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O Euro’2016 já mexe!

Tiago Figueira · 3 min

O Euro’2016 já mexe!

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Só agora demos as boas vindas a 2016, e o Europeu só se joga em França lá para o verão. Mesmo havendo muito a desenrolar ao nível de clubes, escolhi abordar este tema devido ao mediatismo que começa a caraterizar esta edição, mesmo antes de a bola começar a rolar.

Os pontos de debate são das mais diversificadas índoles; desde terrorismo, seleções em estreia, regressos após longínquo afastamento, candidatos e outsiders à conquista do torneio. Pois se os acontecimentos em Paris podem levar ao afastamento do público, ou pelo menos criar um clima de receio em torno da competição, é no jogo jogado que se encontra o busílis deste artigo.

44 anos após a última participação, a Hungria regressa a um Europeu. Na baliza estará o badalado guardião das calças de fato de treino, que, aos 40 anos, vai estrear-se numa grande competição. Se a intermitente carreira de Gábor Király receberá esta benesse, houve outros que pagaram a fatura de nascerem num país com pouca expressão futebolística, tendo de lidar com o infortúnio de nunca disputarem um Europeu ou um Mundial (ex.: os lendários Ryan Giggs e George Best).

Contudo, a constante mutação deste desporto é comprovada com os apuramentos galeses e norte irlandeses. Gareth Bale, Ramsey e Joe Allen beneficiarão da oportunidade que não tivera o adjunto de Van Gaal. Já o malogrado Best, que tivera no United o apogeu da sua carreira, terá os seus compatriotas Roy Carrol e Jonny Evans, que, a título de curiosidade, são jogadores que também defenderam as cores dos Red Devils (longe do sucesso de Best), como as figuras de proa da sua Irlanda do Norte. Sigurdsson, Eidur Gudjohnsen e Skrtel têm em comum com os jogadores acima mencionados o destaque alcançado em terras de sua Majestade. Os primeiros irão defender as cores da Islândia na sua esteia. Skrtel e o médio ofensivo do Nápoles, Hamsik, são as figuras mais cintilantes do conjunto eslovaco, que completa o naipe das seleções estreantes num Europeu.

O Euro'2016 promete! Fonte: UEFA
O Euro’2016 promete!
Fonte: UEFA

Os candidatos crónicos à conquista estarão todos presentes, desde a anfitriã França, à campeã do mundo Alemanha ou à renovada Espanha de Del Bosque. A única exceção é mesmo a «Laranja Mecânica». Inglaterra e Itália certamente também terão a sua posição nestas contas.  Mesmo com este quadro, Fernando Santos não se fez rogado e assumiu Portugal como um dos candidatos à vitória final.

Portugal até poderia nem ser um outsider à conquista do torneio. Teria, apenas, de recorrer, também no futebol, a um resgate externo. Ao invés de termos de jogar sem avançado, e de no banco termos, normalmente, apenas um jogador (este que padece do mesmo estatuto no Swansea padece do mesmo estatuto, intercalando o banco com a bancada), seria tão mais simples se houvesse um género de «Troika» do futebol.

Qualquer excedentário dos grandes candidatos seria de extrema utilidade, tais como: os franceses Benzema, Griezmann, Giroud, Martial, Lacazette, Nabil Fekir, Remy, Gignac, Gomis, Kévin Gameiro; os alemães Muller, Gómez, Kruse, Volland, Podolsky; os espanhóis Diego Costa, Morata, Paco Alcácer, Fernando Torres, Rodrigo, Negredo; Llorente; os ingleses Rooney, Harry Kane, Welbeck, Sturridge, Vardy, Berahino; e os italianos Balotelli, Éder Matins, Zaza, Immobile, Pellé, Destro. Mesmo que uma grande parte destes fique a ver o Euro pela televisão, talvez não fosse boa ideia pedir emprestado a um rival.

Vicente Del Bosque, numa entrevista concedida ao diário argentino “OLÉ”, referiu que um dos principais problemas da seleção alviceleste residia no número avulto de avançados. (Obrigado pela dica, Vicente, de facto Aguero, Tévez, Higuain, Dybala, Lavezzi, Icardi, Palacio, Vietto, Guido Carrillo, qualquer um deles daria muito jeito, sim!)

Fonte: UEFA
Éder é um dos poucos pontas-de-lança de Portugal
Fonte: UEFA

Esta apatia das quinas com o homem-golo transporta-nos, na melhor das hipóteses, para um estatuto de outsider com legítimas aspirações, talvez equiparados aos conjuntos da Bélgica ou da Croácia. Se nos “Diabos Vermelhos” nomes como Courtois, Alderweireld, Kompany, Vertonghen, Nainggolan, Fellaini, Witsel, De Bruyne, Januzaj, Eden Hazard, Bakkali, Chadli já têm estatuto de alta qualidade, adicionando os finalizadores Lukaku, Benteke, Origi, Batshuayi ou Depoitre terão por certo os belgas capacidade para elevar o nível demonstrado no Brasil.

Mesmo Niko Kovac, não contando com nomes como Suker ou Boban, possui elementos com algum estatuto. Subasic, Srna, Lovren, Corluka, Badelj, Brozovic, Pasalic, Kovacic, Rakitc, Halilovic, Modric,Perisic são jogadores de grande qualidade, e com o selo de golo de Mandzukic, Kalinic, Olic, Pjaca e Kramaric, os croatas parecem ter mais do que argumentos para se intrometerem na luta pela vitória.

Foto de Capa: UEFA

Tiago Figueira

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