Suiça 2-5 França: Temos favorito!

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O RESCALDO

Que recital de futebol! Sete golos, outros tantos por marcar e um massacre francês durante noventa minutos de futebol ofensivo, dinâmico e digno de um Campeonato do Mundo. Ao fim de duas jornadas, a selecção francesa mostra-se ao mundo com uma das sérias candidatas a levantar o troféu no próximo dia 13 de Julho.

As duas nações vizinhas entraram para este jogo com os mesmos três conseguidos na primeira jornada do grupo e, por isso, sabiam que uma vitória lhes garantiria o apuramento para os oitavos-de-final da competição. Didier Deschamps surpreendeu ao deixar Pobga no banco e lançou Sissoko para o seu lugar, encostando Valbuena e Benzema nas alas e deixando Giroud como único ponta-de-lança. No lado suíço, Otmar Hitzfeld premiou o contributo decisivo que Memhedi e Seferovic tiveram na vitória da equipa sobre o Equador e entraram no onze helvético.

Tacticamente, as equipas encaixavam-se uma na outra e, por essa razão, os minutos iniciais da partida foram jogados a meio-campo, num ritmo muito baixo.  Até que chegou o primeiro golo da França e o jogo mudou totalmente de figura. O espectacular cabeceamento de Giroud, à passagem do minuto 17, foi a chave que desbloqueou todo o encontro, tornando-o num dos melhores que este Mundial já assistiu. A partir daqui, a França começou a comandar o jogo e a imprimir a velocidade necessária para quebrar a muralha suíça. Logo após o primeiro golo, surgiu o segundo-apontado por Matuidi- e, com ele, a sentença final para a selecção helvética.

Depois de sofrer dois golos de rajada, a Suíça perdeu-se completamente em campo e a desconcentração passou a tomar conta dos jogadores suíços.  Por seu turno, a França foi aproveitando a inércia do adversário e fez o 3-0 ainda antes do intervalo, através de um contra-ataque mortífero, que culminou com o golo de Valbuena. Antes já Benzema tinha desperdiçado um grande penalidade cometida infantilmente pelo defesa suíço Djorou.

Goleada ao intervalo, a selecção suíça nada mais tinha a fazer no segundo tempo, mas procurou rectificar alguns dos muitos erros cometidos na primeira parte e a entrada de Dzemaili para o lugar do desastrado Behrami estabilizou, embora momentaneamente, as hostes suíças. A França de Deschamps, mesmo entrando para segunda parte mais relaxada e a fazer uma gestão mais serena da partida, não deixou de acelerar, sempre que possível, o seu jogo e o perigo rondava sempre a baliza suíça. Os endiabrados Matuidi, Valbuena e Benzema facilmente galgavam metros no terreno em direcção à área adversária e as oportunidades que iam criando anunciavam os golos que seguiram.

Valbuena apontou um dos golos da França e foi uma das figuras da partida Fonte: Getty Images
Valbuena apontou um dos golos da França e foi uma das figuras da partida
Fonte: Getty Images

Já com Pogba em campo, Benzema voltou a marcar neste Mundial e fez o 4-0. Minutos mais tarde, foi o próprio avançado do Real Madrid, a atravessar um extraordinário momento de forma, que assistiu o portentoso médio Moussa Sissoko para o quinto golo francês. Estávamos perante a maior goleada deste Mundial e, pelo andar da partida, os gauleses pareciam querer alargá-la. Não fossem as duas ou três defesas do guardião suíço, Benzema e companhia podiam ter juntando mais tentos à sua conta pessoal, ainda antes do minuto setenta. Contudo, muito provavelmente a pedido de Deschamps, a França tirou o pé do acelerador e permitiu à Suíça crescer no jogo e mostrar a qualidade ofensiva que a caracteriza.

Num jogo de domínio absoluto por parte da selecção gaulesa, a Suíça ainda conseguiu marcar dois golos nos minutos finais e sair com alguma honra do Estádio Arena Fonte Nova. Antes do final do jogo, destaque para um lance bizarro protagonizado pelo árbitro da partida, Bjorn Kuippers, que apitou no preciso momento em que Benzema desenhava uma obra de arte em forma de golo, que acabou por não contar no marcador oficial. Faltou bom senso ao Sr. Árbitro.

A Figura:

França – Quando se faz um jogo desta qualidade e segurança defensiva e ofensiva parece-me oportuno destacar todo o colectivo francês. Apesar das excelentes individualidades que a enriquecem, esta equipa faz-se notar pelo seu conjunto bastante coeso, que se desdobra muito bem para o ataque e que conta com um leque médios e avançados muitos ágeis e evoluídos tecnicamente que certamente marcarão a diferença em muitos deste Mundial. Temos favorito.

O Fora-de-jogo:

Suíça – Sofrer cinco golos não é só responsabilidade da defesa, mas sinal de elevada desorientação e descoordenação de toda a equipa suíça. A selecção helvética é muito mais do que aquilo que mostrou hoje.

João Pedro Óca
João Pedro Ócahttp://www.bolanarede.pt
O João Pedro Óca é um alentejano a fazer o gosta mais em Lisboa: jornalismo, sobretudo desportivo, na TVI e na CNN Portugal. Além disso, ainda dá uma perninha como narrador na Eleven.

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