bigode viking”, Robert Johanson, respetivamente nono e décimo colocados. Pela negativa, destacar o 20º lugar de Naoki Nakamura, um dos seus piores resultados da temporada. No polo oposto, salientar o 28º lugar arrecadado pelo russo Danil Sadreev,  jovem atleta que concluiu sempre nos pontos a mão cheia de eventos individuais já realizados no decurso da presente época.

Desta forma, está tudo contado sobre mais um fim-de-semana alusivo à Taça do Mundo de Saltos de Esqui  do qual Geiger saiu ainda mais primeiro, averbando 355 pontos, seguido por Anze Lanisek, com 272 pontos. Já em terceiro, encontramos Markus Eisenbichler, que totaliza 237 pontos. O vencedor em Wisla, Jan Hoerl, soma 131 pontos, ascendendo à décima posição da geral.

Na próxima semana, a Taça do Mundo de Saltos de Esqui ruma à localidade germânica de Klingenthal, onde o seu BNR lhe contará tudo. Até lá!

Foto de Capa: FIS Ski Jumping

A FIGURA DO SALTO DE ESQUI

Jan Hoerl – O saltador, de 23 anos, do Sky Club de Bischofshofen começou a dar nas vistas logo com a vitória na qualificação. No entanto, isso de nada lhe valeria se não o confirmasse na prova a valer. Elemento fundamental na competição coletiva, seriam dele alguns dos voos mais distantes do fim-de-semana. Virá por aí um novo diamante dos austríacos em vésperas dos quatro trampolins?

A DESILUSÃO

Dawid Kubacki – O atleta, que, convém não esquecer, é, depois de Stoch, o praticante em atividade com maior curriculum do seu país, vai revelando uma desinspiração gritante que nem pelo maior conhecimento do trampolim foi amenizada. O registo na sua segunda atuação do evento coletivo foi mesmo o ponto culminante de uma etapa para esquecer.

Isto apesar de, no mesmo patamar, colocarmos Halvor Egner Granerud, que assim somou a terceira prova seguida a zeros. Estes são nomes que no começo de uma temporada com tanto em jogo – Torneio dos quatro trampolins, Taça do Mundo regular e Olimpíadas de inverno, em Pequim -, terão de elevar, e muito, a sua forma, sob pena de defraudarem as expectativas dos seus fãs.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

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