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E pronto: Paulo Bento despedido do Cruzeiro Esporte Clube depois de nem sequer ter estado oitenta dias ao serviço do clube de Minas Gerais. A Raposa está na zona de despromoção. Paira no ar o medo, a sofreguidão. Nunca antes na história dos azuis celestes a equipe de futebol jogou a segunda divisão. Lá, como cá, como quem diz, no brasil, como em Portugal, a culpa é de quem? Do treinador. Óbvio.
Paulo Bento caiu em desgraça. Noto isso na impaciência que os torcedores cruzeirenses por ora iam demonstrando. Alguns ainda estão com ele, clamando que o elenco é fraco e a direção mal organizada: chegam novos reforços para a Raposa num corrupio quase dia sim, dia não.
Peço desculpa, mas, neste momento, os treinadores portugueses são do melhor que há no mundo, ao nível do conhecimento do treino, dos métodos, etc, e digo isto sem qualquer tipo de nacionalismo.
Uma destas manhãs, num barbeiro – onde as ideias masculinas surgem com muita facilidade – falava com um camarada cruzeirenses e explicava-lhe que o Cruzeiro não iria tirar nenhum benefício na saída de Paulo Bento. Com a saída do técnico português, o que poderá melhorar? Os celestes irão para o terceiro treinador na época – Mano Menezes está confirmado; com o time na zona de despromoção e apenas com a Copa do Brasil para (realmente) poder disputar um título real e uma hipótese de chegar à Libertadores do ano vindouro.
Não me lembro de uma equipe que tenha sido campeã com trocas de treinadores a meio do ano – apenas o Flamengo em 2009, quando trocou Cuca por Andrade. Quanto mais com três técnicos.

Fonte: goal.com
Vamos por partes: Paulo Bento é um treinador difícil? É. Paulo Bento está nos cinco melhores treinadores portugueses da atualidade? Não, não está. Paulo Bento é uma pessoa de trato problemático? Pocha, sem dúvida. Mas é preciso ter paciência. O futebol brasileiro está morto (infelizmente) e tem de voltar a reorganizar-se e a soltar-se das amarras do passado. Mas não era apenas com Bento que o futebol Brasileiro se iria organizar… eu já escrevi sobre isso. Tinha que começar na base. A Série A do Brasileirão não pode ter tantas equipas.
Os calendários da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) são absurdos. Muitos jogos. Muitos minutos. Equipas que jogam em estádios diferentes todas as semanas: um dia em Manaus, noutro em Brasília… Há uma crise de identidade. No caso específico do Cruzeiro, a chegada de Mano Menezes e a saída de Paulo Bento, são vistas como uma fórmula mágica que só por si solucionará todos os problemas dos celestes. Mas não é só o Cruzeiro que está mal: o futebol brasileiro, meus amigos, parou no tempo! E digo isto com mágoa, porque é o futebol que mais me apaixona, mas neste momento não é o melhor, como já o foi. São ciclos. E o Brasil tem de se reinventar neste ciclo.
Tem de deixar a teoria do “orgulhosamente sós” e tem de se abrir. Tem de ter a humildade de reconhecer: “pessoal, antes dava, mas agora já não dá!”. A crise do futebol brasileiro é grave. Enquanto for mais importante um jogador dar três canetas no adversário ao invés de cumprir com os seus objetivos táticos, quase passando despercebido do jogo (esses são os melhores jogadores, aqueles cujo trabalho é quase invisível), isso não funcionará.
O Cruzeiro até poderia nem ter muito a ganhar ao ficar com Paulo Bento (pelo menos a curto-prazo; a longo nunca saberemos). Agora, e disso podem ter a certeza: a Raposa terá muito mais a perder com a expulsão de Paulo Bento deste barco em naufrágio.
Foto de capa: Cruzeiro EC








