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Esqueçam os caminhos mais fáceis ou mais difíceis: Isto é o Mundial!

Mário Cagica Oliveira · 3 min

Tribuna VIP João Pedro Óca

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TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

Esqueçam os caminhos mais fáceis ou mais difíceis: Isto é o Mundial! Não consigo compreender a obsessão das pessoas em prever os percursos das seleções mais fortes até a final com base na teoria do favorito. 

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Como se eliminar seleções em Mundiais, fosse tão simples como varrer lixo para baixo de um tapete. “Portugal ganha à Suíça, depois à Espanha e apanha a França nas meias-finais. Aí é que vai ser a doer”, diz-se em demasia, até por comentadores ou jornalistas. Enfim, é um exercício tão desnecessário como infundado, sobretudo porque se joga um Mundial em que, por sinal, já houve várias surpresas.

Desabafo feito, acho que Portugal vai sentir muitas dificuldades no jogo com a Suíça. Pode parecer uma frase feita, mas prevejo um jogo muito equilibrado, pouco aberto e embrenhado em expectativa. Aliás, Portugal tem sentido dificuldades em quase todos os jogos a doer, sobretudo em fase finais – leia-se Europeus e Mundiais. Há um lado de desconfiança e de nervosismo excessivo em certos jogadores que não é habitual e que prejudica as suas ações individuais. Isso tem-se visto nos nossos melhores jogadores, até em Cristiano Ronaldo.

Só para falar nos aspetos mais negativos (como faz o típico tuga), coletivamente, a equipa continua pouco criativa, com escassas soluções ofensivas e, com o passar do tempo, sobressai aquilo que referi anteriormente – a desconfiança e o nervosismo, a que se pode juntar a expressão em forma de mensagem de uma certa insegurança passada de Fernando Santos, a partir do banco.

E até acho que o selecionador não tem mexido mal na equipa neste Mundial, além de concordar, quase na totalidade, com os onzes iniciais apresentados nos três jogos. Acho que Vitinha vai ser titular com a Suíça, no lugar de William ou de Rúben Neves. A exibição diante da Coreia do Sul só prova o que não era preciso provar, e não é apenas por ser titularíssimo do PSG. Até o Mbappé e o Neymar devem estar a perguntar por que é que é um jogador do nível de Vitinha não joga mais vezes na seleção.

Vitinha Otávio
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

De resto, prevejo um onze igual ao do duelo com o Gana: Cancelo e Raphael Guerreiro como laterais, Rúben Dias e Pepe a centrais, Rúben Neves ou William e Vitinha, Bernardo, Bruno Fernandes e João Félix no apoio a Ronaldo. Na Suíça, destaco vários jogadores, a começar pela defesa. Manuel Akanji, central do Manchester City, é de altíssimo nível em quase todas as ações, assim como o Granit Xhaka, no meio-campo, a distribuir jogo. O Embolo, avançado, é um poço de força e o Rubén Vargas acrescenta virtuosismo.

É uma equipa ‘batida’, nada ingénua e que eliminou a França nos oitavos de final do último Europeu. Não é pessimismo, é realidade. Até porque nesta questão dos ‘feelings’, o meu é que Portugal vai chegar longe no Mundial. Sinto a equipa mais comprometida do no Europeu do ano passado, com (ainda) mais qualidade nas opções e com a atitude certa. Contudo, para ganhar, é preciso mudar, sobretudo, dois aspetos: Acabar com os ‘apagões’ totalmente desnecessários em certas ações defensivas; dar mais gás ao carrossel com bola: mais criatividade, mais rasgo, mais pensamento fora da caixa.

E não falei muito de Cristiano Ronaldo porque acho que se fala em demasia e só espero que, também por isso, não nos saia o tiro pela culatra.

Artigo de opinião de João Pedro Óca,
jornalista TVI/CNN

Mário Cagica Oliveira

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