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Os últimos anos do FC Barcelona estão longe da perfeição que atingiram noutros tempos, não tão longínquos assim. Seis títulos nos últimos quatro anos pode, à partida, não parecer alarmante, mas se analisarmos a fundo, não pode deixar nenhum adepto culé satisfeito.
No último ano não arrecadaram qualquer título e não chegam a uma final da Liga dos Campeões desde 2014/15, ano em que venceram a prova. Se muitos clubes não se importavam de estar nesta situação, a verdade é que se tratam de anos pouco comuns na Catalunha e as vozes de portesto, que já se faziam ouvir, são agora gritos de ordem e pedidos de demissão de Josep Bartomeu.
São resultados desportivos tímidos que se juntam a desempenhos questionáveis fora das quatro linhas; vendas incompreensíveis, compras inqualificáveis, ventanias intermináveis no comando técnico e o verdadeiro fundo do poço, que foi ter um dos melhores jogadores da história do futebol motivado para deixar o clube.
Neste top, reuni as quatro lacunas com mais urgência em melhorar, ou eliminar, pelo clube catalão. É fácil dizer que o melhor seria revolucionar o plantel, mas tentarei ao máximo ser o mais específico possível em cada sector. Isto, claro está, num mundo perfeito e onde o clube quisesse voltar ao sucesso recente a que nos habituou.
4.
Samuel Umtiti de saída do FC Barcelona.
Segundo a ‘Cadena SER’, o defesa francês não entra nas contas de Ronald Koeman e a “Blaugrana” está a ponderar avançar para a rescisão do contrato com o atleta. pic.twitter.com/Ju7QCm5Q3I— Diário de Transferências (@DTransferencias) September 3, 2020
Defesa – Se a baliza está muito bem entregue, o mesmo não se pode dizer da defesa. Ou pelo menos com a mesma certeza. Não é totalmente deficiente, mas Dani Alves, ainda hoje, deixa muitas saudades em Camp Nou. O substituto na lateral direita espanhola nunca foi encontrado e não por falta de tentativas. Sergi Roberto, Aleix Vidal e Nélson Semedo não encantaram ninguém. O lado esquerdo é ocupado exemplarmente por Jordi Alba, mas também aí surgem dificuldades em encontrar um substituto que permita ao espanhol alguns jogos de descanso. Lucas Digne e Júnior Firpo são alguns dos que vieram com esse propósito e também falharam.
No entanto, é no centro da defesa que os espanhóis teimam em não acertar uma contratação. Piqué nunca se destacou pela velocidade e precisa de alguém ao lado que o compense nesse aspeto. Lenglet, Umtiti (que os rumores colocam fora de Camp Nou), Wagué, Todibo, Murillo e Yerry Mina custaram cerca de 78 milhões de euros. Não digo que não tenham a qualidade necessária para assumir o centro da defesa com Piqué, mas por esse valor não tinham comprado alguém com créditos firmados, valor inquestionável e ainda com idade para somar longos anos em Camp Nou? Não sei, surgem-me nomes como Koulibaly ou até Laporte, que estava a seis horas de carro…
3.
INTERVALO | 🇪🇸 Barcelona 1-4 Bayern 🇩🇪
Thiago Alcântara não falhou passes na 1ª parte
Em média, cada passe do espanhol fez a equipa avançar 6,6 metros#UCL #ChampionsLeague #ChampionsEleven #BarcaBayern pic.twitter.com/NGbaIrf5ZX
— GoalPoint.pt ⚽ (@_Goalpoint) August 14, 2020
Meio campo – Convém não esquecer que ficar órfão de Xavi e Iniesta é custoso, doloroso e muito difícil, senão impossível, de igualar. Mas daí a torrar mais de 100 milhões em Coutinho e não o usar vai um grande passo. Pior, daí a entregar o meio campo a Paulinho, Rakitic, André Gomes ou Vidal… Pelo meio surgiram nomes como Arthur, Riqui Puig, De Jong ou Aleña que pareciam vir contrariar um erro visível a milhas, mas não tiveram o tempo de jogo que mereciam e alguns acabaram mesmo por ser transferidos ou emprestados, incompreensivelmente.
Espero deste lado do ecrã por alguém que ache normal e proveitoso e me consiga explicar a troca Arthur-Pjanic. Se esse alguém aparecer, convido-o também a explicar-me qual a dúvida em optar entre Wijnaldum-Thiago, segundo se ouve em rumores. Não vejo mesmo margem para discussão. Entretanto, o único denominador comum nos anos de glória e nestes anos difíceis é Sergio Busquets. A classe não se compra, e o espanhol tanto equilibra o meio campo nos momentos bons, como o segura e evita catástrofes maiores nestes anos sem rumo.
2.
🇺🇾 Luis Suárez, ponta-de-lança do poderoso Barcelona…
… não marca um golo fora de casa na #Champions League há 4⃣ anos (2015/16, vs. Roma). E ainda não foi hoje.#BVBBARCA #FCBarcelona pic.twitter.com/lW6NkOkXbo— GoalPoint.pt ⚽ (@_Goalpoint) September 17, 2019
Avançado – Arriscava dizer que o último grande 9 do FC Barcelona se chamava David Villa. Suárez está longe de ser mau, mas com o passar dos anos é tudo menos o que os catalães precisam. Um avançado capaz de se associar com o jogo da equipa e aparecer mais tarde a finalizar é caro, mas urgente. Se é verdade que David Villa não era fantástico mas beneficiava muito do tipo de jogo de Pep Guardiola, também não é menos verdade que Luis Suárez se tornou mais um jogador de finalização e menos de equipa, como Villa, Pedro e até Neymar faziam tão bem com Messi. Ainda assim, a finalização de Suárez deixa muito a desejar. Fará dois ou três golos numa tarde inspirada, mas sempre servido por Messi.
São raros os lances onde sozinho inventa um golo. Em Madrid, na casa do rival, há esse jogador. Subestimado tanto tempo, hoje em dia ninguém hesita em escolher qual dos dois o melhor. Griezmann, por outro lado, foi uma verdadeira deceção. Só fez menos seis golos do que na última temporada enquanto colchonero, mas esperava-se mais do francês e a minha convicção é que, com a revolução certa no plantel, este será o ano de “Griezzy”.
1.
“Estou muito triste com a diretoria do Barcelona. Eles não deveriam estar lá. O Barça merece muito mais, e todo mundo que está no clube sabe disso.”
– Neymar, em 2016. pic.twitter.com/rwbrK72EB2
— Futmais (@futtmais) September 4, 2020
Projeto desportivo – É inegável que o FC Barcelona segue, nos últimos anos, sem qualquer projeto desportivo. Assim de repente, posso dar dois nomes que provam a inexistência de qualquer projeto a médio/longo prazo: Neymar e Thiago. Se o caso do brasileiro naturalizado espanhol é pura incompetência diretiva, o caso do astro internacional brasileiro prova, entre muitas outras coisas, que o que se conta nem sempre é verdade.
Ignorando as guerras de diretores/jogadores, que não são exclusivas de Messi e Neymar, o verdadeiro FC Barcelona desapareceu. Aquele Barcelona que contratava um jogador específico para servir a filosofia de jogo inspirada em Cruijff evaporou, condensando mais tarde um Barcelona que compra a torto e a direito cada jogador que dá dois toques numa bola. Além disso, a famosa cantera perdeu espaço e saltita de empréstimo em empréstimo, saindo mais tarde sem um retorno assinalável e saudável. Recentemente, mais um exemplo foi dado e que suporta este ponto. Ronald Koeman viveu o “Cruijffismo” mas não é Cruijff. Guardiola foi e é Cruijff. Está traçado o perfil a partir de Guardiola, para quê desviar-se dele? Guardiola é impossível? Não há Nagelsmann? Onde estava Guardiola antes de ser “o Guardiola”? O FC Barcelona vivia uma forma de pensar, jogava uma forma de pensar em todos os escalões. Agia segundo um exemplo imortal na Catalunha. Pelo menos até Bartomeu, onde a verdadeira revolução devia começar.
Artigo revisto por Diogo Teixeira









