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Manchester City FC 0-2 Wolverhampton Wanderers FC: Liderança ainda mais longe após duelo “muito português”

Alexandre Candeias · 4 min

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A “armada portuguesa” do Wolverhampton deslocou-se a casa do atual campeão inglês, o Manchester City, em jogo a contar para a oitava jornada da Premier League. Os comandados de Nuno Espírito Santo contaram com Rui Patrício, Rúben Vinagre, Rúben Neves e João Moutinho no onze inicial, enquanto que Diogo Jota ficou fora dos convocados, devido a lesão. Já do lado dos pupilos de Pep Guardiola, João Cancelo foi a grande surpresa entre os titulares, alinhando na esquerda da defesa, ficando Bernardo Silva no banco de suplentes (ele que aguarda a decisão da FA relativamente ao alegado caso de racismo).

A equipa de Manchester assumiu desde início o controlo da posse de bola, mas tardou em criar um lance de verdadeiro perigo. De facto, foi mesmo o Wolves quem criou as duas primeiras grandes chances para marcar: inicialmente, foi Patrick Cutrone que ficou no um para um com Ederson, mas enviou a bola muito ao lado da baliza; depois, foi a vez de Raúl Jiménez, que driblou Fernandinho e rematou para defesa do guardião brasileiro. Se o City tentava acalmar o jogo e construir lances rendilhados, os “lobos” optavam por manter-se na contenção e sair rapidamente para o contra-ataque.

Perante as ameaças da turma de Nuno Espírito Santo, os “citizens” começaram a perceber que era urgente “acordar” e incomodar também o adversário. O primeiro aviso foi de Sterling, com um remate à entrada da área para defesa de Rui Patrício; a partir daqui, sucederam-se alguns lances pela ala esquerda ofensiva do City, com David Silva a juntar-se a Cancelo e Sterling na lateral e a criar dificuldades a Adama Traoré, que estava sempre muito desapoiado. Apesar da constante colocação de bolas na área do Wolves, os pupilos de Guardiola apenas conseguiam finalizar jogadas com remates de fora da área, sem que criassem perigos de maior para o adversário.

O nulo manteve-se até ao intervalo e, dadas as oportunidades flagrantes que existiram até então, era um resultado aceitável. No entanto, o Manchester City tinha um controlo muito superior da posse de bola, podendo ferir o Wolverhampton no segundo tempo caso conseguisse materializar essa supremacia.

Fonte: Premier League

Com o reatar da partida veio também a primeira mexida no City, com Zinchenko a entrar para o lugar de Kyle Walker e a fazer com que João Cancelo transitasse para a lateral direita. No entanto, esta mudança não veio trazer nada de novo ao jogo, mantendo-se um ritmo baixo e continuando a ser um dos jogos menos conseguidos dos “citizens” desde que Guardiola assumiu o camando da equipa. Perante isto, o treinador espanhol decidiu introduzir Bernardo Silva na partida, com o objetivo de ter mais um homem na fase de construção da equipa e com uma qualidade de passe de nível superior à de Mahrez.

A pressão dos homens de Manchester intensificou-se bastante, começando a criar cada vez mais lances de perigo para a defesa do Wolves. Ainda assim, o mau dia no campo da finalização mantinha-se, ora por incapacidade, ora por azar. O maior exemplo disto foi um livre de David Silva, ao minuto 68, que foi cobrado de forma exímia, mas mesmo assim embateu na trave da baliza de Patrício, que estava completamente batido. O nulo parecia ser inquebrável e, assim continuando, favorecia muito mais os “lobos” do que os “citizens”.

Aos 76 minutos surgiu (finalmente) a primeira jogada de construção coletiva do City que originou um remate, tendo sido “desenhada” em português: Gabriel Jesus, acabado de entrar, lançou João Cancelo pela direita, tendo este colocado no meio para finalização de Bernardo Silva, mas o remate embateu em Aguero e acabou nas mãos de Rui Patrício. No entanto, e completamente contra a corrente de jogo, foi o Wolverhampton quem chegou ao golo, com Raúl Jiménez a deixar por terra Otamendi e a abrir para Adama Traoré, que finalizou com a frieza que se lhe pedia, perante a saída de Ederson. O campeão perdia em casa e com apenas dez minutos para jogar!

Como era de esperar, foram os “citizens” que continuaram a encostar os “lobos” ao seu meio-campo defensivo, na busca de pelo menos um golo que lhes permitisse salvar, no mínimo, um ponto. No entanto, foi Adama Traoré quem deu a “machadada final” no jogo, aproveitando novo passe letal de Jiménez e finalizando outra vez no um para um com Ederson. Logo a seguir ao golo, o jogo terminou, saindo o City derrotado por 0-2 e ficando assim a oito pontos do Liverpool. Ainda que a superioridade na posse de bola tenha sido totalmente do Manchester City, as grandes oportunidades pertenceram ao Wolverhampton, que aproveitou duas das quatro ou cinco que teve. Um grande resultado para Nuno Espírito Santo e os seus pupilos. 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Manchester City – Ederson; Kyle Walker (Zinchenko, 46’); Otamendi; Fernandinho; João Cancelo; Rodri; Gundogan; David Silva (Gabriel Jesus, 75’); Riyad Mahrez (Bernardo Silva, 60’); Raheem Sterling; Sergio Aguero.

Wolverhampton – Rui Patrício; Willy Boly; Coady; Saiss (Bennett, 13’); Adama Traoré; Rúben Neves; João Moutinho; Rúben Vinagre (Jonny, 74’); Dendoncker; Cutrone (Doherty, 68’); Raúl Jiménez.

A FIGURA

Fonte: Premier League

Adama Traoré – Na primeira parte levou com João Cancelo e Raheem Sterling vezes e vezes sem conta, mas foi sempre espreitando as saídas rápidas, sendo a velocidade a sua maior arma. Ora, foi precisamente em duas dessas saídas rápidas, e numa altura em que já estava na frente de ataque com Raúl Jiménez, que assinou os dois golos da sua equipa, com a calma que as ocasiões pediam.

O FORA DE JOGO

Fonte: Manchester City FC

Manchester City – Jogo completamente falhado por parte de Guardiola e dos seus pupilos. Não conseguiram criar oportunidades de grande perigo (tirando o live de David Silva, que bateu na trave), o jogo interior foi praticamente inexistente e as substituições foram bastante tardias. Se é verdade que dominaram a posse de bola, também o é que isso, por si só, não vence jogos.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

Alexandre Candeias

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