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O Girabola’2015 apenas se decidiu na última jornada, com o Recreativo do Libolo a sagrar-se bicampeão angolano, sob a orientação do português João Paulo Costa. O treinador, de 43 anos, assumiu os comandos do clube em Julho, a meio da prova, guiando o emblema do Cuanza Sul ao seu quarto título nas anteriores cinco temporadas.

Num campeonato marcado pelo equilíbrio, o Libolo até acabou por facilitar, visto que permitiu a aproximação do 1.º de Agosto na recta final, aumentando a emoção desta edição do Girabola. Assente numa defesa sólida – com apenas 20 golos sofridos o Libolo cotou-se como a melhor defesa da liga – os bicampeões angolanos revelaram-se quase sempre um conjunto organizado. Com o guarda-redes Ricardo Batista (ex-Vitória de Setúbal) e com Diawara e Fredy, antigos jogadores do Belenenses, nas habituais escolhas iniciais, a equipa do Calulo bateu a concorrência dos clubes mais poderosos de Luanda e do Kabuscorp.

O 1.º de Agosto, segundo classificado e melhor ataque da prova com 51 golos, realizou uma segunda metade de campeonato de excelente nível, culminada com vitórias nas seis derradeiras rondas. Os militares acabaram com os mesmos pontos do Libolo, mas o confronto directo negativo ditou a vice-liderança. Mateus, ex-jogador do Gil Vicente, Boavista e Nacional da Madeira, Gelson e Ary Papel foram as figuras numa formação que deixou boas indicações para o futuro, procurando um título que lhe foge desde 2006.

João Paulo Costa conduziu o Libolo ao bicampeonato Fonte: Sapo Desporto
João Paulo Costa conduziu o Libolo ao bicampeonato
Fonte: Sapo Desporto

Já o Benfica de Luanda , que durante grande parte do Girabola foi o maior rival do Libolo, apagou-se na fase decisiva do campeonato, quedando-se pelo terceiro lugar, sendo assim uma das decepções. Também o Kabuscorp ficou aquém das expectativas, não indo além da quarta posição, salientando-se o instinto matador do veterano Meyong, melhor marcador do campeonato português em 2005-2006, e que voltou a provar toda a sua qualidade ao apontar 13 golos, insuficientes para bater Yano, avançado do Progresso, que com o mesmo número de tentos mas com menos jogos realizados se sagrou o artilheiro do Girabola.

Petro de Luanda e ASA, dois dos mais titulados clubes do futebol angolano, afundaram-se na oitava e nona posição, respectivamente, numa liga que condenou à descida de divisão o Domant, Sporting de Cabinda e Bravos do Maquis, que serão substituídos no próximo ano pelos promovidos Porcelana, 1.º de Maio e 4 de Abril.

Veremos então o que sucederá em 2016, numa altura em que o Libolo é claramente o alvo a abater, sendo que o seu presidente, Rui Campos, já prometeu esforços na tentativa de efectuar uma boa campanha na Liga dos Campeões Africanos. Fica também a curiosidade para saber se mais uma vez assistiremos à contratação de vários futebolistas a actuar em Portugal, algo que tem acontecido nas épocas transactas. Uma coisa é certa: a qualidade de jogo, segundo a opinião de vários especialistas, tem subido em Angola, o que tem contribuído para uma valorização do Girabola, um campeonato que cada vez vem justificando mais atenção.

Foto de Capa: Rede de Angola

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