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Um português e um alemão entram… num campo de futebol. Podia ser o início de uma piada seca, substituindo o bar pelo estádio e acrescentando mais uma nacionalidade qualquer, mas não é. Nesta segunda volta “pós covid-19” das principais ligas europeias, a Primeira Liga da Alemanha (vulgo Bundesliga) e a Primeira Liga Portuguesa foram as primeiras a entrar em campo. Por isto, os olhos do mundo estiveram em nós, no futebol português e nos seus intérpretes.
Então, se fomos dos primeiros a começar, quer dizer que somos mesmo dos melhores? Não me parece, nem mesmo top 5 europeu. Também não somos dos piores, mas a verdade é que começámos primeiro que Inglaterra, Espanha ou Itália, muito por causa da rapidez com que “controlámos” a pandemia, algo que estas nações tiveram mais dificuldades a fazer.
Posto isto, permitam-me que faça uma afirmação prévia – que é discutível, claro – acerca destas duas ligas em questão: o Futebol na Alemanha é muito melhor, em tudo, que a nossa Primeira Liga Portuguesa. Ainda assim, vamos tentar compará-las e perceber se temos motivos para sorrir nesta segunda fase.
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.@eduardo_edu_72 e Matheus Nunes fizeram ontem a sua estreia pela equipa principal dos Leões! 🦁 #SportingCP pic.twitter.com/w99vMfdVrM
— Sporting Clube de Portugal (@Sporting_CP) June 5, 2020
Qualidade pós-pandemia – Ora, é precisamente sobre qualidade que falamos agora. Sou um fã da Primeira Liga na Alemanha, não o posso negar. Mas confesso que estava com pouca esperança para esta temporada, isto porque não gostei do que vi em 2018/19. Porém, ainda bem que o futebol nos sabe surpreender. Vou mesmo arriscar e dizer que até à paragem obrigatória, estava a ser a melhor liga europeia. Grandes espectáculos técnico-táticos, grandes jogadores, treinadores e arbitragens.
Sou da opinião que voltou com um fulgor muito parecido ao que levava e gostei, sobretudo do Revierderby, Borussia Dortmund 4-0 FCG Schalke 04 e ainda do Eintracht Frankfurt 1-3 Monchengladbach.
Na nossa liga, outra surpresa positiva. Houve jogos muito interessantes de seguir e, sobretudo, com equipas ditas “pequenas” a mostrarem que são tudo menos isso. Vitória SC a dar uma excelente réplica ao “novo” Sporting CP de Rúben Amorim, o “Fama” a vencer o FC Porto de forma justa, o CD Tondela a realizar uma excelente exibição do ponto de vista defensivo no Estádio da Luz, o CD Santa Clara a vencer ao SC Braga com uma exibição sempre de “olhos-nos-olhos” dos bracarenses e ainda o FC Paços de Ferreira de Pepa a ir vencer a casa de um fantástico Rio Ave FC.
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Kick off in Köpenick ⚽
Glück auf, boys ⚒️
⏱️ 1′ | #FCUS04 0-0 | #S04 pic.twitter.com/rgjDmHiVVc
— FC Schalke 04 (🏠) (@s04_en) June 7, 2020
Esbateu-se o fator casa? Nesta nova realidade, voltamos ao futebol sem aquela força dos adeptos às suas equipas (pelo menos nos estádios). Autênticos ambientes infernais criados para facilitar a vitória da equipa da casa e dificultar ainda mais a tarefa do adversário. Signal Iduna Park ou Estádio da Luz são dois exemplos bons disso mesmo.
Na Alemanha, na primeira jornada após a paragem, apenas uma equipa venceu em casa, com cinco delas a irem triunfar fora de portas. É certo, pode não querer dizer nada, até porque também temos de olhar para quem jogou fora e contra quem: se havia mais qualidade nos forasteiros ou não. Em todos os casos creio que os favoritos venceram, mas como na Primeira Liga Alemã já decorreram mais jornadas, podemos ver que as vitórias fora aconteceram quase sempre mais que aquelas que acontecem em casa. Quando não se verificou um número maior, verificou-se pelo menos um número igual.
E em Portugal? Bem, no nosso país houve empate entre vitórias fora de casa e vitórias ao domicílio. Curiosamente, equipas de que não daria como favoritas (excepto o Belenenses SAD) foram vencer ou empatar os seus jogos, algo que não é muito comum na nossa liga.
Em suma, creio que o “fator casa” está mesmo mais frágil e cabe às equipas que jogam fora aproveitar-se disso. Acima de tudo, penso que tem prevalecido o “fator qualidade” ou falta dela.
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Road to the semi-finals for @FCBayernEN 🚌
𝐅𝐢𝐫𝐬𝐭 𝐫𝐨𝐮𝐧𝐝
3-1 🆚 Energie Cottbus𝐒𝐞𝐜𝐨𝐧𝐝 𝐫𝐨𝐮𝐧𝐝
2-1 🆚 VfL Bochum𝐋𝐚𝐬𝐭 𝟏𝟔
4-3 🆚 Hoffenheim𝐐𝐮𝐚𝐫𝐭𝐞𝐫𝐟𝐢𝐧𝐚𝐥𝐬
1-0 🆚 Schalke 04#FCBSGE pic.twitter.com/9DQmsFguXA— The DFB-Pokal (@DFBPokal_EN) June 10, 2020
Os golos são parte essencial do espetáculo – Não há dúvida que é muito interessante ver um jogo de futebol para acompanhar as táticas e tentar perceber de que forma uma determinada equipa se dispõe em campo, mas ver uma partida na qual facilmente identificamos executantes de qualidade e na qual não há golos… Parece que fica a faltar qualquer coisa.
Na Alemanha, as equipas jogam num ritmo vertiginoso, onde é preferível vencer por 4-3 do que por 1-0. Em Portugal acontece o contrário. Existe um maior rigor tático, que muito valoriza o trabalho dos nossos treinadores, e pode dar a ideia que os executantes não são tão bons (o que em muitos casos até redunda numa análise injusta).
A verdade é que na Primeira Liga Alemã, o reinício contou com 27 golos marcados em nove jogos. Uma média de três golos por jogo que não nos desilude e que não é grande novidade. Porém, a “boa-nova” está na Primeira Liga Portuguesa. Estamos a falar de 23 golos na primeira jornada, que decorreu entre três e sete de Junho. Apenas houve um empate a 0-0 (onde talvez menos se esperava que ele acontecesse) e viram-se equipas com vontade de marcar, apesar de na ponta final das partidas se notar uma fadiga, normal da altura.
Isto é muito bom para a imagem do futebol português lá fora, apesar do que acontece fora do campo ser notícia pelos piores motivos. Aliás, o primeiro desafio desta nova jornada, que opôs Gil Vicente FC a FC Famalicão, acabou com quatro golos, pelo que o ritmo promete não abrandar. Estou contente com o tem acontecido dentro de campo e, sobretudo pela imprevisibilidade nos resultados finais.
Artigo revisto por Inês Vieira Brandão












