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Revista do Euro’2016: Alemanha

Fernando Gamito · 5 min

Revista do Euro’2016: Alemanha
Alemanha apurou-se para as Confederações depois de vencer o Mundial do Brasil Fonte: FIFA

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Cabeçalho Futebol Internacional

A seleção da Alemanha parte para o Europeu 2016 com o estatuto de principal favorita, adquirido principalmente pela conquista do Mundial 2014, disputado no Brasil. A “Mannschaft” está, assim, de regresso ao trono do futebol mundial e as esperanças dos cidadãos alemães para esta competição estão bem patentes.

A principal razão para tal situação passa pelo facto da maior parte do núcleo duro da seleção manter-se e continuar a exibir-se ao mais alto nível e rendimento. A par de alguma renovação nos últimos dois anos (Lahm abandonou após a conquista no Brasil, Weindenfeller, Mertesacker e Klose não fazem parte das escolhas; por seu turno, Jonas Hector, Sané, Can. Weigl, Kimmich, Rudiger, Leno e ter Stegen estão convocados), algo que todas as seleções têm que viver, jogadores fulcrais como Neuer, Hummels, Boateng, Kroos, Ozil, Muller, Schweinsteiger continuam a fazer desta Alemanha uma seleção a temer pela maioria dos seus adversários.

A Alemanha chega ao Europeu 2016 com o estatuto de campeã do mundo Fonte: Federação Alemã de Futebol
A Alemanha chega ao Europeu 2016 com o estatuto de campeã do mundo
Fonte: Federação Alemã de Futebol

A fase de qualificação não foi totalmente perfeita (uma derrota e um empate surpreendentes com a Irlanda, a par de um desaire face à Polónia), porém, ainda assim, a Alemanha cumpriu e segurou o primeiro lugar no seu grupo. Nos últimos jogos realizados, incluindo já os amigáveis de preparação para o Europeu, ainda não foi possível verificar esta seleção a praticar o seu melhor futebol, situação que deverá ser corrigida até ao início da competição, para a qual a Alemanha parte na pole-position para conseguir um posto na final de 10 de julho.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes: Manuel Neuer (Bayern de Munique), ter Stegen (Barcelona) e Bernd Leno (Bayer Leverkusen).

Defesas: Jêrome Boateng (Bayern de Munique), Benedikt Howedes (Schalke 04), Mats Hummels (Bayern de Munique), Antonio Rudiger (Roma), Jonas Hector (Colónia) e Shkodran Mustafi (Valência).

Médios: Julian Draxler (Wolfsburgo), Emre Can (Liverpool), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), Mario Gotze (Bayern de Munique), Julian Weigl (Borussia Dortmund), Sami Khedira (Juventus), Toni Kroos (Real Madrid), Mesut Ozil (Arsenal) e Bastian Schweinsteiger (Manchester United).

Avançados: Thomas Muller (Bayern de Munique), Lukas Podolski (Galatasaray), Mario Gómez (Besiktas), Leroy Sané (Schalke 04) e André Schurrle (Wolfsburgo).

Os “23“ e equipa técnica da Alemanha para a caminhada no Europeu Fonte: Federação Alemã de Futebol
Os “23“ e equipa técnica da Alemanha para a caminhada no Europeu
Fonte: Federação Alemã de Futebol

OTREINADOR

Joachim Low começou a sua aventura na seleção alemã como adjunto de Jurgen Klinsmann e chegou a treinador principal após o ano 2006. Com Low ao leme, vimos a seleção alemã voltar a praticar um futebol de encher as medidas aos adeptos do desporto-rei. Um futebol de qualidade, não só baseado na posse de bola, mas também no ataque massivo à baliza adversária, bem conhecido da “Mannschaft”. No entanto e apesar de chegar sempre longe nas competições, faltava a conquista de um troféu  para a crebilidade de Joachim Low face aos mais desconfiados alemães. Muito disso deveu-se à geração de ouro espanhola que foi protagonista em 2008, 2010 e 2012.

No entanto, o momento tão esperado aconteceu no Mundial 2014, no qual a Alemanha foi finalmente coroada pela evidente maior qualidade e eficácia dos seus jogadores e equipa ao longo da competição.

Joachim Low voltará a triunfar com a seleção alemã neste Europeu? Fonte: Federação Alemã de Futebol
Joachim Low voltará a triunfar com a seleção alemã neste Europeu?
Fonte: Federação Alemã de Futebol

Nos anos que tem passado ao serviço da seleção, Low costuma optar por um esquema tático baseado no 4x2x3x1, regularmente com um ponta de lança com fortes características físicas e com instinto goleador, o proclamado “panzer” alemão. Mas, como o futebol tem vindo em anos recentes, neste Europeu podemos ver a seleção alemão mudar o seu paradigma futebolístico e Joachim Low optar por um avançado “móvel” na frente de ataque, como Thomas Muller ou Mario Gotze, ainda que Mario Gómez esteja convocado e que a escolha do técnico possa passar por utilizar o ponta de lança do Besiktas.

A FIGURA

Numa seleção com a capacidade da Alemanha, certamente que existe mais do que uma figura ou “estrela” em específico, mas a destacar um jogador individualmente o primeiro nome a surgir é prontamente o de Thomas Muller. O atacante do Bayern de Munique tem vindo a ser, desde que surgiu no panorama futebolístico de topo, peça fulcral no esquema tático de Joachim Low, seja a atuar pela direita, no apoio ao ponta de lança, ou até mesmo como a unidade mais avançada em campo da equipa.

A sua versatilidade faz de Muller um jogador imprescindível, mas não é somente esta característica que o evidencia. O atacante de 26 anos tem pé quente, não só ao serviço do Bayern de Munique, como também da “mannschaft” (soma 31 golos pela seleção) e tem sido também um desbloqueador no que diz respeito a abrir o marcador e até mesmo marcar o golo decisivo em triunfos alemães.

A isto, alia ainda uma entrega total ao jogo dentro das quatro linhas, que o distingue entre os demais protagonistas do desporto-rei. Com Muller em campo é sempre certo que irá haver atitude, garra e a mentalidade de nunca dar um lance ou uma partida por perdida. O jogador em maior destaque da campeã do mundo em título, Thomas Muller, será um fator determinante na caminhada alemão para mais uma vez voltar a erguer o troféu numa grande competição.

O JOGADOR A SEGUIR

Hector não tem notoriedade como Kroos ou Muller, mas pode vir a ser fundamental para o sucesso da “Mannschaft” Fonte: Federação Alemã de Futebol
Hector não tem notoriedade como Kroos ou Muller, mas pode vir a ser fundamental para o sucesso da “Mannschaft”
Fonte: Federação Alemã de Futebol

Numa seleção de figuras com currículo bem vincado no futebol europeu, Jonas Hector distingue-se pelo papel de destaque que tem efetuado na caminhada da Alemanha até ao Europeu 2016. O lateral esquerdo do Colónia tem vindo a assumir a titularidade no lado esquerdo da defesa da “mannschaft” e tem correspondido sempre da melhor forma quando chamado à ação.

Numa seleção que tinha vindo, até então, a ter que adaptar defesas-centro às laterais, como aconteceu no Mundial 2014, a título de exemplo,  Hector surge assim para trazer novas características ao estilo do jogo da seleção alemã, que faz agora uso do corredor esquerdo para imprimir uma maior dinâmica e velocidade na manobra ofensiva. Além de oferecer uma grande consistência defensiva, Jonas Hector é também eficaz no que diz respeito ao processo ofensivo.

ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO

A conquista da última grande competição de seleções, o Mundial 2014, faz a Alemanha partir para esta fase final do Europeu 2016 como a principal favorita a vencer esta competição. Além de praticar um futebol de qualidade inegável, baseado numa posse de bola com características para o pendor ofensivo, a equipa parte com esperança elevada para França. A seleção alemã não se faz apenas de nomes como Muller, Ozil, Kroos, Hummels, Neuer, entre outros, pois é, acima de tudo, uma equipa coesa, na qual todos os jogadores remam para o mesmo sítio, que neste caso é a final de 10 de julho.

Na fase de grupos, a Alemanha irá encontrar Polónia, Irlanda do Norte e Ucrânia, o que faz do conjunto de Joachim Low o favorito a vencer o seu grupo. Se tal acontecer, depois inicia a fase a eliminar, na qual a verdadeira capacidade desta seleção voltar a triunfar novamente numa grande competição será posta à prova. A meta alemã deverá passar por chegar, no mínimo, à final, situação bem compreensível, devido à qualidade da equipa e às aspirações que a vitória no último Mundial trouxeram até à “mannschaft”, ainda que seleções como França, Espanha, Inglaterra ou Itália tenham, certamente, uma palavra a dizer.

Uma teoria bem comum no futebol mundial de hoje em dia afirma que “o futebol são 11 contra 11 e no fim… ganha a Alemanha”. Em 2014 foi isso que se verificou no Brasil. Será que este ano, em França, a teoria volta a estar correta?

Foto de capa: FIFA

Fernando Gamito

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