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A FIGURA:

Dimitri Payet – Foi o francês que mais remou contra a maré e acabou recompensado. Muito dinâmico no que diz respeito às trocas posicionais com os seus colegas, Payet mostrou sempre, contudo, a clarividência e objectividade que faltou a Pogba, Griezmann ou Matuidi. Quase todas as jogadas do ataque francês passaram pelos seus pés: aos 10’ assistiu Giroud, que cabeceou ao lado, aos 35’ quebrou a letargia da sua equipa descobrindo Griezmann, que não marcou por centímetros e, no início da segunda parte, foi o principal rosto do melhor período da França em todo o jogo, nuns cinco minutos electrizantes que culminaram com a sua assistência para o golo de Giroud. Com uma carreira construída a pulso, o médio de pés de veludo já seria a figura da partida inaugural deste Europeu se o jogo tivesse terminado 1-1; depois do golão que marcou aos 88’, num remate perfeito ao ângulo, essa escolha deixou sequer de oferecer discussão.
O FORA-DE-JOGO:

Antoine Griezmann – A França teve pouca largura e profundidade nos seus flancos, e Griezmann é um dos jogadores a quem mais se pode apontar o dedo – não esquecendo, claro, que as indicações são do treinador. É certo que, no Atlético de Madrid, o francês joga mais por dentro, mas o seu clube adopta uma atitude expectante e de contra-ataque que lhe permite explorar o espaço nas costas da defesa. Ao contrário, a França entra no jogo com o objectivo de se instalar no meio-campo adversário e ganharia, portanto, se colocasse Griezmann mais encostado a uma das linhas, onde terá mais espaço. Ainda assim, pese embora a sua exibição pálida, o francês esteve por duas vezes perto do golo – na primeira enviou ao poste num lance confuso e, na segunda, rematou poucos centímetros ao lado.
FRANÇA

Exibição q.b. dos bleus, que fizeram valer a sua clara superioridade individual para arrancarem a vitória a dois minutos do fim. Surpreendida por uma Roménia muito combativa, a França apenas conseguiu ser claramente dominadora nos primeiros dez minutos do segundo tempo, período em que chegou ao 1-0. O golo, aliás, é irregular, uma vez que Tatarusanu ia ganhar a bola e Giroud o impediu com o braço (e assim se altera a realidade de mais um jogo – video-árbitro, precisa-se). De resto, as poucas oportunidades de golo francesas surgiram dos pés (e do cérebro) de Dimitri Payet, que liderou a equipa e deu continuidade à grande temporada que realizou ao serviço do West Ham. O seu golo foi o primeiro grande momento do Europeu.
O sector defensivo da equipa de Didier Deschamps foi pouco posto à prova, uma vez que Rami e Koscielny chegaram e sobraram para o único avançado romeno. Ainda assim, na segunda parte Evra deixou-se antecipar por Nicolae Stanciu e cometeu o penálti que deu o 1-1. Beneficiando de um muito voluntarioso Kanté à frente dos centrais, os gauleses mostraram algum dinamismo no meio campo, com Matuidi, Pogba e Payet a alternarem constantemente de posições, criando um “carrossel” que fez lembrar uma equipa de futsal. Contudo, Payet e Griezmann jogaram demasiado por dentro, o que fez com que a equipa tenha tido pouca largura e profundidade (e nunca será Pogba a dá-las). A Roménia agradeceu este estilo de jogo demasiado “afunilado”, encarregando Pintili e Hoban, os dois pivots defensivos, de tirar espaço ao meio-campo dos da casa.
No ataque, com a tal pouca incursão pelos corredores laterais, Griezmann foi bem anulado, sendo substituído sem surpresa. Giroud também andou algo perdido e falhou um golo relativamente fácil logo ao início, mas redimiu-se abrindo o marcador. Já Coman conferiu, durante o período em que esteve em campo, alguma profundidade e imprevisibilidade a um flanco direito pouco explorado. E, apesar de ainda nem ter completado 20 anos, deu mostras de inteligência na gestão da posse de bola após o 2-1.
A França joga em casa, ficou colocada no grupo teoricamente mais fácil e tem tudo para passar. No entanto, terá de colocar maior intensidade, profundidade e largura no seu jogo para levar de vencida adversários mais fortes. Fica também a ideia de que, contra equipas mais fechadas como foi o caso da Roménia, os gauleses podem prescindir de um dos médios. Pela amostra de hoje, será de Matuidi que Deschamps poderá abdicar mais facilmente.
Notas dos Jogadores:
Hugo Lloris – 6
Bakary Sagna – 5
Adil Rami – 6
Laurent Koscielny – 6
Patrice Evra – 4
N’Golo Kanté – 7
Blaise Matuidi – 5
Paul Pogba – 6
Dimitri Payet – 8
Antoine Griezmann – 4
Olivier Giroud – 6
Suplentes:
Kingsley Coman – 5
Anthony Martial – –
Moussa Sissoko – –
ROMÉNIA

Uma equipa sem grandes valores individuais que não encontre outros caminhos está condenada ao fracasso. Consciente disso mesmo, o seleccionador Anghel Iordanescu montou um conjunto muitíssimo aguerrido, que compensa com disponibilidade física e mental aquilo que lhe falta em qualidade técnica. Ainda assim, a Roménia está longe de ser uma equipa frágil. Muito organizados e serenos, os tricolorii souberam contrariar o poderio francês mas não se remeteram apenas à defesa, nunca abdicando de jogar no campo todo. Resultado: a equipa não foi “sufocada” por um adversário superior, criou algumas ocasiões de golo, conseguiu chegar ao empate depois de a França ter marcado e esteve a pouco mais de dois minutos de arrancar um ponto – algo que nem seria injusto.
Com o hábil Chiriches a comandar a defesa (primeira parte de excelente nível), Grigore, o outro central, começou um pouco mais intranquilo mas depressa se recompôs. Nas laterais, Rat e o ex-portista Sapunaru privilegiaram sempre a segurança defensiva, não tendo contudo deixado de apoiar o ataque. O meio-campo romeno foi, no entanto, a chave para a boa exibição da equipa de leste. Pintili e Hoban, dois pivots com pouquíssima propensão ofensiva mas muito competentes a destruir, estiveram à altura do temível meio-campo gaulês. Nem a defesa nem o sector intermediário romenos se deixaram suplantar pelo dinamismo posicional dos da casa, que poderia ter baralhado as marcações.
Já o ataque foi o sector menos brilhante – o que não é de estranhar, visto que é mais fácil defender do que criar jogo. Além disso, do outro lado estava um excelente adversário com quem, é bom recordar, Portugal perdeu por duas vezes no último ano e meio (2-1 fora e 0-1 em casa). Com Adrian Popa e Bogdan Stancu a tentarem, sem grande êxito, fazer transições rápidas que expusessem a França, o ponta-de-lança Andone foi praticamente “engolido” pelos centrais. Nicolae Stanciu, jovem craque do Steaua, jogou como médio ofensivo, teve pouca bola mas mostrou alguma qualidade e conseguiu cavar um penálti.
Apetece perguntar: e se Stancu tivesse feito golo logo aos 5’, na ocasião mais flagrante da Roménia em toda a partida? Ninguém poderá dizê-lo mas, face à boa organização defensiva da equipa do leste europeu ao longo de toda a partida, adivinhar-se-iam ainda maiores dificuldades para a França. A Roménia vendeu cara a derrota – o empate, como já se disse, não seria injusto – e deixou, neste primeiro jogo, uma imagem claramente positiva. Porém, defrontados os favoritos, agora começa outro torneio. Conseguirá a equipa de Iordanescu levar de vencida a Suíça e a Albânia, tendo para isso de adoptar uma atitude mais dominadora? É bem possível, porque uma equipa que estende o seu jogo para o meio-campo de França pode superiorizar-se selecções menos temíveis. Mas cada jogo é um jogo, e é nesse carácter imprevisível que está, em larga medida, a beleza do futebol.
Notas dos Jogadores:
Ciprian Tatarusanu – 5
Cristian Sapunaru – 6
Vlad Chiriches – 7
Dragos Grigore – 6
Razvan Rat – 6
Mihai Pintilii – 7
Ovidiu Hoban – 6
Nicolae Stanciu – 6
Adrian Popa – 5
Bogdan Stancu – 5
Florin Andone – 4
Suplentes:
Denis Alibec – 5
Alexandru Chipciu – –
Gabriel Torje – –
Foto de Capa: UEFA












