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O melhor 11 da Liga Alemã sem repetir clubes

Francisco Grácio Martins · 7 min

O melhor 11 da Liga Alemã sem repetir clubes
Foto: TSG Hoffenheim

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A Bundesliga é uma competição repleta de jogadores de qualidade. Selecionar 11 dentro de um lote tão vasto é um exercício que implica escolhas difíceis, certamente não consensuais, e que detêm, muito possivelmente, uma dose involuntária de injustiça.

11 jogadores, 11 clubes diferentes. O filtro aplicado nesta seleção faz com que só exista um jogador de equipas como FC Bayern de Munique ou Borussia Dortmund, dando visibilidade a jogadores de outros clubes, também eles de grande valor, que contribuem para a competitividade da liga alemã.

Vamos imaginar esta equipa, construída para acabar com a série de títulos do Bayern de Munique na Bundesliga, montada num 4-2-3-1.

Guarda-redes


Timo Horn (FC Colónia) – Com 33 jogos disputados esta temporada, é totalista na liga alemã. É um guarda-redes ágil, seguro e muito rápido a encurtar o espaço de finalização aos atacantes.

No Colónia desde 2002, estreou-se na equipa principal em 2012. Hoje em dia, aos 27 anos, parece merecer voos mais altos, mas o amor ao clube, com o qual já enfrentou duas despromoções à Bundesliga 2, fez com que ainda não se desvinculasse da equipa da cidade onde nasceu.

Em 2016, jogou pela seleção alemã o torneio olímpico, realizado no Brasil.

Lateral-direito


Stefan Lainer (Borussia Mönchengladbach) – A atuar numa equipa que se destaca por aquilo que faz coletivamente, Lainer tem sido um jogador bastante regular e presença constante no lado direito da defesa do Mönchengladbach. É um jogador de alta rotação, como prova a oitava posição na classificação dos jogadores com mais sprints na Bundesliga. É extremamente comprometido com a missão defensiva e, ofensivamente, é muito criterioso nos momentos em que sobe no terreno e nas ações que realiza no último terço. Tem no cruzamento uma das suas principais armas no capítulo ofensivo.

O internacional austríaco está a realizar a sua primeira época fora do seu país de origem. As boas exibições no Red Bull Salzburg, principalmente nas boas campanhas do clube na Liga Europa, valeram-lhe a transferência para o atual quarto classificado da liga alemã.

Defesa-central


Martin Hinteregger (Eintracht Frankfurt) – Outro internacional austríaco, mas este com mais experiência na liga alemã. Embora a equipa tenha apresentado um rendimento abaixo das expectativas, Hinteregger tem sido um dos melhores do Frankfurt esta temporada. Não sendo um jogador rápido, é dotado de uma boa capacidade de posicionamento, desarme e leitura de jogo. Sempre discreto e concentrado, consegue, não raras vezes, desequilibrar com bons passes entre linhas. Pese embora não ser dos jogadores mais altos e atléticos, é inteligente no ataque à bola nos esquemas táticos ofensivos, o que faz dele o segundo melhor marcador da equipa com oito golos, só atrás do ponta-de-lança português André Silva.

Defesa-central


Jordan Torunarigha (Hertha Berlim) – Com apenas 22 anos, forma com Dedryck Boyata uma dupla de centrais muito interessante. É um central rápido e talhado para as disputas diretas com os adversários (ganhou 61,8% dos duelos que disputou). Os 73,1% de duelos aéreos ganhos provam que pelo ar também é irrepreensível. Apesar de tudo, ainda denota algumas lacunas na construção de jogo.

Lateral-esquerdo


Raphaël Guerreiro (Borussia Dortmund) – O internacional português tem assinado uma temporada fenomenal. É impressionante o protagonismo tático dado por Lucien Favre ao lateral neste empolgante Dortmund. Guerreiro aceita esse protagonismo e aproveita para brilhar. Sobe e desce com pés de veludo na ala esquerda, combina muito bem com os colegas e chega facilmente a zonas de finalização. Traz consigo o fator imprevisibilidade na forma como se movimenta com naturalidade para zonas interiores, permutando com colegas para não faltar largura à equipa.

O sistema de três centrais adotado pelo treinador suíço esconde algumas das suas debilidades defensivas, uma vez que tem sempre as costas protegidas pelo central esquerdo, normalmente Manuel Akanji, podendo libertar-se ofensivamente.

Médio defensivo

https://twitter.com/VfL_Wolfsburg/status/1197803076071112704

Maximilian Arnold (VfL Wolfsburgo) – Faz a diferença através do passe e da qualidade técnica do seu pé esquerdo, liderando a manobra ofensiva da sua equipa com a sua capacidade de organização. Define bem perto da zona de finalização, arrecadando já 8 assistências para golo. Normalmente, forma dupla com Xaver Schlager no meio-campo dos lobos.

Já venceu a Taça e a Supertaça da Alemanha pelo Wolfsburgo, equipa que o formou e de onde nunca saiu.

Médio defensivo


Joshua Kimmich (FC Bayern Munique) – É o representante do octacampeão neste onze e um dos melhores jogadores do mundo da sua posição atualmente. Não há ninguém que faça tantas coisas e tão bem como ele. Será, porventura, a par de David Alaba, seu colega de equipa, um dos futebolistas mais multifacetados. Defende, ataca, joga e faz jogar. Às vezes, parece omnipresente pela forma como aparece em zonas distintas do terreno, o que faz dele o jogador com mais distância percorrida na Bundesliga (396,2 quilómetros).

Começa a construir a jogada atrás, sempre de cabeça bem levantada, e desdobra-se na frente para assistir os seu colegas mais avançados. 3206 é o número de vezes que a bola passou pelos seus pés até à 33.ª jornada. O segundo classificado neste dado estatístico conta com 2827 posses de bola. Este fosso prova a influência que tem no jogo do Bayern e a obrigação que tem em pensá-lo. Aliás, é detentor de outra marca significativa. O internacional alemão acertou 91,7% dos 2424 passes que tentou, o que, num jogador que faz passes de risco tão elevado em zonas subidas do terreno contra equipas que defendem num bloco tão baixo, é soberbo.

Quando não tem bola, Kimmich é igualmente efetivo. Reage à perda da bola como se fosse um animal feroz que não come há muitos dias. Só está bem com o esférico na posse da sua equipa e não fica saciado enquanto não o recupera.

Médio ofensivo


Leonardo Bittencourt (SV Werder Bremen) – O Bremen tenta fugir à despromoção e, neste momento, encontra-se no penúltimo lugar da Bundesliga. Para escapar a esse fatídico destino conta com Bittencourt. Este médio ofensivo destaca-se pela capacidade técnica e jogo entre linhas. É um fantasista nato, irreverente e desequilibrador, com capacidade para jogar em espaços reduzidos.

Extremo-direito


Kai Havertz (Bayer 04 Leverkusen) – Tem os grandes tubarões europeus atrás de si. É dotado de um talento invulgar e, aos 21 anos, é o jogador de referência do Leverkusen. Pode atuar como extremo, mas é como ponta-de-lança que tem dado nas vistas nos últimos tempos, interpretando a posição de uma forma muito específica. Cheio de elegância e altivez, não se limita a esperar pela bola no meio dos defesas-centrais adversários. Movimenta-se, combina e permite aos seus colegas também aparecerem em zona de finalização. Desde a retoma do futebol na Alemanha, o esquerdino apontou seis golos em sete jogos, provando que a aposta de Peter Bosz em o aproximar da baliza adversária não foi em vão.

 

Extremo-esquerdo


Erik Thommy (Fortuna Düsseldorf) – Provavelmente o underdog deste onze. Alinha no antepenúltimo classificado da Bundesliga, numa equipa onde não abunda o talento. Thommy é a exceção. Rápido e muito forte no um para um ofensivo, é ele que assume a maioria das despesas do ataque do Düsseldorf. A forma como gosta de encarar e ir para cima do adversário faz dele o oitavo jogador que mais faltas sofre na liga alemã. Até agora leva seis golos e quatro assistências no campeonato.

Ponta-de-lança


Timo Werner (RB Leipzig) – Bem sei que é uma injustiça não selecionar Robert Lewandowski, o melhor marcador da Bundesliga, até ao momento, com 33 golos, para este onze. No entanto, a posição de ponta-de-lança fica bem entregue.

Werner é o segundo melhor marcador do campeonato alemão, tendo agitado as redes adversárias por 26 ocasiões. Em todas as competições, apontou 32 golos e esta é já a temporada mais produtiva da sua carreira. É capaz de jogar quer em apoio, quer em profundidade. Forma com Patrik Schick uma dupla que se complementa muito bem. O seu ponto fraco talvez seja mesmo o jogo aéreo.

As consecutivas épocas de sucesso no Leipzig levaram a que o Chelsea FC já tivesse garantido a sua contratação para a próxima temporada.

Artigo revisto por Mariana Plácido

Francisco Grácio Martins

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