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André Villas-Boas explica ao pormenor as razões para o insucesso no Chelsea e admite: «Falhei redondamente»

Diogo Ribeiro · 2 min

André Villas-Boas FC Porto
Foto: FC Porto

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André Villas-Boas falou da importância da questão da liderança no sucesso de um treinador. Presidente do FC Porto recordou passagem pelo Chelsea.

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, marcou presença na Cardioligy Gaia Meeting 2026. O dirigente recordou a passagem como treinador no Chelsea, em 2011/12 e destacou as razões por detrás do insucesso.

«Houve uma altura da minha carreira em que apliquei uma liderança que eu pensava que transportava comigo da organização do FC Porto. Para quem não sabe, eu saí do FC Porto para ser treinador do Chelsea e pensava que o treinador que fui no FC Porto, com uma estrutura por trás, poderia ser esse mesmo treinador e liderar os jogadores do Chelsea dessa forma: altamente disciplinador, rigoroso e fazendo saber toda a gente que ninguém era mais importante que o clube. A verdade, é que aquele balneário tinha as suas especificidades, entre os altamente talentosos, as prima-donas e outros. Era um conjunto de egos particulares. Isso requer de um líder que não ceda nos próprios princípios básicos, nos que são universais, no aspeto pessoal e humano, mas que saiba colocar uma máscara. Essa máscara serve para retirar o máximo de um jogador na aplicação do talento em campo», começou André Villas-Boas, que explicou as diferenças.

«Isto é muito difícil, pois todos nós vivemos sob o princípio do “Eu sou a mesma pessoa para toda a gente”. Quem está em papéis de liderança sabe perfeitamente que, para motivar um determinado indivíduo, temos de ser capazes de sobre uns usar pressão, rigor, exigência e para outros, através de uma via de conforto, de amigo, de abrir os braços», completou o presidente do FC Porto.

André Villas-Boas prosseguiu as explicações e continuou a explicar as aprendizagens retiradas do passado como treinador do Chelsea.

«Há determinados talentos e egos que determinam alguma flexibilidade, diferentes respeitos e uma diferente aproximação. Esse, por exemplo, foi um dos casos em que falhei no Chelsea. Para mim, estavam todos no mesmo patamar, todos obedeciam às mesmas regras e não havia diferenças. Foi por isso que falhei redondamente. A liderança tem de ceder ao nível do respeito e da consideração perante determinados estatutos, mas num grupo desportivo, a liderança do treinador tem de ser sempre soberana», continuou o antigo treinador do Chelsea.

«Acho que a importância do líder nunca pode estar em causa. As decisões são soberanas e é assim que elas se devem manter. Depois, há coisas que obrigam a carinhos especiais e a determinadas concessões, mas também é verdade que, dentro das dinâmicas dos grupos, todas as pessoas reconhecem os que são os distintos e que os ajudam a atingir determinados objetivos. Fugindo aqui ao tema Ronaldo, podemos pensar em diferentes jogadores que atingiram estes patamares, desde os Ronaldinhos Gaúchos, Neymares e banalizando um pouco aqui o Pelé e o Maradona. As pessoas reconhecem que são distintos e que, para renderem, precisam de benesses específicas. Claro que há também maturidade das pessoas para se comportarem dignamente e nos devidos lugares, respeitando os treinadores», concluiu o presidente do FC Porto.

Recorda também as declarações de André Villas-Boas no mesmo evento sobre o futebol português e a relação com os presidentes dos clubes adversários.

Diogo Ribeiro

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