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Revista do Mundial 2022 | Grupo D

Guilherme Vilabril Rodrigues · 9 min

Foto: FIFA

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MUNDIAL 2022 | AS MEMÓRIAS DO CATAR

No Grupo D deste Mundial 2022, contamos com a presença de seleções de três continentes diferentes. França e Dinamarca, que representam o continente europeu, Tunísia, que representa o continente africano e Austrália que, embora represente a Oceânia, disputou a qualificação frente a seleções asiáticas.

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Estamos então perante uma grande variedade cultural, mas a realidade é que para as seleções europeias isso não aparenta ser um grande problema. O futebol não para de nos surpreender, é um facto, mas neste grupo prevê-se que tanto França como Dinamarca acabem por ter uma passagem relativamente fácil, não querendo desmerecer as duas seleções evidentemente menos capazes. A Tunísia não é uma das equipas mais talentosas do seu continente, e a Austrália acaba por não ter nomes de grande nível, atuando muitos deles no campeonato escocês.

Sabemos, no entanto, que as seleções mais fracas acabam por dar tudo o que têm naqueles que são, à partida, os seus únicos três jogos na maior competição de seleções do mundo. É por isso que esta é uma competição tão venerada, havendo sempre espaço para uma ou outra surpresa. Vamos ver o que é que este grupo nos reserva, estando o claro favoritismo do lado dos atuais campeões em título, a França.

AUSTRÁLIA

É um país da Oceânia cuja seleção compete na Confederação Asiática de Futebol desde 2006. Em relação ao histórico em Campeonatos do Mundo, é de referir que esta será a sua sexta participação, quinta consecutiva. Depois da estreia em 1974, a Austrália esteve ausente durante 32 anos, tendo regressado em 2006.

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Para chegar ao Mundial 2022, a seleção australiana não teve caminho fácil. No Segundo Nível conseguiu garantir o primeiro lugar do grupo, com oito vitórias em oito jogos. Defrontou as seleções do Kuwait, Jordânia, Nepal e China Taipei, naquele que foi um percurso bastante tranquilo. O Terceiro Nível da qualificação veio a revelar-se muito difícil, como inicialmente se previa, e a Austrália conseguiu um meritório terceiro lugar, apenas atrás de Japão e Arábia Saudita. Isto valeu a ida a um Quarto Nível de Qualificação, onde tiveram de bater os Emirados Árabes Unidos por 2-1, com um golo marcado para lá dos 80 minutos. O sonho estava perto, mas para isso faltava ainda bater a seleção do Perú, que havia ficado em quinto na qualificação da América do Sul. Os sul americanos eram claramente favoritos, mas o jogo acabou por se arrastar até às grandes penalidades. A seleção vencedora foi, naturalmente, a Austrália, que assim conseguiu mais um grande feito para a sua história.

Sobre o seu plantel há a dizer que, apesar de ser uma seleção do outro lado do mundo, tem jogadores que conhecem bem o futebol europeu, uma vez que atuam, maioritariamente, no campeonato escocês. Muitos deles têm um percurso bem conhecido e estiveram já nas melhores ligas do mundo. Atuam, tendencialmente, num 4-1-4-1, utilizando um futebol muito físico e direto, na esperança do erro adversário.

 

JOGADOR A OBSERVAR

Aaron Moy – É homem mais defensivo do meio-campo e, claramente, a estrela desta equipa. Teve uma carreira bem conhecida, especialmente na Primeira Liga Inglesa e, apesar dos seus 32 anos de idade, é ainda a peça fundamental para a manobra do selecionador, Graham Arnold.

 

PREVISÃO DE POSIÇÃO NO GRUPO: TERCEIRO LUGAR

DINAMARCA

A seleção da Dinamarca tem sido uma das grandes surpresas do futebol internacional dos últimos tempos. No último Campeonato da Europa foram eliminados nas meias-finais pela Inglaterra, que precisou do prolongamento para se superiorizar. A partir daí a Dinamarca raramente conheceu o sabor da derrota e acabou a fase de qualificação com nove vitórias e apenas um desaire, já no último jogo depois de terem garantido o primeiro lugar.

O seu histórico no Campeonato do Mundo não é espetacular, sendo esta a sua sexta presença na competição. O melhor resultado foi atingir os quartos-de-final, em França 1998.

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Na Liga das Nações acabaram por ficar no mesmo grupo que a França, sobre quem levaram a melhor por duas vezes: 4-1 no agregado dos dois jogos. Sabemos que esta é uma competição diferente, muito mais importante, mas não será surpreendente ver esta seleção bater-se de frente com os poderosíssimos campeões do mundo. Têm uma equipa muito competente, recheada de qualidade, experiência e irreverência. Parecem estar a lidar bem com o passar de gerações, conseguindo aliar jogadores como Eriksen, Kjaer ou Hojbjerg a novos craques como Dolberg ou Damsgaard.

É difícil de perceber qual a tática preferida de Kasper Hjulmand, uma vez que vemos a seleção dinamarquesa usar várias formas de jogar diferentes consoante o adversário que têm pela frente. Tanto podem apresentar-se com três centrais e dois médios-centro como podem optar por táticas mais comuns, como um 4-3-3 ou um 4-4-2. Valorizam, em muitos momentos, a presença de três médios mais posicionais, como Hojbjerg, Delaney e Eriksen, deixando para os três homens da frente toda a liberdade e responsabilidade para fazerem estragos na defensiva contrária. É, acima de tudo, uma seleção que se preocupa em defender bem, procurando momentos estratégicos para faturar e levar as partidas como vencidas.

 

JOGADOR A OBSERVAR

Mikkel Damsgaard – Apesar de ter grandes nomes como Schmeichel, Kjaer, Christensen, Hojbjerg, Eriksen ou Delaney, acreditamos que esta será a afirmação de Damsgaard. O jovem de 22 anos já mostrou, no Campeonato da Europa, toda a sua qualidade e irreverência e esta poderá ser a sua afirmação no mundo do futebol.

 

PREVISÃO DE POSIÇÃO NO GRUPO: SEGUNDO LUGAR

FRANÇA

São os atuais Campeões do Mundo. Ninguém é, por enquanto e de forma oficial, melhor do que eles. É um país com grande cultura futebolística e que vai dar tudo para se tornar bicampeão mundial, algo de que Didier Deschamps se iria orgulhar muito. Conquistaram o Mundial por duas vezes: um em 1998 e o tal que acima referimos, 20 anos depois.

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Da última vez que conquistaram o tão desejado troféu, ficaram-se pela fase de grupos na edição seguinte. Não deverá acontecer desta vez, mas certamente que todos estarão alerta de que não podem entrar em facilitismos. Têm vindo a perder alguns jogadores que foram importantes há quatro anos atrás. Paul Pogba e N’Golo Kanté não constarão no miolo francês e são duas peças que, em condições normais, assumiriam a titularidade sem grande discussão. Ainda assim, França tem a felicidade de poder contar com gerações atrás de gerações de qualidade, e jogadores como Tchouaméni ou Camavinga estarão prontos para mostrar aquilo que sabem.

Podiam, de facto, fazer três ou quatro onzes iniciais, e mesmo assim continuariam individualmente superiores a grande parte das seleções mundias. Não deverão ter grande dificuldade para passar a fase de grupos, assim como não tiveram para aqui chegarem. Conseguiram o primeiro lugar do grupo, com 18 pontos em oito partidas, mais seis do que o segundo classificado, a Ucrânia.

Face a tanta qualidade individual, têm condições para adotarem a tática que quiserem. Acreditamos que o 4-4-2 será o mais utilizado face à presença de avançados como Mbappé e Benzema, que terão obrigatoriamente de jogar. Resta saber se o jovem do Paris Saint-Germain atuará mais no centro ou encostado à esquerda, posição onde afirmou gostar mais de jogar.

 

JOGADOR A OBSERVAR

Kylian Mbappé – Apesar de toda a qualidade individual desta seleção, Mbappé é e continuará a ser o grande destaque do plantel. Para além de ser um dos jogadores mais rápidos do mundo, é também um dos mais capacitados tecnicamente, aliando assim um conjunto de qualidades que o tornam, quando quer, simplesmente imparável.

 

PREVISÃO DE POSIÇÃO NO GRUPO: PRIMEIRO LUGAR

TUNÍSIA

Para um adepto menos atento, dificilmente a seleção da Tunísia apresentará algum nome minimamente familiar. É, de facto, uma seleção sem grande qualidade individual aparente, mas a realidade é que chegaram, com muito mérito, à fase final do Mundial. Num grupo com Guiné Equatorial, Zâmbia e Mauritânia, conseguiram somar 13 pontos, o que lhes valeu o primeiro lugar tranquilo do grupo B. No play-off de qualificação tiveram de defrontar o Mali, seleção que, individualmente, está uns furos acima, Ainda assim conseguiram, no conjunto das duas mãos, vencer por 1-0, o que os qualificou para este Mundial.

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Desde esse primeiro lugar no grupo de qualificação disputaram três competições importantes: a Taça Árabe, onde, depois do primeiro lugar do grupo, perderam na final com a Argélia por duas bolas a zero; a Taça Kirin, que venceram depois de baterem o Chile e o Japão, duas seleções com alguma qualidade; e a Taça das Nações Africanas, onde foram eliminados nos quartos de final pelo Burkina Faso, já depois de terem eliminado a seleção da Nigéria.

Não é uma seleção pela qual alguém dê alguma coisa, mas a realidade é que têm conseguido boas participações nas provas onde participam. Esta prevê-se bastante mais difícil, e o seu objetivo será deixar uma imagem positiva do trabalho que tem vindo a ser feito.

Atuam, tendencialmente, num 4-3-3, e essa será, provavelmente, a tática que vão utilizar durante este Mundial. Sofrem muito poucos golos, algo também característico do futebol africano, e talvez essa solidez defensiva lhes ofereça alguma esperança para aquela que vai ser a sua presença na competição.

 

JOGADOR A OBSERVAR

Naim Sliti – Será o jogador a ter em conta nesta seleção. Atua como extremo e, na ideia de jogo de procurar saídas rápidas, ele poderá ser a referência ofensiva de maior qualidade da equipa.

 

PREVISÃO DE POSIÇÃO NO GRUPO: QUARTO LUGAR

Guilherme Vilabril Rodrigues

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