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Os alemães são cidadãos honestos e hospitaleiros que misturam pepsi com fanta, vinho branco com água gaseificada e raramente dispensam a batata e o currywurst (salsicha de porco picante) ao pequeno-almoço.
Caricaturas à parte, os alemães são também 83 milhões de pessoas que param, literalmente, para ver futebol, e os seus responsáveis pelo desporto-rei há pelo menos 20 anos que dificilmente erram nos investimentos que fazem na formação de jovens jogadores. Não me querendo alongar demasiado, refiro brevemente que todos os clubes dos dois principais escalões de futebol são obrigados a investir vários milhões por ano nas suas academias de formação e que a Federação Alemã de Futebol tem todos os dias carrinhas a circular pelo país de forma a garantir sólidos padrões de treino desde as mais tenras idades.
Amo a Alemanha e confesso sem pudor que não abdico do tempo de antena da Bundesliga. Os meus fins de semana têm sido sagradamente ocupados pelas “malandrices descaradas” de Sancho e Haaland, as simbioses entre Kostic e André Silva e a suavidade de Kamada, os remates aveludados de fora da área de Sabitzer, os passes demasiado bons para ser verdade de Kimmich.
Por tudo isto, e ainda que pudessem ser 20 ou 30, decidi partilhar neste artigo cinco nomes de jovens que considero terem sido revelações na liga alemã nesta temporada.
5.
Maxense Lacroix – Se há coisa que me tem deixado extasiada nos últimos meses é a consistência com que os franceses formam defesas centrais de qualidade.
Acabado de completar 21 anos, o sub-20 gaulês, ao lado do experiente americano John Brooks, foi peça fundamental para o quarto lugar do VfL Wolfsburg que tem tudo para terminar a época com a segunda melhor defesa da Liga Alemã.
Comparado ao inglês Rio Ferdinand, de quem todos sentimos saudades pela elegância com que tratava o esférico, o jovem francês, por incrível que pareça, começou por jogar entre os quatro postes influenciado pelo pai que foi guarda-redes a nível amador. Aos 13 anos, em Bordéus, saltou para o lado oposto do campo, e só começou a recuar aos 15, ao serviço do FC Sochaux, passando por médio atacante e defensivo até finalmente aterrar na posição para a qual provavelmente nasceu.
Sobressai pela agressividade e rapidez com que corta os “males” contrários pela raíz, tendo ganho cerca de 70% dos “tackles” tentados durante a época sem ver qualquer cartão encarnado. A versatilidade referida anteriormente é outro dos seus pontos fortes, com foco no passe e na boa leitura de jogo que acelera o seu poder de antecipação, sendo normal que seja capaz de participar eficazmente em momentos de transição ofensiva.
4.
Sasa Kalajdzig – Falemos do gigante austríaco de 23 anos que veio mexer com 40% dos golos do Vfb Stuttgart.
Descrevendo-se a si próprio como um avançado moderno e brincando com o facto de se considerar um “9 e meio”, Kaladjzig é, efetivamente, o mais alto da principal liga alemã e marca a maior parte dos seus golos de cabeça, mas não é ao acaso que faz lembrar Peter Crouch e o colocam no “pote” dos altos com bons pés. Jogava como médio até dar o “salto da adolescência” aos 16 anos e o treino austríaco focado na técnica contribuiu para que pudesse agora acrescentar criatividade e passes-chave à eficácia do seu jogo de cabeça. Até ver, irá terminar a temporada com pelo menos 16 golos e seis assistências no bolso.
3.
Jamal Musiala – Descoberto pelo Chelsea FC aos 8 anos, este menino tem andado com o coração dividido entre duas nações e chegou a representar as camadas jovens de Inglaterra. Contudo, optou recentemente por se dedicar à seleção da Alemanha, país que o viu nascer na cidade de Estugarda.
Estreando-se no final da época passada, tornou-se automaticamente no mais jovem jogador do FC Bayern Munich a jogar na liga alemã e, pouco depois, antes de completar os 18, já era também o mais jovem a marcar pelo clube, afastando subtilmente Roque Santa Cruz do primeiro lugar.
O aprendiz de Thomas Müller gosta particularmente de jogar a 10 atrás de Lewandowski (quem não?), deixando-nos perplexos com a calma e eficiência com que decide e põe em prática. As qualidades de Jamal Musiala fazem lembrar um baralho de cartas: são pelo menos 40 e nunca sabemos qual vai sair a seguir. Criativo e energético, é forte no posicionamento, no drible, no passe, no cruzamento, na finalização, não deixando de baixar para apoiar a defesa. É um criador de jogo que vai continuar a dar muito que falar e quem sabe não será já no Euro 2020, uma vez que faz parte dos convocados de Joachim Low.
2.
Giovanni Reyna – Nascido em novembro de 2002, Giovanni Reyna é filho dos antigos internacionais Claudio Reyna e Danielle Egan Reyna, que se conheceram nos EUA um pouco antes do mundial de 94.
Claudio Reyna gosta de contar que o filho costumava dominar as “futeboladas” sub-9 no parque da cidade… quando tinha cinco anos. Aparentemente também dava o ar da sua graça no basquetebol, mas felizmente decidiu deixar a bola colada ao pé.
Neto de avó portuguesa, Gio Reyna é taticamente e tecnicamente sublime e um verdadeiro all around. A abilidade e velocidade com que avança sem perder a bola faz dele exímio naquilo que podemos chamar de drible progressivo e, juntamente à perceção que tem de tempo e espaço, faz parecer fácil que esteja constantemente envolvido em situações de perigo.
1.
Florian Wirtz – Joga com o 27 mas é um 10 sem tirar nem pôr. Alemão, 18 anos, nascido em Colónia. Apresento-vos um dos principais responsáveis pela magia nas exibições do Bayer 04 Leverkusen.
Florian Wirtz é a prova viva de que os alemães não brincam em serviço no que toca à prática do futebol moderno. Independentemente da posição em que esteja a atuar, este médio atacante assume as rédeas do jogo com facilidade. Direto, dinâmico, rápido, com visão de jogo acima da média, e com a capacidade que tem de acompanhar os colegas, não surpreende que cubra tanto terreno ao longo de cada partida.
Inteligente no passe e nos movimentos sem bola, objetivo nos raio-X e cálculos que faz constantemente ao espaço à sua volta, facilmente sai da pressão e encontra a forma certa de dar seguimento à jogada ou mesmo de finalizá-la com remates por norma corpulentos.












