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Decorridas 24 jornadas o Chelsea FC lidera confortavelmente a Premier League com nove pontos de vantagem sobre o segundo classificado Tottenham Hotspur FC. Ainda que o futebol apresentado pela equipa de Mauricio Pochettino seja, sob o ponto de vista da posse e circulação de bola, mais atrativo do que o praticado pela equipa de Antonio Conte, é o Chelsea FC que leva vantagem com a sui generis ideia de jogo do treinador italiano: controlar o jogo…sem bola.
O Chelsea FC tem vindo a alinhar, na baliza, com um dos melhores guarda-redes do mundo, o belga Thibaut Courtois. À sua frente uma defesa a três composta por Gary Cahill mais descaído para o lado esquerdo, Azpilicueta no lado direito, e David Luiz na zona central. À frente da defesa encontram-se os dois esteios do meio-campo da equipa londrina, Kanté e Matic, com Marcos Alonso a jogar na ala esquerda e Victor Moses na ala direita. Na frente, sem verdadeiros extremos, é Eden Hazard o interior ofensivo que se apresenta mais à esquerda e Pedro Rodríguez aquele que alinha mais à direita, ambos em apoio ao ponta de lança espanhol Diego Costa.

A equipa de Antonio Conte, um dos melhores treinadores do mundo no momento de organização defensiva, tem uma dinâmica coletiva muito interessante e um modelo de jogo que, goste-se ou não, é consistente e encontra-se bem trabalhado. Partindo de uma estrutura de 3-4-3, a equipa tem em Kanté e Matic uma parte crucial do seu sucesso nos movimentos ofensivos. São os dois futebolistas que, por um lado, fazem a ligação entre o corredor central e os corredores laterais e, por outro lado, quando têm bola, atraem os defesas adversários abrindo espaços nos corredores laterais onde surgem os alas Alonso e Moses.
Foto de Capa: Chelsea FC
A saída a jogar da equipa do Chelsea FC, com a sua defesa a três, encontra-se igualmente bem trabalhada e garante qualidade na fase inicial de construção. O facto de a primeira fase de construção ser marcada, habitualmente, por superioridade numérica relativamente aos avançados da equipa adversária faz com que Cahill ou, mais frequentemente, Azpilicueta, possam progredir com bola até ao meio-campo. Assim sendo, a qualidade técnica e a capacidade de tomada de decisão destes dois futebolistas dita em muito a qualidade da equipa na manutenção da posse de bola na construção.
Uma das imagens de marca deste Chelsea FC é a ausência de verdadeiros extremos. Assim sendo, Hazard e Pedro Rodríguez tendem a receber a bola numa posição mais central como forma de atrair os laterais da equipa contrária. Ao faze-lo abrem espaço para a progressão em velocidade dos alas Alonso ou Moses a quem, pela qualidade técnica dos interiores ofensivos da equipa londrina, a bola acaba por ser endossada com relativa facilidade criando-se situações de desequilíbrio. Outra combinação frequente, sobretudo quando é dado espaço no corredor central, é a entrega da bola em Diego Costa e subsequente movimento de rutura de um dos interiores ofensivos; este, ao arrastar o lateral adversário, abre espaço para a progressão dos alas levando, igualmente, à potencial criação de situações de desequilíbrio.

Eden Hazard e Pedro Rodríguez são, igualmente, dois futebolistas muito importantes no momento ofensivo do Chelsea FC. Se ao espanhol é pedido rigor tático e, como tal, este baseia o seu jogo sobretudo no ataque à profundidade através de movimentos diagonais por entre os defesas adversários, o belga tem carta branca para explanar a sua criatividade em campo. Assim sendo, a somar às diagonais que também realiza (seja para se desmarcar e receber a bola ou simplesmente para arrastar os defesas contrários), Hazard conduz também muitas vezes a bola, com a sua qualidade técnica, até ao flanco oposto criando situações de superioridade numérica que, por via de combinações, podem resultar em desequilíbrio para a defesa adversária.
Foto de Capa: Chelsea FC
Já no momento de transição defensiva é em Kanté e Matic que recaem grande parte das responsabilidades. Quando a equipa se encontra em situação de ataque estes posicionam-se habitualmente à entrada da área e, em caso de perda de bola, são os primeiros a acompanhar e, dessa forma, a controlar o contra-ataque adversário. Aos dois futebolistas junta-se, habitualmente, Gary Cahill ou Azpilicueta nesta tarefa. A reação à perda não é tendencialmente agressiva, até porque o Chelsea FC não é uma equipa que procure constantemente ter bola, mas é sobretudo realizada numa lógica de controlo por via da desaceleração do contra-ataque.
Em organização defensiva a equipa tende a posicionar-se num bloco baixo, com os alas a juntarem-se ao trio defensivo para formar uma defesa a cinco. Já no meio-campo Pedro Rodríguez e Eden Hazard juntam-se a Kanté e Matic para formar uma linha de quatro, configurando-se a equipa, estruturalmente, num 5-4-1. Desta forma a defesa consegue controlar toda a largura de forma competente sem que exista a necessidade de colocação de jogadores de caraterísticas mais ofensivas na grande área a desempenhar funções defensivas. A equipa atua com defesa à zona em função da posição da bola, sem que nunca exista a intenção de recuperação rápida da posse da mesma. Assim, no meio-campo, a ideia passa sempre por pressionar o portador da bola para que este não consiga realizar passes que possam resultar em desequilíbrio; apenas quando a primeira linha de quatro é ultrapassada a equipa tende a aumentar a sua agressividade defensiva, habitualmente com um dos centrais a sair rápido no portador da bola procurando impedir que este se enquadre com a linha defensiva.

Com Antonio Conte ao leme o Chelsea FC tem baseado o seu jogo, acima de tudo, nos momentos de organização defensiva e de transição ofensiva, embora não se descure a busca pela qualidade nos restantes momentos do jogo. Não é uma equipa que, à semelhança do brilhante FC Barcelona de Pep Guardiola, deseje ter bola, nem sequer uma equipa cuja principal premissa seja “a melhor forma de não sofrer golos é não dando a bola ao adversário”. As palavras de ordem da equipa londrina são coberturas, equilíbrios e concentração. Pode não ser o estilo mais atrativo, mas a verdade é que se tem mostrado competente e, acima de tudo, bem adaptado ao contexto futebolístico no qual está inserido.
Foto de Capa: Chelsea FC










