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Revista do Mundial 2018 – Marrocos

Vasco Moreira · 3 min

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Passaram-se 20 anos desde a última presença de Marrocos num Mundial, equipa que chega à Rússia embalada pela vitória na CHAN. Fatores que aumentam a expetativa em torno da seleção que Lopetegui considera ser a melhor do continente africano na atualidade, mas que terá pela frente um dos grupos mais complicados da competição.

TRIVIA

– Será a quinta participação num Mundial;

– A melhor participação nesta competição aconteceu em 83. Na altura chegaram aos oitavos-de-final, antes bateram por 3×1 a seleção de Portugal, que não foi além de um último lugar na fase de grupos;

– O melhor marcador em Mundiais é Youssouf Hadji, com 6 golos;

– Manuel da Costa faz parte da convocatória de Marrocos para o Mundial, depois de já ter representado Portugal num Europeu de Sub-21.

O PERCURSO

Fonte: RMFF

A qualificação começou na segunda eliminatória com um embate a duas mãos frente à Guiné-Equatorial (2×0 e 0x1). Seguiu-se a fase de grupos, contra Mali, Gabão e Costa do Marfim. Os leões do Atlas acabaram por conquistar o primeiro lugar sem grandes dificuldades, depois de três vitórias e outros tantos empates, em seis jogos. Curiosamente empataram e venceram todas as equipas do grupo.

No último jogo da fase de qualificação já só necessitavam de um empate frente à Costa de Marfim de Doumbia, Gervinho ou Zaha, só que não confiaram na sorte e aos 30’ minutos de jogo já venciam por 2-0, com golos de Dirar e Benatia. O resultado não se alterou e no final Marrocos pôde festejar o tão desejado apuramento.

A ESTRELA DA COMPANHIA

Fonte: CAF

Começou a carreira em França, país onde nasceu, mas foi em Itália que se destacou. Primeiro na Udinese e depois em Roma, onde foi um dos melhores defesas do campeonato, numa época que lhe permitiu dar o salto para o Bayern de Munique por 30 milhões de euros. A experiência na Alemanha não correu da melhor forma e o regresso a Itália surgiu naturalmente, desta vez para representar a Juventus.

Falo, obviamente, de Medhi Benatia. O marroquino é um defesa central elegante, muito forte nos duelos e com bom poder de antecipação, que alia a uma razoável saída de bola. O capitão de Marrocos é também uma ameaça em qualquer lance ofensivo de bola parada e leva já um palmarés e um currículo que lhe permitem ser o patrão desta seleção.

A REVELAÇÃO

Fonte RMFF

Primeiro foi fenómeno no Heerenveen com 11 golos em 36 jogos, depois no Twente com 32 golos em duas temporadas, finalmente no Ajax, onde tem brilhado, e tem tudo para ser um dos fenómenos deste Mundial caso Marrocos consiga uma participação positiva.

Hakim Ziyech é certamente um dos jogadores que mais me impressiona tecnicamente nos dias de hoje e, como se não bastasse, impressiona também na visão de jogo e no poder de remate, que faz dele também uma ameaça em qualquer livre apontado à baliza adversária.

O TREINADOR

Fonte: CAF

Hervé Renard é um antigo defesa central que conta com passagens por Sochaux ou Lille, mas que é acima de tudo um homem de seleções. Esteve vários anos a comandar a Zâmbia, onde conquistou uma Taça COSAFA e uma CAN, depois veio a Costa do Marfim, onde voltou a ser feliz com nova vitória na CAN. Finalmente chegou a Marrocos em 2016, desde então já qualificou os Leões do Atlas para um Campeonato do Mundo, 20 anos depois e conquistou uma CHAN.

Aos 49 anos, o francês chega ao seu primeiro Mundial numa das melhores fases da carreira e procurará surpreender tudo e todos com o seu 4x2x3x1, com um onze que não deve fugir muito do que costuma utilizar: Munir na baliza, Dirar, Benatia, Saiss e Achraf na defesa, no meio campo a dupla El Ahmadi e Boussoufa e mais à frente o trio Amrabat, Belhanda e Ziyech, no apoio a Khalid.

QUÃO ALTO PODE SONHAR?

Fonte: CAF

Por um lado, uma seleção que conta com elementos como Benatia, Ziyech, Amarabat, ou Belhanda e ainda se dá ao luxo de deixar de fora outros como Labyad ou Boufal, devia ser o suficiente para, pelo menos, passar a fase de grupos. Só que por outro lado, ficaram naquele que considero o grupo mais complicado, com Espanha, Portugal e Irão, sendo que os dois primeiros da lista são claramente favoritos.

Posto isto, a passagem não vai ser fácil, implica superação por parte dos marroquinos e ainda uma escorregadela de Espanha ou de Portugal, mas está longe de ser impossível. Resumindo, abunda o talento individual, o treinador é experiente e tem provas dadas ao nível de seleções, pelo que sonhar com uma surpresa parece-me tudo menos descabido.

Foto de capa: FIFA

Vasco Moreira

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