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O treinador português Pedro Emanuel assumiu um clube mergulhado em dificuldades desportivas e institucionais, depois de Fernando Diniz e Renato Gaúcho. Em 25 jogos, soma 12 vitórias e conduziu o Vasco às meias-finais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. A eliminação frente ao Boca Juniors não apagou o sonho de conquistar um título. Agora, Pedro Emanuel prepara-se para defrontar Leonardo Jardim e Abel Ferreira em quatro dias, num momento decisivo da temporada.
Pedro Emanuel não chegou ao Vasco da Gama para herdar uma equipa estável, um projeto consolidado ou uma época encaminhada. Encontrou um clube de dimensão histórica, pressionado pelos resultados e envolvido numa realidade institucional complexa. Depois de duas passagens pelo banco que não corresponderam às expectativas, era preciso recuperar a competitividade e devolver à equipa uma direção. Pouco mais de três meses depois, o treinador português ainda tem desafios por superar, mas já conseguiu recolocar o Vasco na discussão de objetivos importantes.
A aposta de Admar Lopes, diretor de futebol do clube carioca, recaiu num treinador português de 51 anos, nascido em Luanda e com experiência acumulada em diferentes geografias do futebol. Pedro Emanuel assumiu o comando técnico a 16 de julho de 2026, depois de Fernando Diniz e Renato Gaúcho, dois nomes consagrados no futebol brasileiro que não conseguiram dar à equipa a estabilidade pretendida.
A estreia não foi auspiciosa. O Vasco perdeu por 0-1 frente ao Vitória, no Barradão, em Salvador. O resultado não anunciava uma mudança imediata, nem o contexto permitia esperar soluções rápidas. Pedro Emanuel entrou numa temporada em andamento, com um plantel já construído e a obrigação de encontrar respostas sob pressão.
Os números ajudam a avaliar o percurso. À entrada para o encontro com o Flamengo, o treinador soma 25 jogos oficiais pelo Vasco, com 12 vitórias, sete empates e seis derrotas. A equipa marcou 34 golos e sofreu 23, num balanço que abrange o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana. São 19 partidas sem derrota, um registo que traduz a capacidade de manter a equipa competitiva em diferentes frentes.
Um Vasco diferente depois de Diniz e Renato
O percurso não é uniforme. No Brasileirão, o Vasco continua a pagar o preço de uma época irregular e ocupa o 13.º lugar, com 38 pontos, depois da vitória por 3-2 sobre o Corinthians, em São Januário. A classificação obriga a manter os pés assentes na terra. Nas competições a eliminar, porém, a equipa encontrou espaço para crescer, superar adversários e alimentar uma ambição que parecia distante quando Pedro Emanuel chegou.
A presença nas meias-finais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana constitui o sinal mais expressivo dessa evolução. Não resolve os problemas estruturais do clube, mas demonstra que o Vasco recuperou argumentos para competir sob pressão. Nas eliminatórias, a concentração, a capacidade de adaptação e a eficácia nos momentos decisivos podem determinar o desfecho. A equipa conseguiu chegar longe em duas provas distintas, mantendo aberta a possibilidade de conquistar um troféu.
O treinador teve de trabalhar numa realidade em permanente mudança. A prioridade passava por estabelecer referências coletivas e criar uma estrutura capaz de responder às exigências competitivas, sem deixar que a pressão exterior condicionasse o rendimento dentro do campo.
A dimensão da temporada também se percebe no número de jogadores utilizados: 47 em todas as competições ao longo de 2026. Entre eles estão atletas que participaram apenas no campeonato estadual, numa fase em que o núcleo principal realizava a pré-época. O número não significa que Pedro Emanuel tenha trabalhado com todos durante a sua passagem, mas ilustra a rotação e as diferentes fases de preparação que marcaram a época vascaína.
O 13.º lugar no Brasileirão continua a expor as limitações do percurso. Ainda assim, as duas presenças nas meias-finais mostram que o Vasco ganhou capacidade para discutir jogos de elevada exigência. A equipa não encontrou estabilidade em todas as frentes, mas voltou a ter objetivos concretos pelos quais lutar.
Da esperança continental à luta por um título doméstico
Na Copa Sul-Americana, a caminhada terminou frente ao Boca Juniors. Depois de vencer por 0-1 na primeira mão, na La Bombonera, em Buenos Aires, o Vasco perdeu por 1-3 no Maracanã e ficou afastado da final. A eliminação foi um golpe duro, sobretudo depois de uma campanha que reavivou entre os adeptos a expectativa de voltar a disputar uma decisão continental.
O desfecho travou essa ambição, mas não apaga o percurso. O Vasco voltou a acreditar que podia competir por um troféu internacional e recuperar protagonismo numa prova sul-americana. A final ficou por alcançar; a possibilidade de conquistar um título, porém, continua viva na Copa do Brasil.
A recuperação desportiva aconteceu enquanto o clube atravessava outra fase de incerteza em torno da Sociedade Anónima do Futebol (SAF). A estrutura de propriedade voltou ao centro das atenções, num contexto em que as dificuldades institucionais coexistiam com a urgência dos resultados.
A 23 de outubro, os sócios aprovaram a venda de 90% da SAF à Almirante Participações, ligada a Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A operação ficou dependente dos procedimentos e das aprovações regulamentares necessários à mudança de controlo.
A coincidência não passa despercebida: enquanto o futuro empresarial do Vasco volta a estar em discussão, a equipa prepara-se para defrontar precisamente o Palmeiras na luta por um lugar na final da Copa do Brasil. São duas dimensões distintas, mas ambas relevantes para um clube que procura recuperar estabilidade e voltar a construir perspetivas de sucesso.
A entrada de um novo grupo de controlo não resolve, por si só, os desafios desportivos, financeiros e organizacionais do Vasco. Ajuda, contudo, a compreender o contexto em que Pedro Emanuel tem desenvolvido o seu trabalho: sem tranquilidade institucional e com a necessidade de apresentar resultados num clube habituado a uma exigência elevada.
A eliminação frente ao Boca Juniors fechou uma porta. A Copa do Brasil oferece agora a possibilidade de transformar a recuperação competitiva numa conquista. Para o Vasco, chegar à final e lutar pelo troféu representaria mais do que um bom resultado: seria uma oportunidade de dar expressão concreta ao progresso alcançado durante a temporada.

Dois treinadores portugueses, dois testes decisivos para o Vasco
A exigência aumenta agora. Em apenas quatro dias, Pedro Emanuel vai defrontar duas equipas orientadas por treinadores portugueses, em jogos com peso específico na reta final da época.
Na quinta-feira, 29 de outubro, o Vasco recebe o Flamengo, de Leonardo Jardim, para o Brasileirão. O clássico exige uma resposta imediata e vai testar a capacidade da equipa para transportar para o campeonato os sinais positivos deixados nas competições a eliminar. Depois do triunfo sobre o Corinthians, uma nova vitória permitiria reforçar a posição na tabela e ganhar margem num campeonato em que a regularidade continua a ser um problema.
Para Pedro Emanuel, o encontro é também uma oportunidade para demonstrar que a equipa pode apresentar um rendimento consistente no campeonato, e não apenas nas eliminatórias. O Vasco precisa de transformar os bons momentos em pontos e evitar que a irregularidade comprometa a reta final da temporada.
No domingo, 1 de novembro, chega outro desafio de dimensão máxima: a primeira mão das meias-finais da Copa do Brasil, frente ao Palmeiras, de Abel Ferreira, em São Paulo. A segunda mão está prevista para 8 de novembro, em São Januário. A eliminatória abre ao Vasco uma possibilidade concreta de chegar à final e lutar por um título.
Leonardo Jardim e Abel Ferreira têm percursos reconhecidos no futebol internacional e conhecem bem as exigências do contexto brasileiro. Pedro Emanuel procura afirmar o seu próprio trabalho perante dois adversários de elevado nível e num calendário que deixa pouco tempo para recuperar entre jogos.
A gestão do desgaste, a disponibilidade física dos jogadores e a capacidade de equilibrar as duas competições serão determinantes. O Flamengo coloca à prova a resposta no campeonato; o Palmeiras pode abrir a porta a uma final. Os resultados terão impacto não só na classificação e na continuidade na prova, mas também na avaliação do trabalho desenvolvido pelo treinador português.
Treinador português foi aposta pessoal de Admar Lopes
A escolha de Admar Lopes ganha particular relevância quando se considera o ponto de partida. O diretor de futebol apostou num treinador que chegou depois de duas figuras de grande notoriedade no futebol brasileiro e que teve de conquistar espaço através dos resultados. Pedro Emanuel ainda não conseguiu resolver as dificuldades do Vasco no campeonato, mas conduziu a equipa às meias-finais de duas competições e manteve aberta a hipótese de conquistar um troféu.
O percurso não terminou como os adeptos desejavam na Copa Sul-Americana. Ainda assim, a campanha continental devolveu ambição a uma equipa que precisava de voltar a acreditar nas suas possibilidades. A Copa do Brasil representa agora a oportunidade de transformar essa recuperação numa conquista, enquanto o Brasileirão continua a exigir pontos e maior regularidade.
Pedro Emanuel encontrou um clube pressionado dentro e fora do campo. Em vez de uma solução imediata para todos os problemas, ofereceu uma resposta competitiva: levou o Vasco a discutir duas eliminatórias importantes e manteve a equipa na luta por um título numa época marcada pela incerteza.
Agora, os desafios são Leonardo Jardim e Abel Ferreira. Dois treinadores portugueses, dois jogos de exigência máxima e uma oportunidade para Pedro Emanuel dar ainda mais consistência ao trabalho desenvolvido no Brasil.
A dimensão de um trabalho também se mede pelo ponto de partida. Pedro Emanuel encontrou um Vasco em dificuldade e devolveu-lhe razões para acreditar numa final e num título. O próximo passo será provar que essa esperança pode transformar-se numa conquista.












