Holanda 2-1 México – Laranjas deram sumo!

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O RESCALDO

O duelo entre Holanda e México adivinhava-se muito intenso e equilibrado. De um lado estava o melhor ataque do Mundial (Holanda, com 10 golos marcados); do outro, a melhor defesa da competição (México, tal como a Costa Rica, com apenas 1 golo sofrido). Ambas as equipas surpreenderam durante a fase de grupos, apresentando um nível futebolístico mais alto do que aquele que delas se esperava à partida, e chegaram aos oitavos-de-final com muita confiança e legítimas aspirações a continuar na senda do sucesso.

Hoje, em Fortaleza, o 3-5-2 de Miguel Herrera superiorizou-se sempre ao 3-5-2 de Van Gaal. O treinador mexicano apostou no onze habitual, incluindo Salcido na posição do castigado Vásquez; o timoneiro holandês insistiu em Kuyt a lateral-esquerdo e substituiu Janmaat por Verhaegh no lado direito da defesa.

Durante a primeira parte, num jogo disputado a um ritmo relativamente baixo e com as equipas tacticamente encaixadas, foi o México a chegar mais vezes e com mais perigo à baliza adversária – Cillessen, algo desconcentrado (teve duas saídas inexplicáveis), podia ter sofrido o golo em remates de Layun (logo no início), Herrera (rematou rasteiro a rasar o poste), Salcido (em boa posição, atirou muito por cima) e Giovani do Santos (com duas boas oportunidades).

No entanto, a Holanda estabilizou o seu jogo depois da pausa técnica aos 30 minutos e ainda construiu duas boas ocasiões para marcar – primeiro Van Persie falhou o remate após um domínio sublime; depois o capitão holandês roubou a bola ao central Rodríguez numa zona privilegiada e entregou a Robben, que acabou derrubado por Márquez e Moreno. Moreno saiu lesionado desse lance e cedeu o seu lugar ao portista Reyes ao intervalo – a segunda lesão da primeira parte, uma vez que Bruno Martins Inidi já havia entrado para o lugar de De Jong aos 8 minutos (obrigando Van Gaal a colocar Blind a trinco).

No regresso dos balneários, o português Pedro Proença apitou para o reatar da partida e os adeptos aztecas só precisaram de dois minutos para festejar o primeiro: Giovani dos Santos desembaraçou-se de Blind e, bem de fora da área, rematou cruzado para o 0-1. Um golaço do prodígio mexicano, a quem finalmente contabilizaram um golo neste Mundial (na primeira jornada tinham-lhe anulado dois golos limpos frente aos Camarões). Depois disso, o México segurou muito bem a vantagem, controlou o jogo e impediu uma reacção forte dos Países Baixos.

Gio dos Santos deu esperanças aos  aztecas  com um golaço  Fonte: Getty Images
Gio dos Santos deu esperanças aos aztecas com um golaço
Fonte: Getty Images

Essa reacção só se começaria a esboçar depois da entrada de Depay para o lugar do desinspirado Verhaegh – a substituição que se impunha e que mudou o jogo. A partir daí, a Holanda começou a jogar em 4-3-3 (defesa com Indi na esquerda, Vlaar e De Vrij no meio e Kuyt na direita; Blind, Wijnaldum e Sneijder no meio-campo; Depay e Robben bem abertos nas alas e Van Persie no centro do ataque) e a Holanda passou a mandar na partida. O primeiro sinal de perigo foi dado logo a seguir, com Ochoa a defender contra o poste, por instinto, um remate de De Vrij. Os extremos da Holanda impediam Aguilar e Layun de subir no terreno e Miguel Herrera trocou Gio dos Santos por Aquino, que veio dar velocidade e intensidade à asa direita do México. Com o México numa espécie de 5-1-3-1, com Salcido como pivot, Aquino e Guardado a fechar nas alas e Herrera como responsável pela ligação a Peralta, a Holanda continuou a controlar o jogo e Ochoa começou a justificar o título de Man of the Match atribuído pela FIFA com excelentes defesas.

Já com Chicharito e Huntelaar em campo, refrescando os respectivos ataques, a pressão dos neerlandeses surtiu efeitos práticos: na sequência de um canto, Sneijder, com uma bomba, reestabeleceu a igualdade aos 88 minutos. E quando já todos esperavam o prolongamento, eis que Robben arranca um penalty a Márquez depois de um fantástico lance individual. Huntelaar, com nervos de aço, converteu a grande penalidade e levou a Laranja Mecânica aos quartos-de-final, para desespero dos aztecas, que estiveram pertíssimo de eliminar os europeus.

O México foi das selecções que mais prazer me deu ver jogar neste Mundial’2014. Com uma equipa muitíssimo bem organizada e com intérpretes fantásticos (não conhecia Vásquez, Aguilar e Layun e fiquei rendido ao seu talento; Ochoa, Márquez, Moreno, Guardado, Herrera, Peralta e Dos Santos deram mais do que eu esperava), La Verde merecia outra sorte. Foram guerreiros, lutaram até ao fim e deixaram uma imagem muitíssimo positiva do seu futebol. Estão, sem dúvida alguma, de parabéns pela sua campanha.

A Holanda… bom, a Holanda tem, em teoria, a passadeira estendida até às meias-finais, uma vez que vai apanhar pela frente o vencedor do Grécia-Costa Rica e é claramente favorita. Com um futebol versátil e pragmático e três jogadores brilhantes na frente, tudo se pode esperar desta inteligente formação de Van Gaal.

Arjen Robben tem sido uma das figuras deste Mundial  Fonte: Getty Images
Arjen Robben tem sido uma das figuras deste Mundial – hoje não marcou mas arrancou um penalty
Fonte: Getty Images

A Figura

Louis Van Gaal – entrou em campo com o esquema táctico com que chegou ao Brasil, o 3-5-2. Porém, em desvantagem, mudou o esquema táctico com uma substituição apenas e revolucionou Laranja Mecânica. A partir daí, a Holanda tomou conta do jogo, foi em busca do golo e acabou por triunfar. Mérito de Van Gaal, que soube abanar tacticamente a equipa e retirou os frutos dessa opção.

 

O Fora-de-Jogo

Paul Verhaegh – cumprindo a sua 3.ª internacionalização, estreou-se no Mundial’2014 num jogo de “mata-mata” – uma missão muito complicada. A verdade é que nunca entrou verdadeiramente no jogo. Concedeu muito espaço a Layun durante o primeiro tempo, desequilibrando a equipa, e acabou por sair no início da segunda parte.

Francisco Manuel Reis
Francisco Manuel Reishttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado pela escrita, o Francisco é um verdadeiro viciado em desporto. O seu passatempo favorito é ver e discutir futebol e adora vestir a pele de treinador de bancada.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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