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A difícil temporada de Neymar

César Mayrinck · 3 min

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A temporada 2017/18 foi decepcionante para o Neymar. No início da época o jogador se transferiu do Barcelona para o PSG por 220 milhões de euros e se tornou o jogador mais valioso da história do futebol mundial. A clara intenção do atacante era se transferir para um clube onde pudesse ser o “dono” do time e consequentemente ser eleito o melhor do mundo. Nada contra a sua opção, mas é inegável que foi equivocada. Não falarei da parte financeira pois isso o jogador já está bem resolvido por algumas gerações, portanto ficarei apenas na questão esportiva.

O Neymar não queria ser mais a sombra do Messi e isso foi um dos motivos que o fez deixar a Espanha. Mas ao optar por jogar na França ele deu um passo atrás na carreira. Atualmente jogar no PSG é ter a certeza que disputará o campeonato nacional contra ninguém e isso acaba por dificultar a possibilidade de algum jogador ser eleito o melhor do mundo. No PSG o brasileiro foi eliminado nas oitavas de final da Uefa Champions League. Neymar chegou em Paris sendo a grande estrela do time, mas após o fracasso do Brasil e do jogador na Copa do Mundo o atacante voltará à França com menos destaque que seus companheiros de equipe Mpabbé e Cavani que fizeram um ótimo Mundial.

Sobre a Copa do Mundo, Neymar saiu com a imagem manchada. Tecnicamente fez uma Copa razoável. Mas razoável é pouco para um jogador do nível do Neymar e com as pretensões ousadas que o mesmo possui no futebol. Para piorar a situação, o Mundial serviu para marca-lo como um atleta que simula faltas e lesões em vários lances de uma partida. O jogador virou meme mundial e isso o distancia do status de ídolo do esporte.

As menções negativas que caem sobre o Neymar de certa maneira são justas. Não é de hoje que o jogador tem atitudes em campo que justificam ser chamado de “cai-cai”. É inegável que o atacante sofre muitas faltas, mas essa não é a questão. Pois alguns outros grandes jogadores também são caçados em campo e não possuem a mesma atitude do brasileiro. Sofrer falta e simular faltas não são a mesma coisa.

Neymar ao lado do seu pai. Neymar “Pai” gerencia a carreira do atacante desde a época de Santos
Fonte: Instagram Oficial de Neymar

O atleta chegou a um momento da carreira que precisa mudar suas atitudes e seria importante ter orientação para conseguir isso. Entretanto, até nessa questão o jogador está cercado por pessoas que o adulam ao invés de o exigirem um comportamento mais maduro. Entre essas pessoas está, lamentavelmente, o treinador da seleção brasileira, Tite, que a todo momento o enaltece. Mas talvez a maior pessoa que poderia educa-lo seja o seu pai. Neymar “Pai” assessora a carreira do seu filho e desde o começo da vida profissional do atacante mostrava que não saberia lidar com essa função.

O pai do atacante já teve várias atitudes questionáveis e semana passada ocorreu talvez o episódio mais lamentável. Neymar “Pai” ofendeu e discutiu com a repórter Camila Mattoso da “Folha de São Paulo”. A repórter perguntou sobre uma suposta festa que ele teria patrocinado no hotel em que a seleção brasileira estava hospedada em Sochi, durante a Copa do Mundo. Visivelmente descontrolado, ele respondeu à repórter: “A festa que eu fiz foi com a sua mãe. Eu estava com a sua mãe lá. Eu fiz a festa com a sua mãe, seu pai, quem você quiser.”

Posso concluir que muitas pessoas que o cercam mais prejudicam a carreira do Neymar do que ajudam. Porém, o atacante não é nenhum menino (como muitos ainda o consideram) e para se tornar o ídolo que deseja ser precisa mudar suas atitudes dentro e fora do campo. Para ser um verdadeiro ídolo no esporte a exigência é alta e tem que ser assim mesmo, pois são raros os casos.

Os ídolos são atletas especiais. Neymar tem qualidade e pode redirecionar a sua carreira para outro caminho. Porém, hoje não vejo tal mudança ocorrer. A jogada está com Neymar, nos resta esperar para ver o que fará. É certo que o jogador vai querer dar a volta por cima. Ter ficado de fora da lista dos 10 melhores jogadores que concorrerão ao prêmio de melhor do mundo foi um duro golpe. Que isso sirva de sinal de alerta para que o brasileiro pare, pense e decida como vai querer ser lembrado quando se retirar dos gramados.

Foto de Capa: FIFA

César Mayrinck

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