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Na semana em que se realizam os confrontos da primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa e da Liga Conferência, é tempo de olhar para trás e para o melhor dos jogos dos playoffs das duas competições: os golos.
A chegada da Conference League trouxe um novo brilho às quintas-feiras europeias, reforçando o estatuto da Liga Europa – um confronto entre Manchester United e Barcelona é nível Champions – e aproximando todos os adeptos de um lado mais alternativo das diversas ligas europeias representadas na Liga Conferência (13 países diferentes entre os 16 clubes em competição).
Entre tantos golos, muitas obras de arte ficaram de fora. Os confrontos entre Mónaco e Bayer Leverkusen foram prolíferos a belos golos – entre a magia de Wirtz e a resolução à lei da bomba de Disasi –, o Sevilha continua a ter na Liga Europa a cura para todos os males – Ocampos finalizou em grande estilo – e depois de um ano em que se destacou na Liga dos Campeões, o Sheriff continua a brilhar, com Diop a guardar para si o golo da noite. Tiveram de ficar de fora dos cinco melhores.
Curiosamente, dos cinco melhores golos do playoff das duas competições, quatro foram marcados por equipas italianas. Mais do que coincidência, são retrato da evolução do campeonato italiano, provavelmente o mais atraente a nível tático. Deixou de parte os estereótipos exclusivamente defensivos e reúne alguns dos melhores estrategistas. Esta temporada continua com as seis equipas na Europa. O intruso é Pote, goleador da única equipa portuguesa ainda em competição nas divisões secundárias da UEFA.
Pedro Gonçalves
Depois do susto, veio o passeio dos leões. O Midtjylland surpreendeu o Sporting em Alvalade e chegou à Dinamarca com um empate no passaporte. Na segunda volta conseguiu competir, mas a expulsão de Paulinho – o brasileiro dos dinamarqueses – transformou a partida numa agradável caminhada para o Sporting que nem teve de puxar dos galões para golear.
Pedro Gonçalves de regresso ao trio da frente – Morita no meio-campo é garantia de estabilidade e permite ao português jogar mais adiantado no terreno – foi o melhor em campo. O segundo golo dos leões (o primeiro de Pote no jogo) é um golaço. Na ressaca de um ponta pé de canto e já depois de uma primeira tentativa, Pedro Gonçalves perto da linha que limita a grande área desferiu um grande remate de primeira, resolvendo a partida e a eliminatória. O resgate da veia goleadora do português será determinante numa competição que pode salvar a época do Sporting.
Ángel Di María
Continuamos na Liga Europa e iniciamos a viagem por Itália com uma paragem em Turim. A Juventus tem na Liga Europa a mais óbvia via para a Liga dos Campeões (depois da penalização de 15 pontos) e deve apostar todas as forças na competição. O clube transalpino está na melhor fase da temporada, muito pelos regressos de Chiesa e Di María e é um dos principais candidatos à vitória da competição.
Depois de um empate em Itália a Juventus viajou até Nantes e enfrentou um Stade de la Beaujoire em ebulição, procurando uma noite histórica. Di María tinha outros planos e logo aos cinco minutos marcou o primeiro dos três golos da noite – todos do próprio. Não será surpresa se for nomeado para o Puskas. Fora de área e sem preparação, Di María acertou em cheio na bola e rematou em arco para o fundo das redes. Fosse na cidade de Paris e o Louvre teria um novo residente na galeria.
Paulo Dybala
Novamente um golo na segunda mão. O Red Bull Salzburg trouxe dificuldades à Roma e foi mesmo superior na Áustria. A tarefa da Roma em casa não era simples, mas o talento dos romanos foi capaz de traduzir em golos a superioridade na partida jogada no Olimpico.
Tal como Di María na Juventus, em Roma o sangue argentino é protagonista. Dybala é um dos melhores do mundo e a felicidade em campo sente-se. O segundo golo da Roma no jogo é uma boa jogada coletiva com o envolvimento dos três melhores jogadores da equipa: Pellegrini recebeu de costas para a baliza, segurou a bola e lançou a corrida de Spinazzola, que projetado e com espaço pela esquerda, galgou metros, ultrapassou o marcador com uma mudança de velocidade e cruzou a bola redondinha para os pés de Dybala. Com um belo gesto técnico o argentino balançou as redes e colocou o nome na lista dos marcadores.
Ciro Immobille
Continuamos na cidade de Roma, desta vez para falar do maior rival da equipa de José Mourinho: a Lazio. A transformação da equipa efetuada por Maurizio Sarri continua em andamento e os sinais no Campeonato são positivos (no último jogo venceu o Nápoles, por exemplo). A Conference está claramente relegada para segundo plano, com o objetivo a ser o top 4 em Itália.
Apesar das poupanças, a Lazio seguiu em frente. O único golo da eliminatória foi marcado em casa, já com os italianos reduzidos a 10 depois da expulsão de Patric. O tento do homem-golo da Lazio foi suficiente para uma eliminatória sem grande brilho, de uma Lazio que soube gerir – gestão é a palavra-chave da participação europeia do clube – os 135 minutos em vantagem mínima. Jogada estudada na sequência de um livre, bola picada por cima da barreira por Felipe Anderson e remate de primeira na passada de Ciro Immobille. Ótima execução do avançado que é garantia de golos.
Arthur Cabral
Termina em Florença a viagem por terras italianas. É de má memória o nome Arthur Cabral para os adeptos do Sporting de Braga, que viram a equipa sucumbir à Fiorentina em casa. A goleada dos italianos por 4-0 resolveu a eliminatória na primeira mão, num jogo que foi exemplificativo do bom trabalho de Vincenzo Italiano na formação italiana. Acabaram por de pouco valer, mas fica a nota para os dois golaços do Sporting de Braga no jogo de Itália. Não durou muito tempo, mas Castro e Djaló – tem-se afirmado cada vez mais nos arsenalistas – fizeram os minhotos sonhar.
O Sporting de Braga nunca soube lidar com a presença de uma referência ofensiva na frente do ataque viola. Jovic marcou dois, deu lugar a Arthur Cabral que igualou o sérvio com mais dois golos. O primeiro – o 3-0 – é um lance magnífico de animal de área. Lançamento lateral (demonstração de fragilidade do Braga) e lance resolvido em três toques: receção orientada, pequeno toque para tirar André Horta da jogada e remate com a bola ainda no ar. Tudo parece simples quando o intérprete tem qualidade.











