Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
O dia 8 de Março de 2017 deixou uma marca que muito dificilmente se apagará da história do futebol. Daqui a 100 anos ainda se falará de uma equipa que se superou além da imensidade do seu talento e mostrou ao mundo que quem acredita e faz acreditar, tem o poder de ultrapassar as fronteiras daquilo a que é conhecido como o impossível.
O Barcelona, declaradamente ao ataque, ao derrotar um PSG venenoso no contra-ataque, por 6-1 depois de perder por 4-0 em Paris assinou, provavelmente, a maior recuperação de sempre na história da Liga dos Campeões, suplantando todas as outras.
Essas tais outras, porém, não devem ser entregues ao esquecimento, porque revelaram, igualmente, doses enormes de crença, sacrifício e superação.
Assim, dado o contexto da histórica recuperação blaugrana, e, já agora, a do supreendente Mónaco de Jardim sobre o Manchester City de Guardiola, olhamos para outras reviravoltas históricas em eliminatórias (sim, inclui finais) na “era Champions” (desde 1991/92). Curiosamente, tal como a “remontada” do Barça, a nossa viagem começa em Paris…
10. Chelsea FC 3-3 Paris SG, Quartos-de-final de 2013/14

Fonte: DailyMail
Uma jogada genial de Pastore, que tirou David Luiz, Matic, Lampard e John Terry do caminho rumo ao golo, colocou um ponto final no primeiro jogo da eliminatória. O 3-1 em Paris dava algum conforto a um PSG que, para além do argentino, tinha nas suas fileiras Cavani, Lavezzi, Matuidi e… Zlatan.
Na segunda mão, José Mourinho, na altura treinador do Chelsea, não começou por correr muitos riscos porque sabia do impacto negativo que um golo parisiense podia ter. Adoptou uma postura cautelosa durante grande parte do jogo.
Foi preciso esperar até aos 66 minutos para ver o Chelsea correr riscos (já estava a vencer por 1-0, golo de Schurrle) – Demba Ba substituiu Lampard e passou a fazer companhia a Eto’o. Não resultou. Aos 82 Mourinho fez entrar Torres para o lugar de Oscar. A equipa passou a jogar de forma mais directa, com três pontas-de-lança e um central (cahill) na àrea. Podia ter corrido muito mal, mas acabou por correr lindamente.
Aos 87 minutos, fruto da superioridade numérica, uma bola disputada àerea disputada por Cahill ressalta para Eto’o, este perde o ressalto mas a bola sobra para Azpilicueta que dispara para a pequena àrea, onde aparece Demba Ba a concluir e a dar vantagem ao Chelsea na eliminatória. Mourinho percorreu a linha de fundo para … dar instruções que foram devidamente cumpridas pelos seus jogadores – o Chelsea seguiria para as meias-finais, onde, porém, cairia aos pés do Atlético de Madrid.
9. Bayern de Munique 6-4 Juventus, Oitavos-de-final de 2015/16

Fonte: Goal.com
Esta eliminatória não conheceu, propriamente, uma recuperação de um resultado menos bom trazido da primeira mão, mas aparece aqui pela série de reviravoltas nos dois jogos.
O primeiro, em Turim, teve um início frenético, com o Bayern a ditar as leis do jogo até conseguir cimentar a sua supremacia, com dois golos aos 60 minutos. A Juventus acordou da anestesia que a pressão alta do Bayern lhe tinha injetado, e ainda foi a tempo de reduzir, por Dybala e igualar, por Morata.
No segundo, em Munique, foi a Juventus que, patrocinada por um desastre defensivo colectivo, entrou a mandar – aos 28 minutos, já vencia por 2-0 com golos de Pogba (saída suicida de Neuer) e Cuadrado. Um resultado que se manteve até ao minuto 72, altura em que Lewandowski subiu mais alto que toda a gente e reduziu, dando esperança e crença na igualdade da eliminatória, que surgiria à passagem do minuto 90, com golo de Muller, cortesia de Coman, curiosamente emprestado pela Juventus.
O mesmo Coman que, no prolongamento, viria a fechar o marcador, depois de Thiago ter consumado a reviravolta, num sprint galopante desde uma àrea à outra: 4-2 no final do encontro que levou o Bayern aos quartos-de-final da prova, onde viria a eliminar (com muito custo) o Benfica, antes de cair nas meias, aos pés do Real Madrid.
8. Bayern de Munique 4-4 Manchester United, Quartos-de-final de 2009/10

Fonte: BBC
À semelhança da eliminatória que revisitamos antes desta, o Bayern – Manchester de 09/10 não traz a recuperação de um resultado de uma eliminatória para a outra. Esta, porém, tem a particularidade de conhecer duas “reviravoltas” pela mesma equipa, o Bayern, nas duas mãos e que lhe garantiram a continuidade na prova, travada apenas na final, aos pés do Inter… de Mourinho.
Na primeira mão, Rooney colocou os red devils em vantagem e silenciou o Allianz Arena durante muito tempo. A margem mínima favorável ao United permaneceu até ao intervalo e prolongou-se até aos 77 minutos, altura em que Ribery reduziu. O Bayern galvanizou-se, e depois de algumas oportunidades falhadas, consumou a reviravolta por Olic. 2-1.
Este resultado não trazia conforto nenhum aos alemães. Afinal, jogavam em Old Trafford, um palco sempre temível, e contra uma equipa que tinha por hábito cilindrar os adversários com entradas pujantes. O Bayern não conseguiu lidar com isso. Aos 7 minutos perdia por 2-0 (Gibson e o nosso Nani marcaram) e podia estar a perder por muitos mais não fosse a “boa vontade” do ataque inglês.
Chegados aos 40 minutos, Nani bisou e aumentou a vantagem para 3-0. Pensou-se que a eliminatória estaria resolvida. Os rapazes de Van Gaal (na altura, no Bayern) estavam apáticos e parecia não haver maneira de contornar a situação… até que chegou o croata milagreiro, a arma secreta do costume – Ivica Olic reduizu e deu esperança, antes do intervalo.
A segunda parte conheceu um jogo mais monótono… mas um golpe de mestre de Robben tratou de agitar as àguas – Canto batido ao segundo poste por Ribery de forma tensa, a bola chega ao pé esquerdo de Robben que atira, de primeira para o fundo das redes de Edwin Van Der Sar com um quarto de hora de jogo por disputar.
Até final, as melhores oportunidades pertenceram ao Bayern, que, apesar da derrota, seguiu em frente fruto dos dois golos marcados fora de portas.
7. Chelsea FC 5-4 SSC Nápoles, Oitavos-de-final de 2011/12

Sportskeeda.com
O 3-1 trazido do San Paolo (onde até começou a ganhar), aliado ao facto de um treinador querido (André Villas-Boas) pelos jogadores ter abandonado o clube, não faziam antever nada de bom para o futuro do Chelsea na edição 2011/12 da Champions League.
Di Matteo foi chamado para substitiur o português e assumiu o comando técnico dos blues na segunda mão da eliminatória.
Afagados, os jogadores do Chelsea cederam as primeiras oportunidades do jogo ao Nápoles. Não sendo concretizadas, elevaram a moral de Stamford Bridge, que começou a acreditar na reviravolta quando Didier Drogba fez o 1-0.
Na segunda parte, um golo de Terry colocou os blues em vantagem, mas Inler, num disparo à entrada da àrea, pôs travão a uma euforia que deu lugar à ansiedade.
As oportunidades sucediam-se, mas parecia não haver volta a dar… até surgir um penalty caído do céu. Chamado à conversão, Lampard igualou a eliminatória.
O jogo foi para prolongamento, num contexto difícil, mas Ivanovic tratou de o descomplicar – sob o final da primeira parte do tempo extra, finalizou jogada pensada por Ramires e deu uma vantagem que segurou o Chelsea na Champions.
Nos quartos-de-final, surgiria o Benfica, igualmente eliminado por uma equipa que …viria a vencer a prova.
6. Manchester United 4-3 Juventus, Meias-finais de 1998/99

Fonte: Manchester United
As últimas meias-finais da Champions no século passado brindaram-nos com um confronto de gigantes. A Juventus de Ancelloti, onde pontificavam nomes como os de Zidane, Davids, Antonio Conte (olha quem!) ou Inzaghi enfrentava o United de Sir Alex Ferguson, que comandava históricos como David Beckham, Roy Keane, Ryan Giggs, Paul Scholes ou a eterna dupla atacante – Dwight York/Andy Cole.
O espectáculo estava garantido. E não defraudou as expectativas. Na primeira mão, em Old Trafford, A Juve adiantou-se por… Conte! O agora técnico do Chelsea recebeu um passe cheio de açucar de Edgar Davids (sem óculos, neste jogo), e deixou por terra Peter Schmeichel (campeão pelo Sporting no ano seguinte).
O United tentou furar o catenaccio e dar a volta ao marcador, mas a baliza de Peruzzi parecia protegida por algum tipo de feitiço que só foi quebrado nos descontos – um miúdo chamado Ryan Giggs concluiu uma jogada confusa em plena àrea bianconera.
O 1-1 trazido de Old Trafford, porém, podia não chegar ao United. Afinal, vencer em Turim era dificílimo, dada a forma como esta Juve se organizava defensivamente. Inzaghi complicou a tarefa dos red devils. Marcou, não uma, mas duas vezes! 2-0. Marcar à Juve já tinha sido complicado em Old Trafford, imagine-se agora, em Turim.
O United reduziu, mas teve de sofrer. Valeu-lhe um corte crucial de Nicky Butt sobre a linha de golo e a consequente reacção – Cole assistiu York e, assim, sem mais nem menos, a eliminatória que se julgava impossível de contrariar, estava contrariada – 2-2 ainda na primeira parte, em Turim, contra uma super-Juventus.
A Juve reagiu, ainda marcou (por Inzaghi, claro), mas em fora-de-jogo. O United, porém, aumentaria a vantagem. 3-2 no final do jogo, que dava o passaporte para uma final lendária… que vamos tratar uns números mais à frente.
5. FC Barcelona 6-4 Chelsea FC, Quartos-de-final de 1999/00

Fonte: DailyMail
Nem o Chelsea nem o Barcelona tinham as equipas que tinham agora, mas esta não deixava de ser uma eliminatória entre duas grandes equipas. O Chelsea tinha a magia dos pés de Zola e o oportunismo de Tore Andre Flo, o Barcelona tinha Luís Figo, Rivaldo, Xavi (sim, já), Guardiola (sim, esse!) ou Simão Sabrosa.
Em Stamford Bridge, o Chelsea agigantou-se e depois de uma entrada fulgurante, com golos de Zola (cobrança exemplar de livre directo) e Flo, conseguiu ampliar, na segunda parte, com um chapéu do segundo.
O Barcelona conseguiu reduzir para 3-1, cortesia de Figo, a concluir uma jogada iniciada por si, e adornada, a 1,2 toques, por Rivaldo e De Boer.
A segunda mão, em Camp, trouxe um Barcelona galvanizado (os adeptos prepararam uma coreografia especial, que dizia,apenas “2-0”), e de tracção à frente. Resultado : 2-0 aos 40 minutos, golos de Rivaldo e Figo. Estavam atendidos os desejos dos adeptos blaugrana.
Porém, um erro do guarda-redes Ruud Hesp, viria a esmorecer os ânimos. O “portero” holandês entregou a bola ao único par de pés que não a devia receber – Tore Andre Flo. 2-1.
O Barcelona criou, então ansiedade. A equipa carregava, com muito coração, mas pouca cabeça, e até esteve perto de marcar, mas Dani, que havia sido contratado ao Maiorca revelou-se demasiado perdulário.
Porém, não há duas sem três, e Dani marcaria mesmo, igualando a eliminatória. O jogo ia para prolongamento, com Camp Nou em êxtase. Tudo se tornou mais fácil. Rivaldo, de pénalti, e Kluivert, fixariam o 5-1 final.
O Barcelona seguiria, então, para as meias-finais, onde viria a ser eliminado por um super-Valência.
4. AS Mónaco 5-5 Real Madrid CF, Quartos-de-final de 2003/04

Fonte: AS Monaco
Em cada 100 pessoas, 99 diriam que o Real ia passar esta eliminatória. Era o tempo dos galáticos Zidane, Ronaldo, Figo, Beckham. Era a busca incessante pela 10ª, dois anos depois de se ter conquistado a 9ª. Se havia equipa favorita a vencer a Champions, era o Real. Não interessava o adversário que apanhasse. Esse seria sempre colocado em segundo plano. As pessoas ligavam a televisão para ver o Real, e não “os outros”.
“Os outros”, porém, tinham como estudar o Real, ainda que isso lhes pudesse de valer de pouco como ficou confirmado na primeira mão desta eliminatória. “Os outros” até começaram a vencer, com um golo de Schilacci.
Mas os galáticos deram a volta. Ronaldo, Figo, Helguera e Zidane sentenciariam, pensou-se a eliminatória. Com 4-1, “os outros” não conseguiriam virar a eliminatória. Viriam a reduizr, é certo, a sete minutos do fim. Morientes marcou numa casa onde outrora estivera do outro lado e fez o 4-2, mas mesmo assim, era impossível acontecer uma catástrofe na casa dos “outros”.
O Real Madrid começou a ganhar e tudo. Raúl inaugurou o marcador. Era impossível ver o Real sofrer três golos. Era. Deixou de ser. Com uma alma gigantesta, os “outros” ganharam nome, passaram a chamar-se “AS Monaco” e partiram para uma reviravolta épica, começada e terminada em Giuly.
O pequenino genial do principado, depois de empatar a 1 golo o jogo da 2ª mão, com um disparo do meio da rua, foi mais longe e, na segunda parte, depois de Morientes ter “molhado a sopa” com mais um cabeceamento mortífero, consumou a reviravolta. 3-1. Estava feito o impossível.
Os gigantes galáticos, de tão perturbados, não se levantaram mais. O AS Mónaco só parou na final, perdida (0-3) para o enorme FC Porto de Mourinho.
3. Manchester United 2-1 Bayern de Munique, Final de 1998/99
[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=YnecJa5satA”]
Camp Nou pode ter visto muita coisa incrível acontecer (temos um bom exemplo recente, aliás), mas nunca se esquecerá do final de tarde/noite de 26 de Maio.
Não havia lugares de sobra para assistir a uma final entre dois gigantes da altura. O Manchester United, do qual já falamos há 3 jogos atrás, e o Bayern, construído quase mecânicamente por entre uma defesa segura por Kahn e Matthaus e um meio-campo onde Effenberg e Jeremies chegavam para as sobras de um ataque encabeçado por Mario Basler e Carsten Jancker.
Os alemães não podiam ter um melhor começo de jogo. Aos 5 minutos Basler, de livre, traiu Peter Schmeichel e levou ao delírio os muitos alemães que viajaram até Barcelona e fazendo esmurecer o espírito de conquista do United.
O Bayern continuou a exercer, portanto, o seu domínio, e esteve perto de o manifestar no marcador, mas Memet Scholl atirou à trave num lance que viria a ser abordado por Schmeichel alguns anos mais tarde – “Quando a bola bateu na barra eu não estava a olhar para trás porque pensava que já tinha entrado”.

Fonte: Sportskeeda.com
Uns quantos minutos depois, Jancker, em plena àrea dos red devils, rematou, de costas para a baliza, e a bola teve o mesmo destino. Schmeichel, confessou, julgou-se protegido.
Foi assim, a resistir a uma pressão sufocante, que o Manhcester United sobreviveu até ao último suspiro do tempo regulamentar. Quando bateu o minuto 90, o United ganhou um canto. Chamado à conversão, David Beckham apontou à cabeça de Peter Schmiechel. Este ganhou nas alturas, mas a bola sobrou para os jogadores do Bayern que, por sua vez, a devolveram para os pés de Ryan Giggs. Este rematou, já em desespero, para a àrea, e estava lá Teddy Sheringham a concluir o lance. 1-1.
2 minutos depois, quando já se estava a gerir a euforia e a pensar no prolongamento, Solskjaer ganha um canto. Beckham, outra vez chamado à conversão, encontrou Sheringham, este cabeceou para a zona da pequena àrea, onde aparceu Solskjaer, a concluir o lance. 2-1.
Em 2 minutos, o destino da Champions de 1999 ficou de pernas para o ar (como Schmeichel, na foto de capa deste artigo), e o vencedor passou a ser outro. O United das reviravoltas.
2. Dep. Corunha 5-4 AC Milan, Quartos-de-final de 2003/04
[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=z3Sb_a1RVKE”]
O Milan, campeão europeu e com nomes dignos desse estatuto – Pirlo, Maldini, Seedorf, Kaká, Rui Costa ou Shevchenko são exemplos – era, por estes motivos e outros, considerado favorito nesta eliminatória. Embora, claro, não encontrasse um Deportivo qualquer. Este era um Super Depor, que se mantinha à altura dos pergaminhos da equipa que se sagrou campeã nacional, quatro anos antes, e que também tinha jogadores cheios de qualidade como Juan Carlos Valerón (um génio), Diego Tristán, Walter Pandiani (matadores), Mauro Silva (incansável rcuperador de bolas, ou o centralão Jorge Andrade.
A primeira mão, disputada em San Siro, trouxe um Milan empenhado em resolver a eliminatória em casa. Entrou “com a pilha toda”, mas foi o Depor a inaugurar o marcador – Pandiani, de cabeça, inaugurou o marcador.
O Milan continuou a carregar, e conseguiu tirar dividendos disso – Kaká, adornou a bola no joelho esquerdo e, sem deixar cair, atirou a contar para o empate. 1-1 ao intervalo.
A segunda parte conheceu uns nerazurri mais eficazes. Shevchenko, num lance de génio em que conm um toque, tirou dois adversários do caminho antes de trocar as voltas a Naybet, consumou a reviravolta; Kaká, num disparo à entrada da àrea, aumentou a vantagem; Pirlo, num livre batido como só ele sabe, fechou o marcador. 4-1.

Fonte: Goal.com
Perante resultado tão pesado, o Deportivo parecia ter o destino traçado. Por muito que o Riazor fosse uma fortaleza, tinha a missão impossível de vencer os campeões europeus por, pelo menos, 3-0.
O Depor, claro está, abordou o jogo de forma muito ofensiva, correndo o risco de sofrer golos, mas contou com a “estrelinha” da ineficácia milanesa. Perante isto, e como “quem não marca sofre”, foram os galegos a inaugurar o marcador: Pandiani, ainda antes dos 5 minutos, começou uma revolução mágica,que teve continuidade nos golos de Valerón, aos 35 e Luque aos 44. 3-0!
Meio-jogo, e um resultado de 4-1, frente aos campeões europeus estava virado! Há quem diga que foi a melhor primeira parte de sempre no Riazor. O Milan teve de arregaçar as mangas e ir atrás do resultado, Ancellotti lançou Inzaghi, Serginho e Rui Costa, mas dali não tirou nada.
O Depor fez história e seguiu em frente. Sonhou-se muito, mas o FC Porto de José Mourinho estava no caminho.
1. AC Milan 3-3 Liverpool FC, Final de 2004/05
[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=r_yO2_mjP34″]
O tal Milan de Ancelotti de que falámos no número anterior aparece, outra vez, como vítima de uma recuperação incrível. Depois de ficar embasbacado com a fúria do Riazor, chegava a vez de um Liverpool cheio de alma roubar o sonho de mais uma Champions, com outra reviravolta fantástica naquela que terá sido, provavelmente, a final mais emocionante da história da competição.
O jogo, claro está, começou a correr de feição aos milaneses. Entraram com uma pujança incrível (“uma das melhores primeiras partes de uma equipa minha”, disse Ancelotti) para cima de um Liverpool que se limitou a ver jogar uma frente de ataque de luxo, composta por Crespo e Shevchenko, e suportada por um tridente super-talentoso, capaz de colocar Rui Costa no banco – Seedorf, Kaká (principalmente ele) e Pirlo.
O resultado começou a compôr-se logo no primeiro minuto, com Maldini, a rematar de raiva, no coração da àrea, para o fundo das redes de Dudek.Depois, entrou o tal show privado da frente de ataque. Crespo finalizou, em grande estilo, aberturas deliciosas de Shevchenko e Kaká e aos 43 minutos, o resultado era 3-0 para os rossoneri.
Ao intervalo, Gerrard fez uso da braçadeira para galvanizar a equipa e Benítez, treinador dos reds, fez entrar Didi Hamman, médio defensivo, retirando Finnan, lateral direito. Uma substituição que se revelaria fulcral para o que viria a acontecer (conforme confirmou Gerrard em entrevista póstuma).

Fonte: Soha.vn
Com esta alteração, o Liverpool ganhou superioridade numérica no meio-campo, neutralizou as investidas do ataque rossoneri, e passou a ter mais bola, com Gerrard e Xabi Alonso em zona de construção ofensiva.
Com mais bola, os reds ganharam confiança, e com confiança, passaram a aproximar-se da baliza do Milan. Aos 53 minutos, Gerrard deu o mote para a recuperação,com um golpe de cabeça (!) Smicer seguiu o exemplo do capitão e, 2 minutos depois, reduziu para 3-2 num disparo de longe. Aos 60 minutos, Gerrard, em nova cavalgada rumo à baliza milanesa, ganhou posição a Gattuso, e sofreu falta dentro da àrea. Penalty! Xabi Alonso, apesar de permitir a defesa a Dida, fez golo na recarga. 3-3! Em seis minutos, o jogo ficou de pernas para o ar.
O Milan sossegou o ímpeto dos reds e o jogo arrastou-se para um prolongamento, onde Dudek viria a brilhar. O polaco defendeu os penatlis de Serginho, Pirlo e, por fim, de Shevchenko e consumou uma recuperação que vai ficar para sempre na história do futebol.
Foto de capa: Goal.com














