O que se passa em Sevilha? Dos títulos europeus à luta pela manutenção – a queda há muito anunciada

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Que o Sevilha está mergulhado numa crise institucional e económica não é mentira nenhuma, como já abordámos recentemente aqui no Bola na Rede, mas o que vamos discutir hoje é até que ponto isso tem influenciado os desempenhos da equipa na vertente desportiva.

Começando por Monchi, diretor-desportivo da equipa andaluz entre (2000/01-2015/16) e (2018/19-2022/23) que criou uma fórmula de sucesso no clube, o “modelo Monchi”, que nada mais era do que contratar barato e vender caro. Esse modelo valeu muitos milhões aos cofres do emblema de Sevilha e também alguns títulos, nomeadamente europeus.

 A instabilidade diretiva no clube acentuou-se, ainda mais na segunda passagem do antigo guarda-redes pelo cargo, mas os resultados desportivos iam sempre disfarçando tudo isso, até que no inverno de 2022 os dirigentes do clube depararam-se com algo a que não estavam habituados, estavam a lutar com o Real Madrid pelo primeiro lugar da La Liga e é nesse momento que o Sevilha coloca para segundo plano o  “modelo Monchi”  e que começa a contratar jogadores “badalados” e “batidos” na ribalta do futebol europeu, tais como Tecatito Corona e Martial, o que fez com que a folha salarial disparasse para números nunca antes vistos.

O que aconteceu a partir daí é que Monchi começou a perder influência dentro do clube, encontrava-se desgastado, começou a haver menos dinheiro para ir ao mercado e a falta de critério passou a ser uma constante nas contratações do emblema espanhol. Tudo isto já se fez sentir na temporada 2022/23, apesar de terem ganho a Liga Europa de forma surpreendente e com a passagem de três treinadores pelo cargo: Julen Lopetegui, Jorge Sampaoli e José Luis Mendilibar, terminaram a La Liga em décimo segundo lugar, e aí começou-se a perceber que algo não estava bem em Sevilha. A época acaba e Monchi anuncia a sua saída de Sevilha, juntando-se a um velho conhecido do clube andaluz, Unai Emery, no Aston Villa.

Este verão a direção optou por manter o técnico que havia vencido a Liga Europa em Budapeste, e só depois disso anunciou a chegada de um novo diretor-desportivo, Victor Orta, um discípulo de Monchi que assumiu o lugar depois de ter estado no projeto no Leeds com Marcelo Bielsa.

O treinador basco não resistiu aos maus resultados e em outubro, Orta decidiu trazer Diego Alonso, um treinador sem muita experiência no futebol europeu. O técnico uruguaio em 14 jogos venceu apenas duas partidas e em dezembro foi despedido.

A direção do clube andaluz sentiu que estava a precisar de dar estabilidade ao plantel depois da eliminação das competições europeias e de ver o clube nos últimos postos do campeonato, e desta feita preferiu contratar um treinador conhecedor daquilo que é o futebol espanhol, Quique Flores.

Na estreia do treinador que já passou pelo Benfica, o Sevilha, que não vencia há quase três meses na La Liga (desde a jornada 7), derrotou o Granada por três bolas a zero. Nos 16 jogos que se seguiram o Sevilha venceu por seis ocasiões, destaque à vitória perante o Atlético de Madrid no mês de fevereiro por 1-0, no Ramón Sánchez Pizjuán.

O treinador espanhol parece ter encontrado a fórmula para, pelo menos, salvar o clube da descida de divisão, estando neste momento em 14.º lugar com 31 pontos, seis acima da linha de água.

Uma das caras do Sevilha de Quique Flores é Isaac Romero, avançado que estava na formação secundária dos andaluzes e que ganhou protagonismo com a ida de En Nesyri à CAN. Em 13 partidas, o jovem jogador leva já cinco golos e quatro assistências. Outro dos rostos deste “novo” Sevilha é Sergio Ramos, que chegou no passado verão, mas que com o treinador espanhol viu o setor defensivo ganhar outra solidez, atuando por vezes numa defesa a cinco, como fez no Santiago Bernabéu há pouco mais de um mês.

Ao clube do sul de Espanha resta agora lutar para garantir a manutenção o mais rápido possível, pois também já foram eliminados da Copa del Rey pelo Atlético de Madrid, e preparar a próxima época da melhor maneira, minimizando assim os efeitos de uma queda há muito anunciada devido as crises institucional e financeira que o Sevilha atravessa.

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