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AS Monaco: O perfume das flores de Jardim

Pedro Machado · 3 min

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Depois de conquistar, com mérito, o título de equipa mais divertida do futebol europeu pelo fluidez do seu jogo, responsável pelas muitas oportunidades de golo que cria e concretiza, o Mónaco mostrou que pode ir muito além de uma equipa que joga para o espectáculo (algo que, na verdade, não será objectivo primordial para Jardim), na passada quarta-feira, ao virar uma eliminatória desfavorável frente ao Manchester City de Guardiola.

Depois de trazer um 5-3 de Manchester, impôs a sua força no Stade Louis II, e à meia hora de jogo já estava, virtualmente, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões graças aos golos de Fabinho e Mbappé, que coroaram um início de jogo que só conheceu duas equipas, a do Mónaco e a de arbitragem.

O City estava ausente. Não por vontade própria, claro, nem por demérito seu. O Mónaco, simplesmente, fê-lo desaparecer, com um aspecto fundamental do seu jogo e que tem sido o principal patrocinador da excelente época monegasca: reacção à perda da bola.

Bakayoko e Fabinho são autênticos 'reacionários' à perda de bola Fonte: Goal.com
Bakayoko e Fabinho são autênticos ‘reacionários’ à causa da perda de bola
Fonte: Goal.com

Um conceito que Leonardo Jardim teve a coragem de assumir como prioritário. Não teve medo de ser feliz nem de proporcionar felicidade a jogadores que a emanam quando pegam na bola e assumem o drible.

Montou um modelo de jogo que permitisse diversão aos miúdos, sem que houvesse “acidentes”. Ciente dos erros que a irreverência, inevitavelmente, traz, designou dois miúdos mais crescidos e responsáveis para os corrigir – Bakayoko e Fabinho.

Esta dupla do meio-campo monegasco está, a todo o momento, a contar com uma bola perdida de um drible ou um toque a mais, para a recuperar e voltar a devolver à miudagem. Fazem uma espécie de marcação cerrada… aos colegas de equipa.

Quando o jogo circula pelas alas, Fabinho, normalmente descaído sob o lado direito, “vigia” Bernardo Silva, Bakayoko, no lado esquerdo do centro do terreno, é o “encarregado” de Lemar. Quando a bola passa pela zona central, a dupla responsável tanto pode assumir tarefas de construção, como “guardar” as acções de Mbappé, um pêndulo ofensivo que gosta mais de circular sobre a esquerda, mas que também arranca desde a direita, daí convocar a atenção dos dois.

Esta vigia, porém, não é estanque. As subidas dos laterais Sidibé (direita) e Mendy (esquerda) são capazes de a reforçar, porém são mais as vezes em que dão trabalho redobrado a Fabinho e Bakayoko do que aquelas em que o facilitam.

Pode-se dizer que, ao juntar Fabinho e Bakayoko no meio-campo, focando-os para as prováveis perdas de bola da sua equipa, Jardim libertou os melhor dos aromas das flores que tem à sua disposição.

Permitiu que Bernardo Silva desse duas voltas sobre um adversário antes de sair a jogar, deixou que Mbappé (caso sério!) fizesse diagonais no sentido da baliza ou que Lemar partisse para o 1×1 para tentar uma linha de passe mais objectiva.

 

Mbappe, 18 anos, liberto do erro, tem conseguido mostrar tudo o que vale Fonte: Goal.com
Mbappe, 18 anos, liberto do erro, tem conseguido mostrar tudo o que vale
Fonte: Goal.com

Eles sabem que podem expressar todo o talento sem medo das consequências que isso pode trazer, e o resultado está à vista: o Mónaco, para além de ser o líder da Liga Francesa com 87 (!) golos em 30 jornadas (agradece Falcao, renascido, Guido Carrillo, Germain ou outro que ocupe o lugar de referência de área), à frente de um PSG que se julgava imbatível, está na final da Taça da Liga de França, nos quartos-de-final da Taça de França e, claro, da Champions (nunca mais chegam os jogos com o Dortmund!).

Perante calendário tão vasto e jogadores que, pela sua natureza repentista, são propensos a lesões, será possível ao Mónaco aguentar esta intensidade? É difícil, até porque Boschilia e Carrillo, apesar de excelentes soluções, têm tido problemas com lesões, restando apenas Dirar para ajudar à fantasia dos miúdos da frente.

Caso Boschillia e Carrillo consigam fazer uma reta final sem défice físico e desde que não se perca o tal duo do meio-campo, ou as dinâmicas dele (Moutinho tem a inteligência tática necessária para as manter), o facto de o plantel monegasco ser pouco vasto pode ser disfarçado e caminhar-se para uma época lendária.

Foto de capa: Daily Mail

Pedro Machado

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