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Este ano promete ser muito diferente. A um conjunto de jogadores talentosos e experientes, a selecção austríaca soma a força colectiva demonstrada na fase de qualificação aos seus argumentos . Ao todo, fizeram 28 pontos em 30 possíveis. Empataram com a Suécia no jogo inaugural (1-1) e o que se seguiu foi uma série surpreendente de nove vitórias consecutivas. Os cinco golos sofridos em dez jogos demonstram a solidez defensiva de uma equipa que assenta o seu jogo num 4-2-3-1 muito dinâmico e bem oleado. Portugal que se cuide!
OS CONVOCADOS
Guarda-redes: Robert Almer (Austria Wien/AUT), Heinz Lindner (Eintracht Frankfurt/ALE) e Ramazan Özcan (FC Ingolstadt/ALE).
Defesas: Aleksandar Dragovic (Dynamo Kiev/UCR), Christian Fuchs (Leicester City/ING), Gyorgy Garics (SV Darmstadt), Martin Hinteregger (Borussia Moenchengladbach/ALE), Florian Klein (VfB Stuttgart/ALE), Sebastian Prödl (Watford/ING), Markus Suttner (FC Ingolstadt) e Kevin Wimmer (Tottenham/ING).
Médios: David Alaba (FC Bayern München/ALE), Marko Arnautovic (Stoke City/ING), Julian Baumgartlinger (Mainz), Martin Harnik (Estugarda/ALE), Stefan Ilsanker (RB Leipzig), Jakob Jantscher (Lucerna/ITA), Zlatko Junuzovic (Werder Bremen/ALE), Marcel Sabitzer (Leipzig) e Alessandro Schöpf (Schalke 04/ALE).
Avançados: Lukas Hinterseer (FC Ingolstadt), Rubin Okotie (TSV 1860 München/ALE) e Marc Janko (FC Basel).
O TREINADOR

Fonte: Steindy
Como jogador, o suíço Marcel Koller dedicou toda a sua carreira ao Grasshoppers, de longe o clube mais titulado do seu país – entre 1978 e 1997 jogou 428 jogos, marcou 59 golos e conquistou 7 campeonatos pelo clube de Zurique. Ao seu currículo juntou ainda 56 internacionalizações pela Suíça, ao longo mais de década e meia, e uma participação no Euro 1996. Há precisamente vinte anos.
Assim que terminou o seu percurso dentro dos relvados começou o seu caminho fora deles. Orientou o FC Wil no segundo escalão da Suíça em 1997/98 e seguiu para o FC St. Gallen na época seguinte. Em 2000 conseguiu a proeza de se sagrar campeão nacional num clube que já não celebrava o título desde 1904 e que nunca mais voltou a ficar em primeiro. Foi só em 2002/03 que se sentou na sua “cadeira de sonho”, a de treinador do Grasshoppers. E um ano bastou para que voltasse a sentir o sabor das vitórias: foi com ele que o seu clube de sempre foi campeão pela última vez. Saiu sem glória no início do ano seguinte, depois de falhar o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Deixou o seu país-natal para rumar ao 1 FC Köln em 2003/04, numa experiência mal sucedida de apenas sete meses. Apanhou a formação da Renânia do Norte numa situação complicada e não foi capaz de evitar a depromoção. No ano seguinte, o percurso inverso: pegou no VfL Bochum na Bundesliga 2 e devolveu-o à Bundesliga. Saiu cinco anos depois e o clube voltou a cair na segunda divisão, não tendo regressado desde então aos principais palcos da Alemanha.
Depois disso, uma pausa. Até aceitar o convite da ÖFB para liderar a selecção austríaca em 2011. Falhou o apuramento para o Mundial 2014, ganhando apenas metade dos jogos da fase de qualificação, mas continuou a merecer a confiança da Federação. Uma aposta ganha, ao que tudo indica. Hoje, a Áustria está no 10.º lugar do ranking da FIFA, à frente de países como França, Itália ou Inglaterra, e tem legítimas aspirações a fazer uma “gracinha” no Euro 2016.
A FIGURA

Fonte: Ailura
O porta-estandarte desta selecção austríaca é, sem sombra de dúvidas, David Alaba. Pese embora a inegável qualidade de muitos dos seus companheiros, é o único dos convocados de quem se pode dizer que é dos melhores futebolistas do mundo.
Nascido em Viena, criado no Austria Wien e resgatado pelo Bayern de Munique em 2008, David Alaba rapidamente ganhou o seu espaço num dos mais prestigiados clubes da Europa. Iniciou o seu percurso na selecção principal com apenas 17 anos – o mais novo de sempre a estrear-se com a camisola da Áustria, claro! -, quando ainda actuava na formação secundária dos bávaros e actuou pela primeira vez na equipa principal do Bayern também com 17 anos – o mais novo de sempre a estrear-se com a camisola do Bayern, claro! Sim, aos 17 anos Alaba já era internacional AA pelo seu país e já jogava na Liga dos Campeões ao serviço de um colosso europeu.
Depois de uma época de empréstimo ao TSG 1899 Hoffenheim, em 2010/11, regressou ao plantel do Bayern para se fixar de pedra e cal. Hoje, aos 23 anos, tem 46 internacionalizações e 11 golos marcados pela Áustria e já leva 218 jogos e 20 golos marcados pelo Bayern de Munique. Colossal!
Fortíssimo em todos os capítulos do jogo – técnico, táctico, físico e emocional -, é de uma inteligência e de uma polivalência absolutamente incomuns. Notabilizou-se como lateral-esquerdo ao serviço do seu clube, mas também jogou várias vezes como extremo. Guardiola fez dele central em inúmeras partidas na última temporada e utilizou-o várias vezes na zona nevrálgica do terreno: o meio-campo. E é precisamente a pele de médio centro que Alaba deverá vestir neste Euro 2016. É essa a posição que Marcel Koller lhe confia para liderar os sonhos de toda a nação austríaca.
O JOGADOR A SEGUIR

Fonte: Tobias Klenze
Se a Áustria quer chegar longe neste Euro 2016 vai ter de manter a competência defensiva patenteada ao longo da fase de qualificação. Sofrer poucos golos será, numa prova tão curta, essencial. Para isso, vai precisar da contribuição do grande esteio da sua defesa – Aleksandar Dragović. Fortíssimo fisicamente, o central do FC Dynamo Kyiv é muito difícil de ultrapassar no um para um e tem muita qualidade a sair a jogar. Formado no FC Austria Wien, encantou no FC Basel e em 2013 transferiu-se para a Ucrânia. Está muito longe de ser um desconhecido, mas tem grandes possibilidades de se tornar uma das semi-surpresas desta competição. Fez dupla com Sebastian Prödl (Watford) ao longo de toda a qualificação, mas os últimos amigáveis deixam antever que será com Martin Hinteregger (Borussia M’gladbach) que deverá jogar no eixo defensivo da Áustria.
Obviamente, outro dos grandes destaques da Áustria é o irreverente Marko Arnautović, do Stoke City. Com 1,92m de altura, extraordinária qualidade técnica e uma personalidade exuberante, tem ares de Ibrahimovic. É o principal desequilibrador da equipa e a Áustria precisa dele em grande forma para fazer golos.
Por fim, destaque para Zlatko Junuzović, médio criativo do Werder Bremen – o homem responsável pela ligação do meio-campo com ataque. Rápido a decidir e a executar, o jogador nascido na Bósnia-Herzegovina chega a este Europeu em grande forma. A prova disso é que foi o segundo jogador com mais assistências na última Bundesliga, apenas atrás de Henrikh Mkhitaryan, do Borussia de Dortmund.
ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO
Depois daquilo que a Áustria mostrou na qualificação, é seguro dizer que tem todas as condições para ultrapassar a fase de grupos. É a segunda seleção mais cotada do grupo F, logo a seguir a Portugal, e tem, por conseguinte, a obrigação de ficar no segundo lugar do grupo. Apesar de tudo, a possibilidade de chegar aos oitavos-de-final ficando em terceiro lugar confere a esta selecção alguma margem de erro e aumenta as suas hipóteses de chegar aos tão ambicionados oitavos-de-final. A partir daí, é acreditar na competência e na sorte. Sem elas não será possível atingir algo mais.
Os dois amigáveis disputados antes do Euro 2016 podem levantar algumas dúvidas quanto ao momento de forma da equipa – a vitória tangencial sobre Malta (2-1) e o desaire contra a Holanda (0-2) são resultados aparentemente pouco animadores -, mas estou convencido de que chegarão bastante fortes ao momento decisivo. Afinal, a Áustria já não perde um jogo oficial desde Outubro de 2013, há quase três anos (derrota na Suécia por 2-1)!
O primeiro jogo será fundamental para medir o pulso a esta selecção austríaca. Não só porque o primeiro jogo é sempre importante per se, mas pelo simbolismo e pela carga história que os confrontos com a rival Hungria acarretam. Estes dois países, que já foram um só, já não se defrontam desde 2006 (na altura, a Hungria venceu por 2-1), mas este é o duelo com mais jogos na história do futebol europeu de selecções (no futebol mundial, só dois países se encontraram mais vezes: Argentina e Uruguai). Assim, uma vitória para qualquer dos lados trará uma dose extra de moral para o que vier a seguir.
Foto de capa: Steindy












