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Treinador português para mais do que um mês

Diogo Fresco · 3 min

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O sucesso de Jorge Jesus não foi apenas traduzido pelos troféus. A forma como os obteve foi surpreendente. O futebol diferenciado que baseou a equipa do Flamengo assentou num método próprio, claro está; mas também numa característica óbvia: a contratação de peças nucleares que obedecessem a essa ideia.

Pode-se dizer com todas as letras que deixou a porta escancarada ao ingresso de treinadores estrangeiros, nomeadamente de portugueses. Com uma bela reputação nos quadros do futebol profissional atual, os seus conterrâneos dessa classe profissional figuram em clubes de respeitável figurino.

Há bem pouco tempo, viu-se Paulo Bento entrar e sair do Cruzeiro. Antes e mesmo com a chegada de Jesus, qualquer treinador “gringo” era alvo de uma reprovação quase imediata.

Fora escrutínios precipitados, a realidade é que a vida de treinador é cada vez mais assim. Será muito comum vermos a direção de equipas em crise de resultados recorrer sistematicamente às ditas chicotadas. Não será estranho, em média, registar-mos três técnicos por época.

Jesualdo Ferreira vem ao encontro do perfil de Jesus. Aliás, é seu mentor! Jesualdo é o professor dos misters portugueses. Carlos Queiroz foi, inclusive, seu aluno na faculdade.

Também com a sua metodologia própria, é talvez o trabalho individual jogador a jogador que lhe confere especialização. Zidane, Quaresma, Lisandro López, Falcao, são jogadores que beneficiaram disso!

Conhecedor profundo das teorias que envolvem a abordagem ao jogo, com uma experiência prática indubitável, e sem exercício ainda prestado nas Américas.

Tem 73 anos, estando num estado bastante bem conservado. Com passagens por Portugal, Marrocos, Espanha, Grécia, Egito, Catar, segue-se agora o Brasil.

Fonte: Al-Sadd

Os brasileiros são um povo muito apaixonado, parafraseando Jesus. São um povo muito emotivo. Os canais desportivos são extremamente especulativos, as matérias assentam muito em coisas hipotéticas, ou mesmo incomparáveis. O enquadramento dos conteúdos veiculados pelas estações televisivas passa por chegar a uma conclusão inconclusiva: “Algum time brasileiro vencia o campeonato português; ou algum time português vencia o Brasileirão; Ronaldo e Messi melhores ou piores do que Pelé”, etc. A lei da maioria não se aplica a determinações parcialmente exequíveis, a meu ver.

A caminhar para o 40º aniversário da sua carreira de treinador, Jesualdo irá encontrar situações novas. Por muita experiência que tenha, julgo que entra num contexto muito particular do futebol. O ninho do futebol. Onde mais jogadores de qualidade são exportados. Um lugar em que o futebol das ruas, dos parques, das areias, de qualquer lugar amplo, predomina ainda . Porém, neste momento, discute-se mais do que se joga. Um problema cada vez mais generalizado.

Jesualdo Ferreira tem personalidade, assim como Jesus. Evitando comparações inevitáveis, é dos poucos que já treinou os três grandes (e o Braga), vem substituir um treinador estrangeiro (Sampaoli), é visto como um professor. Talvez lhe vão chamar mister, pois Jesus assim o quis para consigo, mas aqui neste caso, professor no amplo sentido do termo encaixaria bastante bem!

Amortecido pelo que JJ incutiu, encontra uma equipa bastante bem preparada. Foi segundo classificado, tem craques como Soteldo, Cueva; Kaio Jorge a surgir, mas perdeu Jorge, um lateral de grande qualidade. Para montar o seu sistema predileto, que é o 4-3-3, Jesualdo precisa de laterais fortes: um mais ofensivo, outro mais defensivo; de dois médios com versatilidade suficiente para construir, contribuindo também com critério ofensivo de excelência. A posição seis assume-se também como chave mestra deste esquema. No ataque, avançados soltos com capacidade de deambular.

Para o último terço, seria interessante ver a inclusão de Quaresma nesta equipa, visto ser um virtuoso. Deixando de lado patriotismos, e a relação entre o treinador e o extremo, Quaresma joga bonito, horizontal, vertical ou diagonalmente. A a transição que se pede no Brasil beneficiava com o contributo de um dos jogadores mais fora da caixa que tivemos o prazer de ver jogar.

Foto de Capa: Santos FC

Diogo Fresco

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