Revista do Euro’2016: Islândia

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A selecção de futebol da Islândia representa, fielmente, o seu pequeno país, distante e misterioso, embora, lenta e inevitavelmente, desejoso de se mostrar ao mundo – e à sua beleza rara e esmagadora. A estreia da Islândia numa grande competição não surge por acaso; os islandeses, embora suis generis (nem sempre se encontra um povo que acredite, genuinamente, em elfos e noutros seres das montanhas), têm espírito nórdico, naquilo que é uma herança de eficiência resultante da sua ligação cultural e histórica à Noruega e Dinamarca. O aumento do investimento na actividade desportiva, com ênfase na melhoria de infra-estruturas e num paciente projecto de formação, iniciou-se há aproximadamente 20 anos e, actualmente, colhem-se os frutos dessa aposta.

Há quatro anos, a selecção da Islândia ocupava a (modesta) 131.ª posição no ranking FIFA; desde então, os islandeses galgaram patamares chegando, inclusivamente, a figurar no top-30 (28.º lugar, em 2015) – neste momento é 35.ª classificada. Para essa marca, muito contribuiu a prestação nas fases de apuramento para o Mundial’ 2014 e Euro’ 2016. No primeiro caso, a Islândia ficou às portas da fase final, caindo somente no play-off, frente à Croácia. Desta vez, os islandeses – ou Vikings, como também são conhecidos – confirmaram a evolução na modalidade, graças a uma performance notável que, entre resultados históricos, incluiu um triunfo na visita à Holanda (1-0, golo de Sigurdssson, em Setembro de 2015).

Esta geração colocou no mapa do futebol europeu um país com cerca de 300 mil habitantes  Fonte: UEFA
Esta geração colocou no mapa do futebol europeu um país com cerca de 300 mil habitantes
Fonte: UEFA

Os méritos da Islândia assentam, sobretudo, na experiência do seu treinador – o veterano sueco Lars Lagerback (67 anos) – e dos seus jogadores (a média de idades do “onze” habitual é superior aos 30 anos e Gudjohnsen, com 37, é o jogador de campo mais velho da competição). Uma equipa que mistura a veterania do sector mais recuado, com a juventude madura nas zonas mais adiantadas. De realçar, o facto de todos os jogadores actuarem fora do campeonato local – conhecido mundialmente, e quase em exclusivo, pelas divertidas comemorações dos golos do Stjarnan – numa prova de evolução do jogador profissional islandês, figura que, até há bem pouco tempo, de tão rara, merecia uma estátua frente ao estádio do maior clube do país: o KR Reykjavík.

Fazendo jus à “escola” sueca, a Islândia privilegia a consistência defensiva e o futebol directo, com rápidas transacções em contra-ataque, normalmente, conduzidos pela “estrela” Sigurdsson. A capacidade física dos seus jogadores é a principal “arma” a ter em conta – com destaque para o ponta-de-lança Sigthórsson, que dá sempre muito trabalho aos “centrais” contrários –, aproveitada, sobretudo, em lances de bola parada: cantos, livres e lançamentos laterais (o médio Gunnarsson é, a exemplo de Maxi Pereira, especialista em colocar longo na área, com as mãos) são potencialmente perigosos para qualquer adversário.

A estreia da Islândia na fase final do Euro’ 2016 é frente a Portugal, em Saint-Étienne, a 14 de Junho.

João Amaral Santos
João Amaral Santoshttp://www.bolanarede.pt
O João já nasceu apaixonado por desporto. Depois, veio a escrita – onde encontra o seu lugar feliz. Embora apaixonado por futebol, a natureza tosca dos seus pés cedo o convenceu a jogar ao teclado. Ex-jogador de andebol, é jornalista desde 2002 (de jornal e rádio) e adora (tentar) contar uma boa história envolvendo os verdadeiros protagonistas. Adora viajar, literatura e cinema. E anseia pelo regresso da Académica à 1.ª divisão..                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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