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As 5 revelações da Liga Inglesa nesta temporada

Marta Rebelo · 5 min

Kai Havertz Liga Inglesa
Foto: Chelsea FC

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Bukayo Saka, Mason Mount, Pedro Neto, Aaron Wan-Bissaka, Phil Foden, Mason Greenwood, Christian Pulisic. Poderíamos perfeitamente ficar por aqui umas belas horas a falar sobre os nomes que se destacaram na Liga Inglesa em 2020/2021. Porém, tomo do partido que todas estas são caras mais do que conhecidas para todos nós que acompanhamos o futebol internacional.

Neste artigo, optei por falar sobre cinco jovens jogadores que não tiveram a mesma visibilidade anteriormente ou que, simplesmente, não tinham chegado à Premier League até ao início da presente época.

5.

Emile Smith Rowe – Uma clara aposta das camadas jovens do Arsenal FC que não conta com deixá-lo fugir tão cedo, foi no Championship (Segunda Liga Inglesa) que o médio atacante de 20 anos começou a dar cartas, fazendo valer o seu empréstimo ao Huddersfield Town AFC com dois golos e três assistências.

Apesar da época desapontante do clube londrino, e ainda que a aposta em Smith Rowe não tenha começado há muito tempo, em dezembro passado, o inglês tem conseguido ganhar o seu lugar e acrescentar brilho ao meio-campo dos Gunners. O técnico Mikel Arteta é muito explícito no seu discurso: o menino de que aqui se fala tem todo o potencial para ser um dos melhores números “dez” da Europa.

O jovem jogador combina muito bem com Bissaka e junta inteligência e criatividade a uma capacidade técnica acima da média, manifestando, portanto, qualidades de um potencial futuro maestro. Com pés rápidos e primeiro toque hipnotizante, o pupilo de Arteta corre o campo de uma ponta à outra a apoiar os colegas e, acima de tudo, demonstra estar sempre vários passos à frente daquilo que vai acontecer, facilitando intuitivamente a criação de jogo.

4.

Wesley Fofana – Foi perto dos seus atuais 20 anos que o francês deixou o AS Saint-Étienne por 35 milhões de euros, naquilo que foi uma aposta clara do Leicester City FC para fortalecer o eixo da sua defesa.

O “pequeno” de 1,90m adaptou-se perfeitamente à competitiva liga inglesa, mostrando desde logo autoridade e consistência pouco comuns para a idade. Agressivo só mesmo no ataque à bola, uma vez que combina brilhantemente velocidade com poder de antecipação, sendo normal que conte com seis amarelos, mas nenhum vermelho. Atento, forte no jogo aéreo e ágil a reagir a qualquer eventualidade, facilmente recupera a posição para auxiliar um companheiro ou roubar a bola ao seu portador, tornando muito difícil ludibriá-lo em campo.

Wesley Fofana faz parte da excelente escola francesa de defesas centrais modernos que, apesar de tudo, ainda nos surpreendem com boa técnica de passe e capacidade de avançar pragmaticamente com o esférico.

3.

Eberechi Eze – Habituado desde cedo à mudança, este jovem passou por diversos clubes da área de Londres e esteve prestes a desistir do futebol quando, aos 16 anos, foi frustrantemente dispensado pelo Millwall FC. Felizmente, o Queens Park Rangers FC não o deixou largar o sonho e o médio atacante inglês agradeceu com 20 golos e 13 assistências, nos 112 jogos que fez ao serviço do clube que deixou há menos de um ano.

Agora com 22 anos, e depois de tantas “desventuras”, a intensidade da principal liga inglesa parece ter-lhe assentado que nem uma luva. Resiliente e flexível dentro e fora das quatro linhas, o jogador do Crystal Palace FC tem estado presente em praticamente todos os momentos e participou até ao dia de hoje em ¼ dos golos da equipa esta época. Rápido e fisicamente forte, destaca-se principalmente pela visão de jogo e pela forma exímia como trata a bola.

Arrisca com sucesso o remate de longe, gosta de marcar livres e não admira que tenha confessado ter visto todos os vídeos disponíveis de Ronaldinho Gaúcho, dada a maneira como se move e passa pelos adversários sem que eles se apercebam que por ali esteve.

2.

Tomas Soucek – O checo de 26 anos passou a maior parte da sua carreira entre empréstimos e foi precisamente assim que, em janeiro de 2020, encontrou o lar que o acolheu de braços abertos. Depois de meia época de empréstimo, o West Ham United FC optou por comprá-lo e tem feito render muito bem o investimento, uma vez que Soucek participou em basicamente todos os minutos de jogo possíveis até agora.

A popular época dos “martelos” nem aos mais desatentos tem passado despercebida e o gigante checo tem tido um papel preponderante em campo e no balneário. Não só conquistou os corações dos adeptos, Soucek injetou espírito de vitória e influenciou a ética de trabalho do grupo ao ponto de levar o clube inglês a enviar mais olheiros para a República Checa. Considerado o mais aguerrido do plantel, no ar ninguém lhe ganha e a isso junta-se o faro que tem para o golo.

Apesar de atuar principalmente como médio defensivo, o jogador conta com uma assistência e nove golos e corre sérios riscos de ser eleito “Martelo do Ano”.

1.

Kai Havertz – Não foi ao acaso que o Chelsea FC pagou 80 milhões de euros ao Bayer 04 Leverkusen por um miúdo de 21 anos. A verdade é que não o vimos muito durante a primeira metade da época, mas o jovem proveniente da cidade mais ocidental da Alemanha tem compensado e, nas últimas três partidas da Liga Inglesa, ofereceu um golo e marcou outros três.

Coincidência ou não, por falarem a mesma língua, o que é facto é que o jogador e o técnico Thomas Tuchel se estão a dar lindamente e parecem ter chegado a um consenso quanto ao papel do médio atacante na equipa.

Comparado a Michael Ballack, Mesut Özil e Toni Kroos, o jovem alemão é aquilo que no seu país chamam de Alleskönner – o nosso simples e popular “faz-tudo”. Defende, assiste, cria e marca golos para todos os gostos. Incisivo nos passes, tecnicamente elegante, taticamente engenhoso. Honestamente, não espero menos do que vê-lo compor sinfonias nas quatro linhas dos Blues.

Marta Rebelo

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