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A FIGURA

Pepe (Portugal) – As alas e o meio-campo iam metendo água, mas Pepe, qual bombeiro, evitou qualquer tipo de inundação, ora dobrando os laterais, ora arriscando um corte mais longe da área para compensar o (frequente) desposicionamento (Renato brilhou com bola, mas, sem ela… Ai, ai) do meio-campo nacional, com uma entrega extraordinária, compensando a permissividade e a passividade nacionais.
A acção do central do Real Madrid não se ficou por aqui. À entrada para os dez minutos finais, perante o conformismo da Polónia, enervou-se, cortou em antecipação uma saída de bola do meio-campo polaco, irrompeu em direcção à baliza adversária e, ao tentar assistir Cristiano Ronaldo, quase forçava o autogolo a Jedrzrejczyk.
Não marcou, não assistiu, mas, sem o seu contributo, muito provavelmente Portugal estaria eliminado aos 90 minutos.
O FORA DE JOGO

Cédric (Portugal) – Melhor ofensiva do que defensivamente, como não é costume nele.
Ficou muito mal na fotografia no golo da Polónia, atacando a bola com um delay enorme, permitindo a Grosicki explorar o flanco e servir Lewandowski. Foi um golo que até deu mais cor à vitória, que prolongou o sofrimento português, mas que poderia ter saído caríssimo.
No resto do encontro, foi algo passivo e perdeu quase todos os duelos com Grosicki, fosse por estar mal posicionado ou por mérito do polaco.
POLÓNIA

Jogo diferente, a mesma estratégia. Adam Nawalka pôs as fichas nos mesmos 11 jogadores do encontro com a Suíça. Não teve o mesmo resultado.
A Polónia entrou à espreita do erro, matreira, espreitando um qualquer lance em que pudesse injectar uma porção dos quilos de veneno que emanam da rapidez das suas alas e do eixo do seu ataque.
Não teve de esperar muito por essa oportunidade. Numa bola dividida, Grosicki antecipou-se a Cédric, deixou o lateral direito português por terra, foi à linha, procurou o coração da área e lá estava Lewandowski a inaugurar o marcador, aos dois minutos, naquele que foi o segundo golo mais rápido de sempre em campeonatos da Europa.
A estratégia manteve-se e a Polónia continuou a jogar em contenção, mas sem deixar de explorar as alas nem de usar a agressividade (com o consentimento de alguma permissividade nacional) para obter os seus intentos. Foi assim que Lewandowski voltou a assustar, depois de se antecipar a Pepe, e foi assim que Grosicki, em combinação com Milik, provocou calafrios entre os adeptos portugueses.
Estavam declaradas as intenções da Polónia, e nem com o golo sofrido alterou a sua postura, mantendo-se glaciar no posicionamento ao mesmo tempo que ia espreitando a permeabilidade das laterais defensivas lusas. Grosicki foi quem mais perigo criou, dando água pela barba a Cédric, com o lance de maior perigo a surgir na sequência de um cruzamento seu, ao qual Milik respondeu de cabeça, obrigando a defesa apertada de Patrício.
Mas Grosicki não durou o jogo todo, e a equipa perdeu um pouco da sua matreirice à medida que o seu homem mais “venenoso” ia quebrando fisicamente… Até sair para dar lugar a Kaputska.
A Polónia, a partir daqui, conformou-se com o empate, com um destino que já lhe tinha sido favorável antes e onde se julgava especialista… Mas não foi.
Classificação dos jogadores:
Fabianski – 6
Piszczek – 6
Glik – 6
Pazdan – 6
Jedrzejczyk – 4
Blaszczykowski – 6
Krychowiak – 6
Maczynski – 5
Grosicki – 7
Milik – 7
Lewandowski – 7
Jodlowiec – 4
Kapustka – 5
PORTUGAL

Fernando Santos não alterou a estrutura, mas mudou os nomes do jogo com a Croácia. Entraram Eliseu e Renato Sanches para os lugares dos condicionados Raphael Guerreiro e André Gomes. Houve desconfiança… Mas agora já não se falará nisso. Não é que Eliseu e Renato Sanches tenham sido irrepreensíveis, mas foram quase duas horas e meia de emoção, que apagam tudo o que de mau possa ter sido feito. Afinal, tudo está bem quando acaba bem.
Agora, poucos dos que contestaram lembraram-se da permeabilidade das alas da selecção nacional, não só de Cédric, responsável maior pelo demérito português no golo polaco, mas também de Eliseu, que viu Blaszczykowski e Piszczek entrarem em combinação pela sua área de jurisidção a bel-prazer.
Ao festejar, poucos dos que contestaram se recordarão da passividade do meio-campo português, porque Renato Sanches fez o favor de desferir um míssil para a baliza de Fabianski, depois de combinar com Nani e levar o jogo para penalties, e porque William, com bola, esteve extraordinário, a lançar o ataque.
Poucos dos que contestaram se lembrarão, agora, daquela bola servida de bandeja por João Moutinho e desperdiçada por Cristiano Ronaldo.
Neste momento, só há cabeça para Lyon, para o tiro do Renato, para a estirada do Patrício e para o golo do Quaresma.
Neste momento, o sangue de todos os adeptos fervilha de patriotismo e exulta-se o nome da nação. Com orgulho. Portugal está nas meias-finais. Com sofrimento. Com uma exibição abaixo das expectativas, mas está feito. E foi um Patrício a vingar os Patrícios de 1984, eliminados pela França nas meias-finais do Europeu no mesmo palco onde se disputou este encontro.
A caça ao trauma abriu em Outubro, e um deles já está no “saco”.
Classificação dos jogadores:
Rui Patrício – 7
Cédric – 4
Pepe – 8
José Fonte – 7
Eliseu – 5
William Carvalho – 7
Adrien – 6
João Mário – 5
Renato Sanches – 7
Cristiano Ronaldo – 6
Nani – 6
João Moutinho – 5
Ricardo Quaresma – 6
Danilo – 5
Foto de Capa: UEFA
Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho













