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Roubaram o futebol do povo brasileiro

César Mayrinck · 3 min

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O futebol é o esporte mais popular do mundo. Milhões de pessoas espalhadas pelos quatro cantos do planeta acompanham e até praticam o esporte como lazer. Estamos falando de pessoas extremamente diferentes umas das outras. Para ser adepto do esporte é apenas necessário gostar de futebol. Esse é o único requisito. O futebol sempre foi agregador, porém com o tempo essa mistura de raças e pessoas está se perdendo. Para nos situarmos melhor, vamos falar do futebol brasileiro. No Brasil, o futebol sempre uniu as pessoas nos estádios. Não importa a raça, a orientação sexual, o poder aquisitivo ou o gênero. As arquibancadas dos nossos estádios tinham todo tipo de gente. Agora esse cenário parece ter mudado, pelo menos a questão financeira do indivíduo passou a ser determinante no seu ingresso ao estádio.

Atualmente existe uma exclusão quase que total das pessoas de baixa renda que costumavam frequentar os estádios brasileiros para apoiar o seu time. Na primeira divisão nacional a maioria das equipes cobram valores exorbitantes para o atual poder de compra do povo brasileiro. No Brasil tudo é caro. A cesta básica é cara; plano de saúde é caro; roupas são caras; eletrônicos são caros; ou seja tudo é muito acima do poder aquisitivo da maior parte da população. Mediante a isso temos altos impostos – o que eleva o valor de qualquer produto – e uma péssima qualidade na saúde pública, na segurança e ainda padecemos pela falta de investimentos em nossas escolas. O brasileiro é pressionado a todo momento e muitos encontram justamente no futebol a sua alegria e o seu momento para relaxar um pouco. Para quem gosta do esporte não há programa melhor do que ir a um jogo de futebol com os amigos ou com a sua família. Mas como um torcedor assalariado vai a um jogo de futebol com a sua esposa e seus dois filhos pagando 50 reais por cada ingresso? O valor total é superior a 20% do salário mensal da pessoa.

Para ilustrar melhor o valor dos ingressos no Campeonato Brasileiro da Série A, podemos ver abaixo o valor dos ingressos de algumas partidas que acontecem nos próximos dias.

Jogo: Fluminense x Corinthians

Local: Maracanã – Rio de Janeiro

Valor do ingresso: Varia entre R$ 40,00 e R$ 50,00

 

Jogo: Avaí x Cruzeiro

Local: Ressacada – Florianópolis

Valor do ingresso: Varia entre R$ 50,00 e R$ 100,00

Jogo: Palmeiras x Avaí

Local: Allianz Parque – São Paulo

Valor do ingresso: Varia entre R$ 90,00 a R$ 200,00

 

Jogo: Coritiba x Atlético Mineiro

Local: Couto Pereira – Curitiba

Valor do ingresso: Varia entre R$ 70,00 a R$ 140,00

Os exemplos acima foram bem diversificados – cada um de uma praça diferente – e que nos demonstra que não importa o local, pois o ingresso tende sempre a ser caro. Destaque para o alarmante valor do ingresso para o jogo do Palmeiras, em casa.

Essa semana o ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, disse que o futebol não é coisa para pobre e defendeu a ideia de se cobrar um alto valor para a aquisição dos ingressos. Infelizmente o cenário do atual futebol brasileiro não permite que os pobres de fato sejam incluídos. Entretanto, o Kalil erra ao defender essa ideia. O futebol é feito por pobres para os pobres. O torcedor de antigamente não se importava de assistir o jogo em pé na geral. Ele queria era estar no campo. Quem quisesse mais de conforto pagava um pouco mais para ir na arquibancada ou na cadeira.

Protesto dos torcedores do São Paulo contra o valor do ingresso cobrado pela diretoria do clube Fonte: Ernesto Rodrigues/Folhapress
Protesto dos torcedores do São Paulo contra o valor do ingresso cobrado pela diretoria do clube
Fonte: Ernesto Rodrigues/Folhapress

Se faz necessário os clubes criarem uma política de inclusão. É evidente que os clubes necessitam de receita para tentarem manter as suas contas em dia. Mas nada é mais importante que o torcedor. Nem que para isso seja criado um teto de vencimento para a folha salarial do elenco.

Parece uma postura radical, mas talvez acabasse com a justificativa de se cobrar altos valores de ingressos para poder pagar os altos salários dos jogadores. Por todo Brasil já começaram as manifestações dos torcedores em relação ao tema. Enfim é um assunto que precisa ser debatido em todos os meios relacionados ao futebol, incluindo a imprensa. Não tem como não ser nostálgico e sentir saudades dos velhos Mineirão, Maracanã, Fonte Nova entre outros estádios. Torcer no estádio era diferente. Futebol “Gourmetizado” não é cara do futebol brasileiro.

César Mayrinck

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