Publicidade

«Ida de Renato Sanches para o Bayern foi prematura. Agora já vemos a sua qualidade» – Entrevista BnR com Patrik Andersson

Mário Cagica Oliveira · 13 min

Foto: UEFA

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Professor Neca entrevista À BnR

Mais de oitenta jogos pela Suécia, fez parte da geração de ouro que chegou ao terceiro lugar no Mundial de 1994 e, a nível de clubes, jogou em dois dos gigantes mundiais: FC Bayern de Munique e FC Barcelona. Patrik Andersson falou connosco sobre a cultura de vitória dos germânicos e o significado da conquista da UEFA Champions League. Abordou também a passagem pela Catalunha e as lesões que teve ao serviço dos culés e a convivência com um jogador português.

«PORTUGAL É SEMPRE FAVORITO PARA CHEGAR LONGE
EM QUALQUER TORNEIO»

Bola na Rede: Olá, Patrik, como estás? Tudo bem? Saudações de Portugal diretamente para a Suécia, obrigado por teres um tempo para estar connosco. 

Patrik Andersson: Olá, tudo bem e contigo? Muito obrigado, é um prazer falar convosco.

Bola na Rede: Como estão a correr as coisas? Sei que continuaste ligado ao Futebol depois do final da carreira, até porque foste scout do Manchester United FC. Entretanto, as coisas mudaram, correto?

Patrik Anderson: Sim, exatamente. Agora trabalho diariamente como Business Developer numa das maiores companhias imobiliárias da Suécia. Paralelamente, sou também dirigente da Liga de Futebol Feminino da Suécia, há três anos, e continuo ligado à Federação Sueca de Futebol. Portanto, muito desporto acumulado, juntamente com uma nova área na qual me estou a integrar.

Bola na Rede: Perfeito, tocaste já num ponto que gostaria de pegar nesta nossa entrevista: o Futebol nórdico. Está a crescer cada vez mais e com maior qualidade. Recorrendo ao teu conhecimento mais próximo, consegues explicar-me o que tem motivado este maior crescimento? Há maior capacidade de organização a nível estrutural em alguns desses campeonatos?

Patrik Anderson: Sim, mas na Suécia as coisas estão um pouco diferentes. Depois de termos tido um crescimento interessante nos anos 90, há algumas dificuldades para dar continuidade a esse sucesso. Continuamos a desenvolver bons talentos, mas os melhores saem imediatamente da Suécia. Tudo isso impede-nos de sermos competitivos internacionalmente e o fosso está cada vez maior, nesse aspeto. Tenho algum receio de que o nosso Futebol sofra com esta situação, apesar de a nossa seleção não se ressentir muito com isto. Temos conseguido estar nas fases finais… (pausa) Aliás, estamos nos playoffs de março [Mundial 2022, Catar].

Bola na Rede: Otimista para esta fase?

Patrik Anderson: Bom… Normalmente nós jogamos muito bem contra as equipas de topo na Europa, porque não temos pressão. Contra a República Checa temos de ver, porque é muito equilibrado. São duas equipas muito idênticas e, mesmo depois, temos pela frente a Rússia ou a Polónia. Vai ser uma tarefa complicada.

Bola na Rede: Portugal também está na mesma situação.

Patrik Anderson: Portugal tem grandes jogadores que jogam em grandes equipas na Europa. Portugal é sempre favorito para chegar longe num torneio. No entanto, e como falávamos em off, há duas grandes seleções [Portugal e Itália], e só uma pode seguir para o Mundial. Numa prova destas, queremos os melhores jogadores e as melhores equipas, mas é assim…

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Bola na Rede: Aproveitando a deixa de há bocado, também em Portugal existe muita dificuldade de segurar jovens talentos no campeonato. O que é que os clubes ou as próprias ligas podem fazer para evitar esta situação?

Patrik Anderson: (interrompe) Eu penso que, se compararmos com Portugal, há, desde logo, uma grande diferença: aí têm melhores condições do que aqui para manter um jogador e acabam por conseguir receber valores interessantes com outras equipas europeias. É preciso olhar para o rumo que queremos seguir. A nossa liga está fora das 20 melhores da Europa e os melhores jogadores querem sair também por isso. O meu medo é apenas que eles saiam demasiado cedo, sem estarem totalmente prontos para o fazer ou para se adaptarem a um outro contexto, num outro campeonato. Não há uma maneira totalmente certa ou errada de tomar estas decisões, mas é preciso olhar de forma racional para o que se passa: nós estamos numa situação complicada em termos de ranking e eles querem sair cedo. O que podemos fazer é dar-lhes uma boa educação e preparação para o seu próximo passo. Se correr bem, e é como dizia, podemos ter uma Seleção de Futebol bem preparada. E podemos dizer o mesmo em relação ao nosso Futebol Feminino. A nossa liga estava bem cotada há uns anos, mas com o crescimento de outros campeonatos como o inglês, francês, espanhol ou italiano, agora temos de trabalhar mais e adaptarmo-nos para desenvolvermos os nossos talentos de forma mais ágil para não perdermos a carruagem.

Bola na Rede: Apenas por curiosidade, e pegando no teu raciocínio, quais é que são os jovens de maior qualidade que vês a chegarem a níveis muito altos na Europa?

Patrik Anderson: Hum… Difícil…

Bola na Rede: [Alexander] Isak?

Patrik Anderson: Ah, sim, com certeza. Isak foi o jogador do ano e chegou ao seu nível. Cresceu muito no último ano, recebeu muita confiança do seu treinador, mas agora tem de dar o próximo passo: encontrar um clube maior. Mas, com os valores que hoje são pedidos, não creio que muitos clubes avancem para a sua contratação. No entanto, é um jogador muitíssimo interessante.

«MUNDIAL DE 1994 CHEGOU E AS COISAS
MUDARAM MUITO PARA MIM
»

Bola na Rede: Antes de falarmos da tua carreira, gostaria de apenas tocar em mais um tema: Estiveste muito tempo no FC Bayern Munique e sabes das dificuldades de jogar num clube com essa dimensão. Portugal teve apenas um atleta no clube, Renato Sanches, e as coisas não correram bem. Como são as coisas no clube? Há, de facto, uma exigência diferente? 

Patrik Andersson: Creio que tem tudo que ver com o timing. Por exemplo, o Renato era o jovem mais promissor da Europa naquele momento. Acho que foi um passo demasiado prematuro na carreira dele e agora já podemos ver a sua verdadeira qualidade. Isto tem tudo que ver com timing e confiança, é muito difícil jogar no FC Bayern. A pressão no clube é enorme, seja pelos dirigentes do próprio clube, adeptos, comunicação social… Sim, a Alemanha é mesmo especial. Todos os dias são uma luta.

Bola na Rede: Vamos então falar da Bundesliga. Foram seis anos de muitos jogos e uma Taça no Borussia Monchengladbach. Como foi essa experiência e como surge o convite para jogar na Alemanha?

Patrik Anderson: Foi novamente o timing. Passei um ano em Inglaterra [Blackburn Rovers, 1992/93], mas não me adaptei muito bem, principalmente pela forma como jogavam. Também me colocaram no meio-campo, mas a minha posição era defesa-central, como sabes.  Depois o convite acaba por surgir e não tive dúvidas em aceitá-lo. A primeira temporada foi mais complicada, mas depois chega o Mundial de 1994 e as coisas mudaram muito para mim [Suécia fica em 3.º lugar e Patrik Andersson é totalista na equipa nos sete jogos].

Bola na Rede: Antecipaste-te aí um pouco, mas vamos por esse caminho. O Mundial de 1994 é, certamente, inesquecível para ti. Apesar de ter ficado em terceiro lugar, confessa-nos: chegaram a sonhar com algo mais?

Patrik Anderson: Nessa época havia duas equipas de topo na Suécia: o Malmo FF, que até foi treinado pelo Roy Hodgson, e o IFK Goteborg, que tinha boas prestações na Liga dos Campeões. Muitos dos jogadores já estavam a um nível muito bom e com experiência a jogarem juntos durante algum tempo. Tivemos os Jogos Olímpicos [1992, Barcelona] e depois aproveitámos o balanço e ganhámos experiência para estarmos ao mais alto nível no Mundial. Sabíamos que tínhamos muito bons jogadores e que estavam a ser importantes nos respetivos clubes, por exemplo o Martin Dhalin, o Kennet Andersson… (pausa) E, claro, o Jonas Thern e o Stefan Schwarz, que estiveram no SL Benfica nessa altura. Nós sabíamos que podíamos competir contra todas as equipas e que era muito difícil baterem-nos ou marcarem-nos golos.

Bola na Rede: Só o Brasil o conseguiu…

Patrik Anderson: Infelizmente, tivemos de jogar contra o Brasil… duas vezes (risos). Conseguimos um empate na fase de grupos, mas depois nas meias-finais eles provaram que estavam noutro nível (1-0, golo de Romário aos 80′). Era o Brasil e ainda tivemos de jogar com dez jogadores (Jonas Thern expulso aos 63′). Mas sentimos que ganhámos algo.

«O JUPP HEYNCKES LIGOU-ME PARA IR PARA
O REAL MADRID,
MAS O BORUSSIA NÃO ME DEIXOU SAIR»

Bola na Rede: Onde ganhaste mesmo um grande título foi no FC Bayern. Fora as provas internas, consegues chegar ao topo com a vitória na Liga dos Campeões, em 2000/01. Vamos falar dessa estadia no Bayern, como tudo começou?

Patrik Anderson: Sim. Sempre quis testar-me e ver até onde é que poderia ir. A certa altura, o que importa é ganhar títulos. Acho que fiquei tempo a mais no Borussia Monchengladbach. Tivemos três belíssimas temporadas quando o Stefan Effenberg capitaneou a equipa. Mas depois, devido à situação financeira do clube, não podíamos subir mais um degrau. Pensei em sair do clube e até tive uma oferta do Real Madrid…

Bola na Rede: Já vamos falar da final da Champions, mas antes quero saber mais sobre isso…

Patrik Anderson: Foi em 1997. Jupp Heynckes tinha acabado de sair do Tenerife para rumar ao Real Madrid. Eu estava de férias e o Jupp ligou-me, disse-me que me queria levar para Madrid. Imediatamente apanhei o primeiro voo para a Alemanha para me libertar do meu contrato, mas os dirigentes do Borussia disseram-me imediatamente: “Não, podes esquecer isso, não vai acontecer”…

Bola na Rede: Ficaste zangadíssimo, acredito…

Patrik Anderson: Claro que sim, fiquei triste. Queria ver até onde é que eu podia ir e o Real Madrid é o Real Madrid, é outro nível. Mas tive de respeitar o meu contrato e continuei a dar o meu melhor pelo clube. Depois, em 1999, lá apareceu a oportunidade para ir para o Bayern e tenho de ver pelo positivo: nessa mudança foi importante ter a bagagem de seis anos de Bundesliga. Era muito conhecido na Alemanha e já conhecia os meus colegas, que foram, anteriormente, os meus adversários. E, olha, lembro-me bem do meu primeiro encontro com o Ottmar Hitzfeld…

Bola na Rede: Conta-nos.

Patrik Anderson: (risos) Ele disse-me logo: “Aqui, não há nada garantido, tens de fazer por merecer o teu lugar”. Creio que no ano em que cheguei só deixaram sair o Thomas Helmer (defesa-central). Tinham acabado de ganhar a Liga com avanço de 14 pontos e perderam no Camp Nou, naquela célebre final com o United (2-1). Era neste clube que ia entrar. Tinham uma atmosfera fantástica e eu queria provar o meu valor lá.

Bola na Rede: É um clube diferente. Não parecem existir desculpas para as derrotas. É para vencer, independentemente de tudo o que possa acontecer…

Patrik Anderson: Sim, sem dúvida. Aliás, nem era só para vencer, era mesmo para dominar o adversário. Mas foram dois grandes anos.

Bola na Rede: Um pouco como hoje, na verdade. Os níveis de exigência do Bayern são muito altos.

Patrik Anderson: Quando vês as pessoas ligadas ao clube: Uli Hoeness, Karl Rummenigge, Franz Franz Beckenbauer… Hoje, Oliver Kahn, Hasan Salihamidzic… É muito por aqui, pessoas do clube e muita exigência.

«RICARDO QUARESMA ERA UM GRANDE JOGADOR»

Bola na Rede: Vamos falar da tua final de Liga dos Campeões, em 2000/01. Depois de ganhares tudo na Alemanha na tua primeira época, tens o teu maior sucesso nessa final, na tua segunda época no clube. Tinham uma grande equipa com Oliver Kahn, Lizarazu, Effenberg, Élber… Mas do outro lado também havia um grande CF Valencia. Lembras-te bem do adversário? 

Patrik Andersson: Completamente. Mesmo no ano anterior, quando eles perderam na final com o Real Madrid CF, nós já tínhamos jogado com eles na fase de grupos da Champions. Foram jogos muito complicados. Uma mistura de jogadores espanhóis com argentinos. Era uma equipa de topo na Europa e sabíamos que ia ser um jogo equilibrado. Não íamos ter muitas oportunidades.

Bola na Rede: Em quem é que pensaste antes da final? Estava em jogo uma possível conquista da prova, 25 anos depois…

Patrik Anderson: Bom, lembro-me de entrar em San Siro e ver uma tarja dos adeptos a dizer: “Hoje é um bom dia para fazer história”. Acreditámos em nós mesmos, ficámos concentrados no nosso jogo e íamos com tudo. Começámos mal, com um penálti concedido logo nos primeiros minutos [Mendieta, 3′, g.p.], e sabíamos que ainda ia ficar mais complicado porque eles eram muito fortes defensivamente e fortes no contra-ataque. Mas fizemos de tudo para dar a volta e conseguimos.

Bola na Rede: Nessa final estiveram presentes também dois jogadores que passaram pelo Futebol português: Pablo Aimar e Zlatko Zahovic…

Patrik Anderson: É verdade. Que equipa incrível. Também estava o Mendieta, que foi meu colega no FC Barcelona depois…

Bola na Rede: Boa, pegando no FC Barcelona, o teu próximo passo de carreira, após essa final. Noutras entrevistas já referiste que a experiência não correu bem devido às lesões. Foi a principal razão para não conseguires manter o nível?

Patrik Anderson: Estive no auge da minha carreira em 2001, mesmo na primeira metade da época em Espanha. Mas depois, em fevereiro de 2002, lesionei-me no joelho. Foi antes do Mundial e fiz de tudo para regressar a tempo da prova. Voltei, joguei alguns jogos e voei para o Japão. Mas, na noite antes da estreia na competição, lesionei-me na perna esquerda e essa lesão custou-me oito meses da minha carreira. Depois disso, não consegui jogar mais Futebol como jogava anteriormente. Já não atingi outro nível, a partir daí estava sempre com dores. Foi um tempo complicado, mas arranjei grandes amigos em Barcelona e apoiaram-me muito.

Bola na Rede: Ainda vais acompanhando a realidade do clube?

Patrik Anderson: Ainda hoje faço questão de os visitar, uma ou duas vezes por ano. Mas tenho pena de não ter mostrado a minha melhor face no clube.

Bola na Rede: Acredito que tenham sido tempos muito duros… Corrige-me se estiver equivocado, mas é no FC Barcelona que tens o teu primeiro e único colega português: Ricardo Quaresma.

Patrik Anderson: Sim! Sentava-me junto ao Ricardo no balneário. (risos) Ele chegou com o Frank Rijkaard [treinador] e o Henk ten Cate [treinador-adjunto] no meu último ano lá. Ele era um grande jogador, tinha mesmo muita técnica…

Bola na Rede: Ainda joga em Portugal, está no Vitória SC…

Patrik Anderson: Incrível, tem uma grande carreira, sem dúvida.

Bola na Rede: Depois de Espanha, voltaste ao Malmo FF, um regresso ao ponto de partida. Tinhas idealizado terminar a carreira na Suécia?

Patrik Anderson: Na verdade, não era o meu plano voltar a jogar na Suécia. Mas os tempos em Barcelona, com lesões, deixaram-me abalado e pensei: “Não posso terminar a carreira desta forma”. E, como sabia que havia uma boa estrutura em Malmo e que os adeptos estavam com a equipa, pensei: “Sim, quero voltar a fazer parte disto. Quero fazer parte do clube que me deu oportunidade aos 17 anos de idade”. Felizmente, tudo correu bem. Deram-me uma oportunidade, ganhei o título em 2004 e ainda partilhei o balneário com o meu irmão mais novo [Daniel Andersson], que tinha acabado de sair de Itália.

PASSES CURTOS

Bola na Rede: Antes de fecharmos, vamos a umas perguntas rápidas. Aproveito que estou a falar com um antigo vencedor da Liga dos Campeões: quem é que achas que vai vencer a prova neste ano?

Patrik Anderson: Ainda estou à espera do PSG e do Manchester City, acho que vai ser um deles.

Bola na Rede: Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi?

Patrik Anderson: Quando falamos de jogadores deste nível, é injusto compará-los. Uma vez pediram-me para escolher entre Erling Haaland e Zlatan Ibrahimovic. É difícil mas, como sou um antigo jogador do FC Barcelona, vou escolher Messi. (risos).

Bola na Rede: Pep Guardiola ou José Mourinho?

Patrik Anderson: Uau… Vou dizer Mourinho. Desculpa, até tenho uma boa história com ele. Era embaixador da UEFA no ano em que ele ganhou a Liga Europa com o Manchester United, porque a final era na Suécia. E lembro-me de o Mourinho vir ter comigo, depois da final, para me agradecer pelos bons sorteios que teve nesse ano. Achei muita graça.

Bola na Rede: FC Bayern ou FC Barcelona?

Patrik Anderson: Não consigo, vamos ter de deixá-los empatados.

Bola na Rede: Mundial de Seleções ou Liga dos Campeões?

Patrik Anderson: Liga dos Campeões, sem dúvida. Eu acho que é na Europa que estão os melhores jogadores e as melhores equipas. Se falamos do Mundial, é mais pelas nacionalidades do que propriamente da qualidade.

Bola na Rede: Ibrahimovic ou Henrik Larsson?

Patrik Anderson: (risos) Aceito ambos, novamente.

Bola na Rede: E agora para fechar… Num jogo entre Portugal e Suécia, qual será o resultado?

Patrik Anderson: Atualmente? Portugal tem melhores jogadores e melhor equipa. Acho que, num jogo, Portugal vai sempre vencer. Mas, se forem dois jogos, a Suécia pode surpreender…

Bola na Rede: Fantástico, Patrik, muito obrigado. 

Patrik Anderson: Obrigado eu. Abraço a todos em Portugal.

Mário Cagica Oliveira

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.