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5 jogadores acima dos 30 anos que podem brilhar no Mundial 2022

Diogo Ribeiro · 7 min

Lionel Messi Mundial 2022 Grupo C
Foto: Seleção argentina

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A idade é um posto, velhos são os trapos e estão aí para as curvas, tal e qual o Vinho do Porto. Estes jogadores já ultrapassaram a marca dos 30 anos e podem mesmo estar a caminho do último Mundial jogado na carreira. Ainda assim, não será a idade que os travará de brilhar dentro de campo e, com os holofotes apontados, podem protagonizar uma competição de sonho.

Alguns ainda a jogar ao mais alto nível, outros já longe dos grandes palcos, mas todos com um peso superlativo na seleção que representam, hoje apresentamos cinco nomes que, com mais de 30 anos, têm tudo para ser destaques no Campeonato do Mundo de 2022.

5. Guillermo Ochoa

Mal os passos do Mundial a chegar se começam a ouvir, começam a surgir por todo o lado compilações das melhores defesas de Ochoa nos últimos Mundiais.

O guarda-redes do América tem 37 anos e continua a ser preponderante na seleção. Apesar da concorrência de Rodolfo Cota e de Alfredo Talavera, tudo aponta para que o veterano guardião seja o guarda-redes titular dos Aztecas. Especialmente numa competição como o Mundial.

Passou ao lado de uma grande carreira de clubes. Não obstante ter representado emblemas como o Málaga ou o Standard de Liège, nunca deu o salto que muitos esperavam. Também nunca precisou desse salto para ser um dos mais icónicos guardiões da última década. O seu maior palco, onde quatro anos após quatro anos foi protagonista, foi sempre o Mundial.

Na competição com maior significado no mundo do futebol, Ochoa arranjou sempre espaço para ser destaque. Os dois últimos mundiais foram o apogeu de toda a sua qualidade e iconicidade. No chão, pelo ar, entre os postes com o braço a esticar acima de todas as possibilidades, Ochoa fez exibições que estão em qualquer manual dos Mundiais. A mais famosa de todas parou o Brasil na própria casa em 2014 quando Ochoa construiu um muro na própria baliza e fez seis defesas – algumas com alto grau de complexidade – para manter o jogo 0-0.

Nesse verão, qualquer criança que nos jogos com os amigos assumisse as luvas, diria orgulhosamente que era o Ochoa. As defesas do mexicano não lhe deram o lugar no planalto dos Deuses do futebol. Mas nos verões em que o Mundial se disputou deram a qualquer jovem guarda-redes a esperança de ir à baliza e de replicar as obras de Ochoa.

Em 2022, a expectativa para ver o Mundial de Ochoa é enorme. O processo de renovação da seleção mexicana tem sido difícil e El Tricolor tem uma geração mais fraca que nos últimos anos. O guarda-redes é, ainda assim, uma das esperanças mexicanas para um bom Mundial. E de todos os adeptos de futebol que aguardaram quatro anos para ver Ochoa – no Mundial também conhecido pela soma de Yashin, Kahn, Buffon, Casillas e Neuer – brilhar.

4. Luka Modric

Poderá a Croácia voltar a surpreender toda a gente e chegar novamente à final do Mundial? Provavelmente não. Mas com Luka Modric no comando não há impossíveis que limitem o sonho croata.

No tabuleiro de xadrez vermelho e branco que se estende do uniforme a todo o campo, Modric é o principal estratega. Dono de uma leitura de jogo notável, de uma capacidade de passe incrível e com recursos no drible e no remate, Modric é, aos 37 anos, ainda o melhor jogador croata (e do mundo) da atualidade.

A sua presença na seleção é ainda mais importante quando referências como Subasic, Rakitic e Mandzukic já não se encontram mais na equipa. Num meio-campo entusiasmante – Modric, Brozovic e Kovacic, com Majer a aguardar uma oportunidade para brilhar – o maestro do Real Madrid poderá ter novamente um Mundial de alto nível.

Em 2018 foi o melhor jogador do torneio. Levou a Croácia à final e acabou por vencer também a Bola de Ouro como melhor jogador da temporada. Esta Mundial será, muito provavelmente, a sua última dança. Será essa dança vitoriosa?

3. Christian Eriksen

O retorno de Eriksen aos campos após o susto no Euro 2020 (realizado em 2021) é um dos capítulos mais bonitos do futebol.

O jogo que iniciou a campanha da Dinamarca na competição foi doloroso. A lembrança do corpo de Eriksen inanimado no chão a lutar pela vida enquanto os colegas o protegiam da atenção mediática desmedida ainda causa arrepios. O seu regresso, primeiro no Brentford e agora no Manchester United, tem sido muito positivo e o futebol voltou a ficar mais rico com a presença do dinamarquês em campo.

Eriksen leva no corpo um pequeno equipamento que lhe permite continuar a jogar futebol, mas – e mais importante – leva também no peito as esperanças de todos os dinamarqueses. E são esperanças cheias de fundamento.

A Dinamarca perspetiva-se como uma das seleções mais fortes do mundo neste momento. O trabalho de Hjulmand está num patamar superior e depois de surpreender – apenas os mais desatentos – no último campeonato da Europa, os vikings podem voltar a deixar o mundo de boca aberta.

A presença de Eriksen em campo dá mais argumentos aos dinamarqueses. Numa equipa que procurará ter bola, um elemento cerebral, capaz de ler e gerir o jogo a seu favor e de desequilibrar no passe é fundamental. Quer num meio-campo a dois, quer num meio—campo a três, quer mesmo pisando terrenos mais avançados, Eriksen será sempre influente no jogo dos nórdicos.

2. Gareth Bale

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem tu és. Podia ser a frase que resume a carreira recente de Gareth Bale que, quando acompanhado dos compatriotas, volta a ser o jogador que encantou meio mundo.

Atualmente fora do radar europeu, Bale não teve um impacto tremendo na MLS. Ainda assim ao serviço dos LAFC, continuou a ser destaque por uma capacidade que mantém imaculada: a decisão. No final de contas, no jogo decisivo marcou um dos golos que deu o título ao clube de Los Angeles.

País de Gales corre por fora neste mundial. A geração que fez um brilharete no Euro 2016 já está longe dos melhores índices – Allen, Ramsey, o próprio Bale – e não tem assim tanto talento diferenciador. Ainda assim, o grupo altamente competitivo abre 64 anos de ausência – seria uma ótima prestação.

Gareth Bale já não é o mesmo jogador que arrancava antes do meio-campo e era capaz de deixar uma equipa para trás com base na velocidade. No entanto, continua a ser decisivo. No sistema de Page tem importância redobrada. Quer com muita liberdade partindo da direita, mas atuando praticamente nas costas do físico Kieffer Moore, quer num ataque móvel é o jogador que País de Gales procura para desequilibrar. Não pela velocidade, mas pela capacidade técnica que o torna diferenciado ao nível do passe, mas principalmente no remate (é uma equipa que dependerá muito do aproveitamento das bolas paradas).

Pode ser a última oportunidade de Bale ao mais alto nível. O lendário jogador não quererá despedir-se de forma inglória. Porque – “Wales. Golf. Madrid. In that order” – a seleção para Bale está sempre em primeiro lugar.

1. Lionel Messi

Quem mais poderia ser? Depois de bater na trave em 2014 e da campanha desastrosa em 2018, a Argentina regressa com estatuto de candidata ao título. Com Lionel Messi na melhor forma dos últimos tempos, a candidatura ganha ainda mais forças.

La Pulga quebrou o enguiço do título pela seleção o ano passado. A Copa América 2021 ganha pela Argentina e que teve em Messi o melhor jogador do torneio, tirou um peso dos ombros do astro que atua pelo PSG.

Agora, no Qatar procura vencer pela primeira vez o Mundial, numa seleção que respira frescura e alegria, dentro e fora do campo. Dentro de campo procura exponenciar as características mais criativas dos jogadores, proporcionando um futebol baseado em combinações curtas, priorizando o corredor central.

Neste contexto, até pela evolução da carreira de Messi, ao argentino está na sua praia, fruto da liberdade posicional que tem dentro de campo. Cada vez mais um criador, Messi usufrui da liberdade para recuar no terreno, ultrapassar adversários através de tabelinhas e chegar à área, onde já se sabem quer através do drible, quer pela facilidade e qualidade no remate, Messi é mortífero.

Fora de campo, a cumplicidade e os constantes sorrisos refletem o bom momento argentino. Scaloni, mais do que qualquer coisa, criou um grupo muito forte e coeso e tem possivelmente o futebol mais atraente do futebol de seleções. Entre as seleções, ter uma estrela que, passem os anos que passarem, brilha mais que as demais, pode ser o fator decisivo em dezembro.

Diogo Ribeiro

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