SL Benfica B 0-0 CF Estrela da Amadora: Ninguém teve estrelinha

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A CRÓNICA: UMA PAREDE CHAMADA GONÇALO

O CF Estrela da Amadora aproveitou a hora de almoço para evitar um qualquer engarrafamento na Ponte 25 de Abril e ir até ao Seixal defrontar o SL Benfica B. Embora a distância pontual entre os dois conjuntos seja grande, ambas as equipas estão tranquilas na classificação. Mesmo assim, a fase da época não é a melhor para nenhuma das duas.

Para quem quis ir de uma margem à outra do Tejo para ver o jogo, um ligeiro atraso devido ao trânsito só fez mal às exigências da paciência. Dentro do campo, SL Benfica B e CF Estrela da Amadora iam repartindo a posse de bola, mas sem proporcionarem momentos que levassem alguém a ligar os quatro piscas e entrar em missão urgente de socorro, de modo a justificar uma série de ultrapassagens bruscas para ver os lances que iam decorrendo.

Os tricolores não precisavam de ataques muito demorados para chegar ao último terço, onde pecaram no rigor da definição. As águias tentavam rendilhar mais o jogo. Nenhuma das hipóteses estava a ser solução para o problema.

Entraram então em cena as bolas paradas que deram a Henrique Araújo a grande oportunidade da primeira parte. A barra não quis que o nulo se desfizesse ainda antes do intervalo.

Enquanto os estrelistas continuavam a somar cruzamentos venenosos no ataque, os atacantes encarnados levavam ao limite a resistência defensiva da equipa da Amadora, que só não quebrara porque o guarda-redes Gonçalo Tabuaço não deixou. Henrique Araújo ficou-se novamente pelo tentar perante a eficácia da barreira que tivera pela frente.

O SL Benfica acentuou o volume de ataque, mesmo que com isso se tenha exposto a transições. A bola andou mais perto das redes, mas as duas equipas, sem conseguirem resolver a inimizade com as balizas, saíram do Futebol Campus sem golos, embora com um ponto.

 

A FIGURA

Gonçalo Tabuaço – Intransponível. Voou para a direita, voou para a esquerda, mas nunca deixou que a bola fizesse ninho na baliza que defendeu.

 

O FORA DE JOGO

Martim Neto – Ser a unidade mais recuada de um meio-campo a dois limitou-lhe as ações de rasgo e finalização que o caracterizam. Sobraram para si as responsabilidades defensivas do balanceamento defensivo do SL Benfica B, das quais não conseguiu dar conta.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA B

O SL Benfica B apresentou uma linha de cinco defesas, na qual Miguel Nóbrega, Pedro Álvaro e António Silva ocuparam o espaço central e Filipe Cruz e Sandro Cruz as laterais. O setor recuado orientava-se consoante o posicionamento da bola, sendo que o aspeto mais visível dessa dinâmica foi a maneira como os laterais benfiquistas encaixavam nos laterais adversários.

Henrique Araújo mostrou-se como avançado-centro do 3-4-3, mas nem por isso foi sempre o homem mais adiantado pela forma como procurou jogar em apoio. Principalmente à esquerda, Henrique Pereira tentou alongar a linha defensiva através de um posicionamento mais aberto, com Sandro Cruz por dentro, e gerar espaço para Henrique Araújo e Úmaro Embaló receberem a bola no espaço central.

Com todo o meio-campo por sua conta, Martim Neto e Cher Ndour viram-se muito agarrados ao papel tático. A situação impediu que chegassem a zonas de finalização, característica forte em ambos.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Samuel Soares (6)

Filipe Cruz (6)

Miguel Nóbrega (6)

Pedro Álvaro (6)

António Silva (6)

Sandro Cruz (6)

Martim Neto (4)

Cher Ndour (5)

Umaro Embaló (5)

Henrique Pereira (5)

Henrique Araújo (6)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Gouveia (6)

Diogo Capitão (4)

Jair Tavares (-)

Kalaica (-)

Fabinho (-)

ANÁLISE TÁTICA – CF ESTRELA DA AMADORA

O CF Estrela da Amadora apresentou-se com um meio-campo reforçado com Aloísio, Maestro e Chapi a darem consistência ao miolo. No processo defensivo, Aloísio foi obrigado a ver se se juntava aos centrais ou se saltava no espaço nas costas de Maestro e Chapi. Definida a passagem de transição defensiva para organização defensiva, o médio brasileiro ocupava definitivamente a linha mais recuada. Podemos então caracterizar o sistema de Ricardo Chéu como um 4-3-3 em fase ofensiva que se desdobrava num 5-4-1 a defender.

O bloco médio dos tricolores começava a pressionar a circulação do SL Benfica B a poucos metros da bola entrar na sua metade do campo. Nesse momento, Diogo Salomão e Madson, mediante o lado onde de encontrava a bola, condicionavam os centrais de fora das águias, procurando obrigá-los a jogar por dentro, onde a equipa da Amadora estava pronta a roubar a bola e partir para ataque rápido.

Obrigada a dividir a posse de bola, a transição ofensiva foi uma solução válida para os estrelistas. Para responder a essa necessidade, optou por ter na frente um jogador forte no ataque à profundidade como Tipote.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gonçalo Tabuaço (8)

Sérgio Conceição (5)

André Duarte (5)

Anthony Correia (5)

Michel Camargos (5)

Aloísio (6)

Maestro (5)

Chapi Romano (4)

Diogo Salamão (7)

Madson (7)

Leandro Tipote (6)

SUBS UTILIZADOS

Paulinho (5)

Xavi Fernandes (4)

Miguel Rosa (5)

Miguel Lopes (4)

Fabrício (-)

BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

SL BENFICA B

Bola na Rede: O SL Benfica apresentou-se num 3-4-3. Vi-o a dar muitas indicações ao Martim Neto e ao Cher Ndour. O que é que difere no comportamento dos médios num sistema de três centrais ou em relação ao sistema de 4-3-3 que costuma utilizar?

António Oliveira: Tentámos não desvirtuar muito aquilo que é o nosso 4-4-3. Muitas vezes, em situações de pontapé de baliza e de início de construção, colocámos o Pedro Álvaro como seis e o Cher e o Martim mais perto daquilo que são as posições originais deles, que é serem médios interiores. Criámos um padrão completamente diferente entre aquilo que é o nosso jogo do lado esquerdo e o nosso jogo do lado direito. No lado esquerdo era o Cher entre linhas e no lado direito era o Umaro. O Martim ficava sempre como pivô, na ligação com os três centrais. É preciso os dois médios andarem em diagonal. Temos que nos proteger para evitar a igualdade numérica atrás com os três centrais. Dentro do pouco tempo de trabalho que tivemos, foi um jogo bem conseguido. Eles próprios, Cher e Martim, só tiveram um dia de preparação. O sistema de três centrais permitiu-nos que as dificuldades que os nossos laterais têm numa linha a quatro fossem colmatadas com mais um elemento na linha e controlámos muito melhor a largura. Temos sido fortíssimos a marcar golos nos jogos anteriores, mas o problema é que temos sofrido alguns e eu não gosto disso. É preciso darmos consistência defensiva para que quem ataca tenha conforto. A estrutura usada tem a ver com algumas limitações que temos. Nesta altura, um dos focos maiores do SL Benfica são os sub-19, não é a equipa B.

 

CF ESTRELA DA AMADORA

Bola na Rede: O CF Estrela da Amadora habitualmente gosta de ter o domínio da posse de bola, mas hoje teve que a repartir com o SL Benfica. Neste sentido, a transição ofensiva era uma arma a explorar neste jogo?

Ricardo Chéu: Quem segue o CF Estrela da Amadora sabe que gostamos de ser essa equipa dominadora. Fomos durante a primeira parte. Durante a primeira parte fomos uma equipa dominadora, com grande mobilidade, com grande critério. Tirámos bolas da zona de pressão e variámos o centro do jogo. O que nos faltou na segunda parte foi clarividência para ter a bola, porque estávamos exaustos. A ideia das substituições foi refrescar a frente de ataque. Colocámos jogadores que nos deram esse plano B de sair em transições. Colocámos um jogador mais posicional como o Fabrício que nos pudesse segurar primeiras bolas, acompanhado por movimentos de rutura muito fortes do Madson, que acabou por sair desgastado. O próprio Paulinho entrou para explorar as costas. Acho que nos faltou condição física hoje, porque foi uma semana muito difícil.

Artigo revisto por Joana Mendes

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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