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A Liga dos Campeões é o troféu europeu mais importante a nível de clubes. A participação é sempre um motivo de orgulho e todas as equipas têm como objetivo chegar o mais longe possível nesta competição. Para algumas, a conquista é quase vista como uma obrigação.
Foi criada em 1955 e teve a designação de Taça dos Campeões Europeus até 1992, quando a UEFA alterou o nome por motivos publicitários. O Real Madrid é o máximo vencedor da prova, com 13 conquistas, seguido do AC Milan com 7 e do Liverpool com 6. Desde o início do século, o Barcelona e o Real Madrid são os reis do torneio, com 10 títulos arrecadados em 20 edições.
Tanto o FC Porto como o Benfica contam com duas conquistas, sendo que os dragões alcançaram esse feito histórico em 2004, elevando o nome de Portugal. Desde esse momento, o máximo que uma equipa portuguesa conseguiu chegar foi até aos quartos de final.
As finais da Liga dos Campeões são sagradas para o verdadeiro adepto do futebol, que, certamente, fica com detalhes dessas partidas gravados na memória (como o resultado, os marcadores, as equipas iniciais, o estádio e principalmente os golos, pois são esses que ditam a emoção desses duelos empolgantes).
Nas páginas seguintes, podem consultar quais foram, na minha opinião, as melhores finais da prova rainha europeia do século XXI.
Nota: A mítica remontada do Manchester United sobre o Bayern Munich foi um ano antes da viragem de século, o que impossibilita a colocação nesta lista. Um ano mais tarde e estaria seguramente no top.
5.
Liverpool x AC Milan (2004/2005)- Poucos momentos desportivos tiveram mais emoção do que a final de Istambul em 2005. O AC Milan chegava a mais uma final, depois de várias presenças em anos anteriores, e procurava a 7ª conquista da prova, após eliminar tranquilamente o PSV Eindhoven num agregado de 5-1. O Liverpool tinha derrotado o Chelsea nas meias-finais com um golo solitário de Luis García nas duas mãos e regressava a uma final da Liga dos Campeões duas décadas depois. Os rossoneri não podiam ter um início melhor na partida, com o capitão Paolo Maldini a inaugurar o marcador no primeiro minuto. No final do primeiro tempo, o avançado Crespo marcou dois golos, colocando os italianos com uma mão na taça, após 45 minutos de sonho realizados. Rafael Benítez mexeu ao intervalo e passou a jogar apenas com três defesas, para ter mais poderio ofensivo.
Os reds aproveitaram a passividade e excesso de confiança da equipa orientada por Carlo Ancelotti, e, em apenas um quarto de hora, golos de Gerrard, Smicer e Xabi Alonso repuseram a igualdade no resultado, na noite mais memorável da história do Liverpool. O jogo seguiu empatado até ao final do tempo regulamentar, e o desfecho teria de ficar adiado para o prolongamento. Dudek mantinha a equipa inglesa viva com defesas brilhantes nesse período e viria mesmo a ser o herói nas grandes penalidades, defendendo o penálti que consagrou o Liverpool campeão europeu milagrosamente contra um super AC Milan, que acusou a pressão e foi incapaz de gerir os três golos de desvantagem.
4.
Real Madrid CF x Club Atlético Madrid (2013/2014)- Mais escaldante do que um dérbi de Madrid no campeonato espanhol, é um dérbi de Madrid na final de uma competição europeia. O Real Madrid regressou à final da prova 12 anos depois, sedento para vencer “La Decima”. O Atlético vivia uma época de sonho e tinha acabado de ser campeão espanhol poucos dias antes.
Diego Godín abriu o marcador no Estádio da Luz aos 36 minutos e deu uma vantagem preciosa aos colchoneros, que conseguiram travar o poderoso ataque dos merengues com um trabalho defensivo exímio durante os 90 minutos.
A placa levantou-se e sobravam 4 minutos de compensação para o Atlético erguer a sua primeira Liga dos Campeões e fazer a histórica dobradinha nessa temporada. Aos 93:48, Sérgio Ramos elevou-se num canto e enviou uma cabeçada para dentro da baliza de Courtois, levando o jogo para prolongamento. Nesses 30 minutos restantes, Gareth Bale, Marcelo e Cristiano Ronaldo acabaram com todas as esperanças da equipa de Simeone, e o conjunto liderado por Ancelotti levantou a tão ambicionada orelhuda.
3.
FC Porto x AS Mónaco (2003/2004)- É de prever que dois finalistas outsiders proporcionem uma final cheia de magia. A realidade é que, a nível futebolístico, o jogo ficou aquém das expectativas. Ainda assim, tanto a nível tático como emocional, encheu as medidas pela forma como o FC Porto limpou o Mónaco.
É verdade que haveria uma série de finais que podia colocar neste lugar. No entanto, como português, sinto-me na obrigação de incluir Gelsenkirchen 2004, porque uma equipa portuguesa venceu uma Liga dos Campeões em pleno século XXI, com jogadores maioritariamente portugueses. Isto num período em que já existiam transferências milionárias e os dragões tinham um orçamento bem inferior em relação a outros grandes europeus.
O FC Porto tinha vencido a Taça UEFA no ano anterior, e procurava repetir o feito de 1987, conquistando a segunda Liga dos Campeões da sua história. O Mónaco era estreante na final da competição e sabia que não ia ser tarefa fácil desmontar a defesa dos azuis e brancos.
A equipa de José Mourinho vinha muito bem preparada para o encontro e estudou minuciosamente o plano de Didier Deschamps. Os dragões conseguiram gerir todos os momentos do jogo, atacaram criteriosamente e conseguiram controlar toda a partida. Felizmente, os golos surgiram mesmo com poucas oportunidades. Os marcadores foram Carlos Alberto, no primeiro tempo, e Deco e Alenichev, no segundo.
O FC Porto tinha uma estrutura muito coesa, principalmente a nível defensivo. A base dessa solidez era o quarteto Baía, Bicho, Ricardo e Costinha, auxiliados por dois laterais disciplinados. O meio-campo fechava bem os espaços e Deco era o maestro da equipa – foi considerado o melhor em campo, graças ao seu recital em Gelsenkirchen.
2.
FC Barcelona x Manchester United FC (2008/2009)- Já imaginariam o que seria uma final da Liga dos Campeões entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi? A verdade é que aconteceu mesmo. É óbvio que, durante os últimos anos, ou mesmo atualmente, teria um impacto muito maior, devido à rivalidade criada ao longo da última década. No entanto, o intenso duelo entre os dois extraterrestres era bastante recente, iniciando-se precisamente na época anterior a Cristiano rumar a Madrid.
A primeira época de Pep Guardiola no comando técnico do Barcelona não podia ter sido melhor. Esta final no Olímpico de Roma foi o colmatar de todos os feitos realizados, ditando o triplete, depois da equipa já ter vencido o campeonato e a taça a nível interno. Foi um autêntico domínio por parte dos culés durante toda a partida, com o famoso tiki-taka a aparecer no mundo do futebol. Antecipava-se um jogo mais competitivo. No entanto, mesmo com Ronaldo a remar contra a maré o Barcelona não deu grandes chances aos red devils.
Samuel Eto’o marcou o primeiro do encontro aos 10 minutos, e Lionel Messi fechou as contas com um emblemático e pouco habitual golo de cabeça aos 70 minutos – um dos melhores da sua carreira. Com essa cabeçada, selou o resultado e confirmou a segunda conquista da turma “blaugrana” na Liga dos Campeões.
1.
FC Bayern Munique x BVB Dortmund (2012/2013)- Depois do Dortmund ter eliminado o Real Madrid num agregado de 4-3, com póquer de Lewandowski na primeira mão, e o Bayern ter destruído o Barcelona por um total de 7-0 nas duas partidas, a primeira final entre rivais alemães só poderia ser fascinante. Para apimentar a rivalidade, seria o último jogo de Mario Gotze pelo Borussia, pois já estava confirmado que o jogador se iria mudar para o rival de Munique na temporada seguinte. Infelizmente, falhou a partida devido a uma lesão.
Foi um jogo muito bem disputado, sem domínio claro para nenhum dos lados e com inúmeras chances de golo, como um verdadeiro jogo do futebol alemão. O Bayern adiantou-se na partida com Manduzkic a encostar para dentro da baliza, seguido de um passe de Robben. A vantagem durou apenas 8 minutos, porque o Dortmund reagiu rapidamente e arrancou um penálti cobrado com sucesso por Gundogan.
O lance chave da partida sucedeu-se aos 89 minutos. A classe da turma de Munique veio ao de cima, com Robben e Ribery a produzirem um momento individual brilhante, que resultou no golo da vitória da autoria do craque holandês, redimindo-se do penálti falhado na final do ano anterior, e garantindo a tão ambicionada conquista da Liga dos Campeões aos bávaros, após derrotas nas duas últimas finais alcançadas (2012 e 2010).
Jupp Heynckes ficou marcado na história do clube pela responsabilidade na conquista do primeiro triplete da história do Bayern Munique. No final da temporada, deixou o cargo de técnico da equipa e da melhor forma possível.
Artigo revisto.








