Publicidade

Real Madrid: habemus crise?

Mariana Fernandes · 3 min

Real Madrid: habemus crise?
Camilo Rueda López

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

cab la liga espanha

Não fui, decerto, a única a ficar desagradada com a contratação de Rafa Benítez pelo Real Madrid. Era – tenho de o assumir – grande defensora de Carlo Ancelotti, e, depois da saída do Italiano, creio que um clube destes merecia um treinador com mais elasticidade táctica, inteligência futebolística e títulos na bagagem.

O Real perdeu esta semana, nos penáltis, com a Roma, na International Champions Cup. Ainda que este tenha sido um jogo de preparação, em que a equipa está ainda embrionária e sem fundações, já se pode fazer uma breve análise: o Real Madrid está frágil, sem bases, com um meio-campo pouco fluido e que pouco ajuda os homens da frente. A dupla Ronaldo-Bale continua a não funcionar (dois egos demasiado grandes que não coexistem), Odegaard é demasiado inexperiente para a posição que procurou ocupar e Benítez ainda não tem controlo nos seus rapazes.

Por muito que Iker Casillas tenha perdido a preponderância no colosso espanhol nos últimos anos, era uma voz activa no balneário. Era o mais antigo, o mais experiente, o que tinha o maior amor à camisola. Como Nélson no Sporting. Moreira no Benfica. E quando um jogador no espectro de Casillas decide sair – não para acabar a carreira, mas para outro clube – o restante plantel ressente-se. Rafa Benítez é uma cara nova que não transmite conforto, o eterno capitão saiu, e os merengues ficaram “órfãos”. Resta-nos esperar para ver se alguém se assume como líder, se os blancos se enchem de força, e se o próximo campeonato espanhol vai ser a grande batalha a dois a que já nos habituou.

Quanto ao mercado de transferências, o Real Madrid ainda não fez grandes manchetes de jornais. Saiu Khedira, regressou Casemiro. Danilo já era aquisição confirmada e Casillas reforçou o Porto. As últimas notícias dão conta da possível saída de Benzema para Inglaterra. Se tal boato se confirmar, seja qual for o valor exorbitante a que este mercado de 2015 já nos habituou, fica a pergunta: que jogador, de qualquer liga, de qualquer país, pode substituir Benzema neste Real? O francês passou os últimos anos a formar uma dupla mortífera com Cristiano Ronaldo, a servi-lo, a desmarcá-lo, a jogar como o segundo avançado que não é. E depois disso, ainda havia tempo para ser o típico ponta-de-lança infalível.

O Real Madrid ensaia uma nova equipa para esta época com Rafa Benítez Fonte: Real Madrid
O Real Madrid ensaia uma nova equipa para esta época com Rafa Benítez
Fonte: Real Madrid

O último grande rombo foi feito por Santos Márquez, empresário de Casillas. Segundo este, a cedência dos direitos de imagem de Ronaldo a Peter Lim foi o primeiro passo para a saída do Português do clube espanhol. O empresário desfere também duras críticas a Florentino Pérez ao dizer que “Isto não normal. O Real Madrid parece que não existe. Há um presidente e abaixo disso está o clube. O Florentino está acima do bem e do mal. É o mais honesto em relação a contratos, mas está a carregar contra a galinha dos ovos de ouro, que é a equipa”.

Não acredito em Benítez, não acredito neste Real; ainda assim, não acredito que Ronaldo saia e não acredito que esta equipa não dê suor e lágrimas para atingir os seus objectivos.

Não sei se haverá motivos suficientes para dizer que o Real Madrid está em crise. Não sei também se podemos dizer que a próxima época irá ser parca em resultados e concretizações. Tudo isto ao destino, e a Benítez, pertence.

Foto de Capa: Camilo Rueda López

Mariana Fernandes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Benfica

O Açor não tem medo da Águia | Santa Clara x Benfica

«A nós compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. Quem não gostar de olhar, não olhe, e quem não sentir nada pode olhar.» Foi assim, lacónico, que Marco Silva abordou a já histórica sequência do FC Porto, de começar o campeonato com nove vitórias consecutivas. O Benfica está bem e recomenda-se, como ficou patente pela segunda parte feita em Nicósia na quinta-feira passada, mas entra, à condição, a oito pontos dos Dragões, no difícil desafio desta segunda-feira. «Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos. A partir do momento em que preparámos a temporada, não previmos estar à frente ou atrás, sabendo que iríamos jogar muitas vezes depois dos nossos adversários, porque, competindo na Liga Europa, sabemos que isso vai acontecer. Não adianta gastar energia naquilo que não controlamos.» E, realmente, o Benfica tem feito a sua parte. Os recordes ofensivos sucedem-se e obrigam às comparações com Jesus e Eriksson, a estatística aproximando a actual equipa de outras, das que conseguiram conciliar nota artística e troféus. E, à boa maneira dos dois referidos, é na crista da onda que Marco Silva aproveita para dar ar do seu perfeccionismo e exigência - ainda mais impressionantes que as dinâmicas de futebol associativo: «Também gosto de sofrer poucos golos. Gosto de incutir nos jogadores a ideia de que não há ninguém que consiga atacar bem sem ter a capacidade de não sofrer golos. Fiquei muito satisfeito com o resultado frente ao Omonia, mas furioso com o golo sofrido. Quando recuamos tantos anos na história de um clube da dimensão do Benfica, que habitualmente é dominador e que teve grandes jogadores com grande capacidade ofensiva, é sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Sempre foi meu objetivo que as pessoas sentissem que é o Benfica que está a jogar, independentemente de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito grande para percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica, mas estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, que querem sempre melhorar.»

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.