O sorteio ditou que o grupo F seria, declaradamente, o grupo da “morte”. Juntaram-se três das melhores seleções em prova para as primeiras decisões relevantes a serem tomadas na competição e todos os seis jogos terão uma importância redobrada, essencialmente para as três seleções mais fortes. Um golo marcado ou sofrido pode fazer toda a diferença, e por isso vai ser preciso foco do primeiro ao último minuto.
É difícil de adivinhar um desfecho devido ao enorme equilíbrio, mas uma das seleções terá certamente de ocupar o terceiro lugar e aí importa também ter uma boa pontuação. Recorde-se que os quatro melhores terceiros classificados também se apuram e por isso é bem possível que estas três seleções consigam a passagem à fase seguinte da prova.
Em relação à Hungria, chegou aqui depois de bater a Bulgária por 3-1 e a Islândia por 2-1 e isso pode ser já considerado uma vitória. Daqui para a frente serão cenários quase impossíveis tendo em conta que tem pela frente não uma, não duas mas três seleções muito superiores. Ainda assim, se há característica que o futebol tem é a imprevisibilidade e é por isso que nos faz ser tão apaixonados. Teremos de esperar para ver, porque Marco Rossi e os seus homens certamente irão querer valorizar-se.
PORTUGAL
A SELEÇÃO
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
A Seleção – Campeã Europeia em título, a seleção das Quinas comandada por Fernando Santos está este ano, aparentemente, mais forte do que nunca. Para uma seleção recheada de jogadores que atuam nos melhores clubes da Europa, muitos deles presentes em finais europeias e campeões pelos respetivos clubes, o grupo da morte deixa de ser, nos dias que correm, tão assustador como outrora foi.
Em relação a boas prestações em grandes competições, ficam na retina o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 1966, o quarto lugar em 2006 e, em termos de Campeonatos da Europa, as meias-finais de 2000 e 2012, o mítico segundo lugar em 2004 e obviamente a conquista de 2016.
A ESTRELA
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Cristiano Ronaldo – Independentemente do momento de forma mais ou menos positivo, Cristiano Ronaldo continua a ser um dos melhores e mais decisivos jogadores do mundo e será, por isso, a estrela em qualquer equipa onde esteja. Com uma veia goleadora mundialmente reconhecida, o capitão da seleção das Quinas pode ser a grande diferença em jogos frente a grandes equipas como Alemanha e França. É, indiscutivelmente, um trunfo que nenhuma outra equipa nesta competição tem.
A REVELAÇÃO
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede
Nuno Mendes – Numa seleção com jogadores já tão legitimados no mundo do futebol não é fácil encontrar alguém que possa ser considerado uma revelação. Por essa razão, Nuno Mendes, por ser um dos menos conhecidos dos 26 escolhidos e pela qualidade que apresentou durante toda a temporada, poderá surpreender os mais desatentos.
Apesar de na sua posição não ser provável aparecer nos resumos com grandes golos ou grandes cortes, o lateral-esquerdo pode vir a mostrar-se muito importante na manobra ofensiva da equipa muito devido à sua explosão, capacidade física e facilidade em cruzar. Pode não ser a primeira escolha para o lugar, mas irá certamente somar bastantes minutos e justificar o interesse que as grandes equipas da Europa mostraram nele nos últimos meses.
O SELECIONADOR
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Fernando Santos é o grande obreiro da conquista de 2016. Para muitos não é o treinador ideal por não tirar dos jogadores aquilo que de melhor eles têm para dar. Mas a realidade é que, mais do que um selecionador, ele se tem mostrado um verdadeiro engenheiro na forma como manobra a equipa e a prepara perfeitamente para as especificidades de cada partida. Há cinco anos atrás a sua esperança acabou mesmo por se revelar verdadeira e levou-nos à conquista do primeiro grande título. Este ano mostra-se com a mesma confiança, e por isso esperamos que o cenário se repita.
ATÉ ONDE PODEM IR?
Faz hoje 4 anos que Portugal 🇵🇹 venceu o Euro 2016 🏆… e foi o Éder que os f@deu 😂 pic.twitter.com/WKXz2kX1Hs
Com tanta qualidade em todas as posições do terreno seria injusto não considerar esta uma das seleções candidatas a ganhar o troféu. Não vai ser, obviamente, fácil, mas se analisarmos a nível individual, a seleção das Quinas não fica atrás de muitas outras presentes na competição. O nível coletivo é uma das suas mais valias e a união e forma de trabalhar do grupo pode levá-lo mais longe do que a maioria pensa. Passando da fase de grupos, tudo poderá acontecer, e a conquista da competição deve ser um objetivo bem nítido.
FRANÇA
A SELEÇÃO
A convocatória da França🇫🇷 para o EURO 2020.
Karim Benzema está de regresso à seleção gaulesa. pic.twitter.com/zjoXPfbvpg
— Diário de Transferências (@DTransferencias) May 18, 2021
São os atuais detentores do Campeonato do Mundo e provavelmente têm as melhores individualidades a nível mundial. A qualidade para cada posição é simplesmente assustadora e isso é evidente através dos jogadores que ficaram de fora da convocatória e que facilmente jogavam em muitas outras seleções.
Em relação a palmarés, também não é nada mau: dois campeonatos do mundo e dois campeonatos da Europa, para além do segundo lugar conquistado em 2016 contra Portugal que, se tivesse terminado em vitória, não chocaria ninguém. Desde sempre que têm grandes jogadores como Zidane, Thierry Henry, Cantona, Patrick Vieira ou Platini, e infelizmente para Portugal este ano não é exceção.
— Real Madrid Brasil (@RealBrasil_BR) May 27, 2021
Kylian Mbappé – Apesar dos seus 22 anos, Mbappé já é a estrela desta seleção recheada de talento. Vai ser, sem margem para grandes dúvidas, o melhor jogador da próxima década e para isso tem de começar a ganhar grandes troféus, não só pela sua equipa, como pela sua seleção, algo que tanto Ronaldo como Messi não conseguiram com tanta naturalidade.
Começou com o Campeonato do Mundo em 2018, e depois de falhar o grande objetivo da Liga dos Campeões com o Paris Saint-Germain FC, o craque estará mais focado do que nunca para ganhar o seu primeiro Campeonato da Europa. Sabemos do que é capaz, e por isso os defesas que se cuidem, ou passarão muito mal na hora de o enfrentarem.
A REVELAÇÃO
ELE TÁ DE VOLTA! Benzema se apresentou hoje, junto de outros craques, à seleção francesa em preparação para a Euro 2020! E aí, acha que os Bleus são bons candidatos ao título? #França#Benzema
Karim Benzema – Apesar de não ser jovem, o ponta de lança do Real Madrid CF poderá ser a revelação de uma forma diferente. Como se sabe, esteve afastado da seleção durante muitos anos devido a problemas com Valbuena, mas agora que voltou, pode vir a ser uma grande mais valia para a frente de ataque da equipa.
Tal como acontece com Portugal, todos os 26 escolhidos já são bem conhecidos no mundo do futebol e por isso nenhum deles poderia ser uma revelação no termo mais puro da palavra. Assim sendo, Benzema poderá ser aquele jogador que mais vai surpreender e que mais vem acrescentar à equipa devido à sua enorme qualidade que parece aumentar com o passar dos anos.
Didier Dechamps chegou ao comando técnico da seleção francesa em 2012 e desde então já participou em três grandes competições oficiais. Curiosamente tem vindo a ter um percurso ascendente, algo preocupante para as restantes seleções. Em 2014, no Campeonato do Mundo do Brasil ficou-se pelos quartos de final, sendo eliminado pela Alemanha. Em 2016 conseguiu chegar à sua primeira grande final, apesar da derrota por 1-0 frente a Portugal.
Em 2018, chegaria mesmo o seu momento e conquistaria o troféu de campeão do mundo, depois de bater a Croácia por 4-2. Se o futebol fosse lógico, o troféu estaria entregue a esta seleção. Ainda bem para todos que assim não é, mas que ninguém duvide das capacidades e qualidades deste técnico, que se vem mostrando o homem certo para a posição que ocupa.
Comecei por dizer que, a nível individual, serão provavelmente a melhor seleção do mundo. E por isso não há outra opção senão afirmar que só o título interessa aos franceses. Tudo o que seja abaixo disso pode ser considerado um fracasso, e apesar da enorme qualidade existente em outras seleções, não será descabido dizer que estes são os grandes favoritos à conquista da competição. Vamos ver do que são capazes.
Num passado recente tem andado algo adormecida, mas esta não é uma seleção que se possa ignorar quando se fala de candidatos. Todos os anos aparecem novos talentos alemães e as suas individualidades são de um nível muito elevado. Todos os seus jogadores atuam nos grandes clubes europeus e por isto esta é uma seleção que promete muito.
A história está toda lá. Já venceram quatro Campeonatos do Mundo (fora os quatro vice-campeonatos e os quatro terceiros lugares) e três Campeonatos da Europa, sendo a seleção europeia mais titulada em grandes competições. São eternos candidatos, e é mais uma grande equipa presente neste grupo da “morte”.
Joshua Kimmich – Não é fácil eleger uma estrela nesta seleção alemã. Muito à imagem da equipa, este é um plantel que vale essencialmente pelo seu coletivo e não pelos grandes nomes. Ou, de uma outra perspetiva, eles são tantos com tanta qualidade, que fica difícil eleger uma estrela. Ainda assim creio que Kimmich é neste momento o jogador mais regular da equipa de Joachim Low, não só por poder desempenhar várias funções como pela qualidade que mostra em todas elas. Está no auge da sua carreira e já mostrou que a sua capacidade física lhe permite ir a sítios onde poucos conseguem ir.
A REVELAÇÃO
Aos 18 anos, Jamal Musiala é o jogador mais jovem da história a ganhar duas Bundesligas. pic.twitter.com/Sk85tvupGV
Jamal Musiala – Depois de uma boa época no FC Bayern Munchen, o jovem de 18 anos tem agora a sua primeira oportunidade para se mostrar a nível de seleção. Já mostrou que tem muita qualidade e que é um dos mais promissores da sua geração e, por isso tem, tudo para aparecer a grande nível neste Campeonato da Europa. Apesar da tenra idade e da enorme qualidade do restante plantel, penso que poderá somar bastantes minutos e mostrar que é uma mais valia da Alemanha para a próxima década, podendo desempenhar a posição de médio mais ofensivo ou até de descair para uma das linhas.
O SELECIONADOR
Contagem decrescente para o Euro 2020 – faltam 17 dias: Joachim Low, que vai abandonar a seleção 🇩🇪 no final do torneio, é o treinador com + jogos em Campeonatos da Europa (e + vitórias: 11) pic.twitter.com/SdUimhTjlo
Joachim Low já afirmou que vai abandonar do comando técnico da seleção alemã. Assim sendo, esta é a sua última grande competição enquanto selecionador e por isso quererá sair pela porta grande. Já ganhou um Campeonato do Mundo, em 2014, e uma Taça das Confederações, em 2017, e falta por isso arrecadar o título de Campeão Europeu para a sua sala de troféus ficar completa.
À imagem das duas seleções anteriores, vencer a competição é sempre um cenário bem possível para esta seleção alemã. Para além da qualidade individual, têm elementos muito habituados a grandes jogos e por isso a pressão não será um problema. Esta experiência característica dos alemães, misturada com alguma irreverência que tem aparecido, pode ser um aspeto a favor que poucas seleções têm neste momento. Não são tão favoritos como outrora foram, mas nem por isso o título deixa de ser um objetivo bem vincado.
HUNGRIA
A SELEÇÃO
🇭🇺 Convocação da Hungria para a EURO com uma seleção sem muitos astros.
— Guia do Futebol (de 🏠) (@OGuiadoFutebol) May 26, 2021
Não é, como sabemos, uma das grandes seleções da Europa, mas nem por isso deixa de ter o seu valor. Casa de alguns bons jogadores da história do futebol, a Hungria chega a este Campeonato da Europa sem qualquer grande competição conquistada, mas com dois segundos lugares no Campeonato do Mundo, em 1938 e 1954 e um terceiro lugar no Europeu de 1964. Tem vindo, ao longo dos anos, a perder preponderância mas a verdade é que estão na fase final deste Campeonato da Europa e por isso também têm direito a sonhar.
A ESTRELA
🇭🇺 Hungria 🆚 Islândia 🇮🇸
Craque ele já era, mas agora foi elevado a herói nacional, com apenas 20 aninhos
Dominik Szoboszlai – O médio do RB Leipzig (ainda emprestado ao RB Salzburgo) é, sem grandes dúvidas, o melhor jogador desta seleção da Hungria. Está, neste momento, lesionado, mas está também nos 30 jogadores selecionados por Marco Rossi e por isso poderá mesmo vir a jogar este Campeonato da Europa.
Esteve presente em 22 jogos esta temporada e por isso tem tudo para dar continuidade à boa forma que tem mostrado nas últimas temporadas e que lhe valeu a recente mudança do RB Salzburgo para o seu parceiro alemão. É verdade que ao seu lado não tem jogadores de grande nível que o ajudem a evidenciar-se, mas nem por isso deixa de ser uma mais valia para esta seleção.
A REVELAÇÃO
The Turkish press are linking Attila Szalai to Atletico Madrid 👀 There will be many news regarding his future during the Euros 🇭🇺 pic.twitter.com/0LtUeBs58m
— Griezmann Chief 🇭🇺 (@griezmannility_) May 25, 2021
Attila Szalai – O defesa central que pertence aos quadros do Fenerbahçe SK disputou 41 partidas ao longo desta temporada pela sua equipa e tem-se mostrado a um bom nível, não só na Turquia como também no Chipre, ao serviço do Apollon Limassol FC (equipa à qual está emprestado). Tem apenas 23 anos e tem vindo a crescer no mundo do futebol europeu, tendo nesta competição mais uma oportunidade para se mostrar frente a grandes jogadores que certamente lhe colocarão grandes dificuldades.
O SELECIONADOR
Pelo incrível trabalho realizado neste ano (acesso na Nations League e classificação pra Euro), Marco Rossi está em 9° na lista da IFFHS de melhores técnicos de seleção do mundo! Com 44 pontos em jogos de 2020 e a Hungria no top 50 de seleções, o italiano vem fazendo história! pic.twitter.com/BIjksXoDWd
Marco Rossi não é um selecionador húngaro mas nem por isso deixa de ser, para a Federação do país, o homem certo para o lugar. Não tem grandes provada dadas enquanto treinador, mas a realidade é que conseguiu colocar a Hungria na fase final desta competição o que é um grande feito para uma seleção que não é, nem de perto, das mais fortes da Europa. Não tem pela frente uma missão nada fácil, e talvez este não seja o cenário mais agradável para provar alguma coisa. Ainda assim terá certamente algo para dar, e resta-nos esperar e ver o que faz com este plantel.
ATÉ ONDE PODEM CHEGAR?
A maior goleada da história da Copa do Mundo ocorreu na Copa da Espanha, em 1982. A seleção da Hungria venceu El Salvador por 10 a 1. pic.twitter.com/VC8nnss7gC
Chegar até aqui já pode ser considerado uma vitória. Tudo o que venha para além disto será excelente, mas as probabilidades de sucesso são muito reduzidas. Na verdade, só com um autêntico milagre seria possível à seleção húngara passar da fase de grupos tendo em contra as restantes seleções que tem pela frente. Calhou no grupo da morte, mas sabemos que o futebol é capaz de nos surpreender e é por isso que somos tão apaixonados. Vamos ver do que são capazes.