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O renascimento de Memphis Depay?

Rui Pedro Cipriano · 5 min

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Cabeçalho Liga Francesa

O jovem holandês, com raízes no Gana, demonstra-se ao mundo do Futebol em pleno Mundial 2014, no Brasil, pela seleção da Holanda, então orientada por Louis van Gaal. Desconhecido pela grande maioria dos adeptos de Futebol, Memphis Depay havia feito uma temporada muito positiva no seu clube de formação, PSV Eindhoven, algo que mereceu a atenção do seu selecionador, que decidiu convocá-lo para o sempre especial Mundial.

O jovem Memphis Depay, como seria de esperar, não entrava no elenco inicial da poderosa laranja mecânica, mas terá tido mais oportunidades do que aquelas que, porventura, imaginaria inicialmente. Depois de ser suplente não utilizado no primeiro jogo frente à Espanha, o jovem holandês teve a sua oportunidade frente à Austrália, entrando no início da segunda parte, vingando, desde logo, no jogo coletivo holandês. Depay marcou mesmo o golo que valeria o triunfo da laranja mecânica frente à Austrália por 3-2, um golo que foi marcado aos 69 minutos.

Mas Depay não se ficaria por aqui e, imediatamente no jogo a seguir, frente ao Chile, volta a sair do banco para marcar um golo tardio, aos 92 minutos. Sinais muito positivos que revelavam uma maturidade incrível para um miúdo de 20 anos que estava na maior montra do mundo. Louis van Gaal, impressionado pelas exibições de Depay, volta a apostar nele no jogo seguinte frente ao México, novamente saído do banco, e no jogo dos quartos de final, frente à Costa Rica, onde Depay foi mesmo aposta no onze titular.

Depay fez uma demonstração da sua qualidade em pleno Mundial de Futebol   Fonte: Zimbio
Depay fez uma demonstração da sua qualidade em pleno Mundial de Futebol
Fonte: Zimbio

Apesar do interesse que se gerou no verão do Mundial de 2014 em volta de Depay, o PSV conseguia, ainda assim, segurar esta pérola no seu plantel por mais um ano, uma escolha bastante acertada, pois a época 2014/2015 revelou-se como uma época “explosão” para Depay, com 28 golos marcados e um título holandês que lhe fugia, a si e ao PSV. Depois da hegemonia do Ajax de Frank de Boer, a equipa orientada pelo mítico internacional holandês Phillip Cocu quebrou esta hegemonia e com estrondo, uma diferença pontual de 17 pontos!

O então selecionador holandês que havia apostado em si no Mundial 2014, Louis van Gaal, mudou-se imediatamente a seguir para Manchester, mais concretamente para o Manchester United, e, depois de uma época para esquecer com um 4.º lugar e sem qualquer título, o holandês fez questão de apostar novamente no seu compatriota para ajudá-lo a levar ao sucesso em Manchester. Memphis Depay mudava-se também para Manchester. O Manchester United pagava um montante de 34 milhões de euros ao PSV.

A imprensa inglesa, tão bem conhecida por ter um gosto especial de colocar rótulos em tudo aquilo que é jogador, desde cedo fez questão de colocar a pressão extra no jogador holandês ao anunciá-lo como o próximo Cristiano Ronaldo. Expectativas muito elevadas, não?

A verdade é que Depay até começou bem em Manchester, fazendo jogos completos e marcando golos, mas o jogador holandês foi perdendo gás e terminou a época sendo suplente não utilizado ou pouco utilizado. Os números não são nada impressionantes também: em 46 jogos, o jovem holandês marcou apenas 7 golos. A nível coletivo, as coisas também não corriam melhor: o Manchester United piorou a sua prestação no campeonato e ficou em 5.º lugar na Liga Inglesa, desta vez, não sem títulos, pois conquistaram a FA Cup frente ao Crystal Palace . Mesmo assim, o despedimento de Louis van Gaal não seria evitado e, para o seu lugar, era contratado o treinador português José Mourinho. Para completar um ano tão negativo só faltava também a Holanda falhar a qualificação para o Europeu 2016, deixando, assim, este jovem talento fora de um grande palco do futebol.

Com a chegada do português chegava também um período de afastamento de Depay dos relvados, fora das contas do treinador português e, portanto, pouco utilizado o jogador partia, assim, no mercado de inverno de 2016/2017 para o seu atual clube, Olympique Lyon, a troco de 16 milhões de euros.

As razões para o insucesso de Depay poderão ser diversas, desde logo a questão da pressão que a imprensa inglesa colocou no jogador, ao rotulá-lo de próximo Cristiano Ronaldo.

Depay não teve vida fácil em Manchester  Fonte: Manchester United FC
Depay não teve vida fácil em Manchester
Fonte: Manchester United FC

Depay voltou para um “habitat” onde já se tinha sentido confortável, o Lyon que, apesar de ser um clube reputado europeu, não é um clube com as aspirações de um Manchester United. Em Lyon, o holandês poder-se-ia destacar novamente individualmente, como tinha feito no PSV.  Depay foi sendo uma peça inconstante na equipa de Bruno Génésio, ora suplente utilizado ora titular, mas sempre substituído, até marcar o seu primeiro golo frente ao Nancy. Depois deste jogo, o jogador holandês foi fazendo os 90 minutos com mais regularidade e conseguiu repetir um bis por duas vezes, frente ao Metz e ao Toulouse. Seria o renascimento de Memphis Depay, o jovem frenético holandês que se havia destacado no PSV? Só a época seguinte o diria.

E a época 2017/2018 tem sido uma segunda época de afirmação para Depay. Ainda que longe do nível em que esteve em 2014/2015 e da afirmação pessoal que obteve, 2017/2018 tem sido, sem dúvida, a época mais positiva do holandês depois de 2014/2015. Em metade da época, o holandês leva já quase mais golos marcados (11 golos) do que nas duas épocas anteriores (12 golos), com destaque para o hat-trick marcado ao Troyes.

Ainda assim, Memphis Depay não é uma peça indiscutível no jogo do Lyon e a sua utilização não tem sido consistente. Não sei se a atitude do jogador holandês nos treinos ou em certos jogos não será a melhor, mas a verdade é que Bruno Génésio teima em não dar a titularidade indiscutível a Depay, mesmo apesar da qualidade individual que este traz ao jogo do Lyon.

Estratégia do próprio treinador francês, que pretende não acomodar Depay, ou simples gestão de esforço, tendo em conta a propensão de lesões que o holandês tem? Só ele sabe.  Titular ou não, a verdade é que Depay tem feito a diferença e, no passado fim de semana, saído do banco, o holandês mexe no jogo com o Paris SG e marcaria mesmo o golo da vitória aos 94 minutos, reduzindo a diferença pontual para o líder PSG para oito pontos.

Depay foi o herói em Lyon no jogo contra o PSG    Fonte: Olympique Lyonnais
Depay foi o herói em Lyon no jogo contra o PSG
Fonte: Olympique Lyonnais

Seria este golo que faltaria a Memphis Depay para se afirmar totalmente no onze inicial do Lyon? Só Bruno Génésio o poderá dizer. O próximo jogo frente ao campeão francês, Mónaco, será outro teste decisivo para Depay demonstrar a sua qualidade individual e a diferença que pode fazer nesta equipa francesa. Veremos se o holandês, ao contrário daquilo que aconteceu em Manchester, não cede psicologicamente e se irá reafirmar-se no Futebol Europeu. Ainda é novo e tem tempo para dar outro salto para um gigante europeu. Como nota negativa desta temporada ficará, seguramente, a sua nova ausência dos palcos internacionais, com a não qualificação da Holanda também para o Mundial de 2018 na Rússia.

Foto de Capa: The Sun

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Rui Pedro Cipriano

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