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Alemanha 1-1 Itália: E, no final, ganha a Alemanha!

João Amaral Santos · 5 min

Alemanha 1-1 Itália: E, no final, ganha a Alemanha!

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A FIGURA

Manuel Neuer
Fonte: UEFA

Manuel Neuer (Alemanha) – Todas as grandes estórias precisam de um herói. Manuel Neuer não abdicou do seu estatuto e, uma vez mais, marcou a diferença. Num jogo em que as individualidades foram apagadas pelos colectivos, muito disputado, embora, normalmente, longe das balizas, as suas qualidades voltaram a fazer a diferença. Defendeu duas grandes-penalidades (Zaza e Pellè, perante o gigante, nem sequer acertaram na baliza), confirmando-se, muito provavelmente, como o mais fiável guarda-redes do mundo da actualidade. Nesta fase da competição, tão equilibrada e competitiva, quando a inspiração é traída pelo nervosismo, são as grandes individualidades que têm de dar mais um passo em frente – Neuer confirmou-o, voltando a ser decisivo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Jérôme Boateng
Fonte: Jérôme Boateng

Jérôme Boateng (Alemanha) – O jogo estava já resolvido – ou, pelo menos, muito perto disso – quando, aos 78 minutos, Jérôme Boateng, experiente defesa-central, imponente e irrepreensível até então, abordou de forma infantil (e incompreensível) um lance na sua zona de acção. Boateng enfrentou o cruzamento de braços bem abertos, cortando o fio à meada, ou seja, afastando o esférico de forma claramente ilegal. Uma falta dentro da sua área que permitiu à Itália, meio derrotada, empatar o jogo e levá-lo para prolongamento e penáltis – o grande prémio do sorteio saiu a Boateng; no entanto, o seu erro, pouco comum neste patamar, valeu muito suor e muitas lágrimas, e teve consequências imprevisíveis.

ITÁLIA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

A Itália sempre foi – sem nunca deixar de ser – a prova viva da supremacia do colectivo em relação ao indivíduo; o melhor exemplo daquilo que o grupo, coeso e solidário, pode alcançar, mesmo que órfão de um puro talento à escala universal. A actual Squadra Azzurra, cumprindo fielmente os preceitos das suas antecessoras, chegava a esta fase repartindo o favoritismo à vitória (no jogo e na competição), depois de uma excelente exibição – talvez o jogo mais bem conseguido por qualquer das equipas em toda a prova – e um triunfo que arremessou para fora de cena a bicampeã Espanha.

Antonio Conte tem mérito ao conseguir aliar, neste grupo, a identidade histórica do futebol italiano à qualidade irreverente de um lote de jogadores tecnicamente evoluídos. Sem alterar (ou hesitar) um milímetro, o técnico transalpino manteve-se fiel às suas escolhas, tanto na forma como no conteúdo, conseguindo colocar a sua equipa a pautar o ritmo, durante toda a 1.ª parte, com mais bola e circulação e, sobretudo, com profundidade pelas alas por onde se fariam as aproximações mais perigosas junto de qualquer das balizas. O jogo decorreu morno, sem serem tomados riscos comprometedores, e, com naturalidade, foi a Itália a ter a melhor, e única, grande ocasião de golo na 1.ª parte: aos 43 minutos, Giaccherini beneficiou de (raríssimo) tempo e espaço, já na área alemã, descobrindo Sturaro, que, enchendo o pé, viu o golo ser-lhe negado por um desvio ligeiro e providencial de Boateng.

Na 2.ª parte, e sem surpresas, as dificuldades aumentaram. A Alemanha surgiu mais pressionante, obrigando as linhas italianas a recuar. O jogo endureceu e o tão temido (e proibitivo) erro acabou mesmo por surgir, permitindo a Mesut Ozil inaugurar o marcador. Foi difícil reagir. A Itália chegou a parecer rendida, derrotada, tal a superioridade alemã e, principalmente, a incapacidade demonstrada perante a desvantagem. No entanto, aconteceu um milagre: um penálti, caído do céu, por mão de Boateng dentro da área. Aos 78 minutos, Bonnucci empatou dos “onze” metros e levou o jogo para prolongamento – onde a equipa se manteve contida, deixando o tempo rolar. No penáltis, os nervos atraiçoaram os especialistas – e até Zaza, entrado aos 120’ com o exclusivo objectivo de marcar o seu penálti, falhou, atirando para as nuvens.

Classificação dos Jogadores:

Buffon – 6

Chiellini – 7

Barzagli – 7

Bonucci – 7

Sciglio – 6

Sturaro – 6

Florenzi – 6

Parolo – 6

Giaccherini – 6

Pelle – 6

Eder – 6

Darmian – 5

Insigne – 6

Zaza – Sem tempo

ALEMANHA

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Existem candidatos e favoritos, outsiders realistas e sonhadores, e depois existe a Alemanha, que, em competição europeia ou mundial, plana, normalmente, acima de todos os outros, temida como bicho-papão por qualquer adversário. O grupo às ordens de Joachim Löw assume-se, perfeitamente, como digno herdeiro deste passado (o longínquo e o recente, ou não estivéssemos a falar da campeã mundial em título) – a mannschaft pode nem sempre ganhar, mas, com tanto talento, misto de juventude e experiência, ganha, certamente, mais vezes que os restantes.

Desta vez, porém, os alemães tiveram pela frente opositor de respeito. Os italianos – com um colectivo equilibrado e nivelado por cima – inspiraram respeito (em demasia?), condicionando, visivelmente, e durante toda a 1.ª parte, a habitual predominância germânica. A primeira contrariedade surgiu logo aos 13 minutos, com a lesão de Khedira (substituído por Schweinsteiger). Afectada pela alteração forçada, a Alemanha jamais conseguiu, neste período, contornar a barreira transalpina, perdendo, gradualmente, a sua habitual clarividência e apostando, preferencialmente, em lançamentos longos e estéreis, buscando a capacidade finalizadora de Mario Gomez e Thomas Mueller.

A 2.ª parte, porém, trouxe alterações. A equipa, mais esticada em campo, mais lesta e assertiva no capítulo do passe, passou a dominar, instalando-se no meio-campo adversário, procurando paciente e insistentemente uma brecha. Numa jogada de envolvimento, aos 65 minutos, Jonas Hector surgiu solto sem marcação, servindo o pé esquerdo de Mesut Ozil, desaparecido até então, que não teve dificuldades em fuzilar a baliza de Buffon e fazer o 1-0.

Foi a melhor fase da Alemanha na partida, que, aproveitando o ascendente – e o descontrolo emocional contrário –, pareceu ter condições para resolver, de vez, a questão quanto ao vencedor. Contra a corrente, Boateng, inexplicavelmente, ressuscitou a Itália, abordando um cruzamento de braços no ar e oferecendo uma grande-penalidade, que Bonnucci aproveitou para empatar o jogo.

No prolongamento, a Alemanha voltou a ter a iniciativa, sem, de qualquer das formas, conseguir reais situações de perigo junto da baliza de Buffon. Nos penáltis, a Alemanha marcou mais um – venceu por 6-5, após uma série de dezoito grandes-penalidades. Impróprio para cardíacos! A Alemanha está nas meias-finais do Euro’2016 e aguarda adversário: França ou Islândia.

Classificação dos Jogadores:

Neuer – 7

Howedes – 7

Hummels – 7

Boateng – 5

Hector – 7

Kimmich – 6

Khedira – 5

Mesut Ozil – 6

Toni Kroos – 6

Mueller – 6

Mario Gomez – 6

Schweinsteiger – 6

Draxler – 6

Foto de Capa: UEFA

João Amaral Santos

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