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Pedro Machado · 2 min

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Cabeçalho Liga Inglesa

As primeiras jornadas dos principais campeonatos europeus, coincidentes com o último mês de abertura do mercado de transferêncais, parecem dissociadas do resto dessas provas. É uma fase de adaptação à intensidade da competição, mas também um período de incerteza relativamente à constituição dos plantéis de cada equipa. Isto afeta, naturalmente, os jogadores. Os que sabem que vão ficar, incertos sobre se vão continuar a contar com os que podem partir, e os que podem partir, ansiosos por não ficar. Alguns deles até são afastados do plantel principal e são forçados a ter, mais tarde, o mês de adaptação competitiva. O desempenho desportivo é, claro, afetado.

Mas não é só. A verdade desportiva (tão em voga nos dias que correm) também é perturbada, porque pode acontecer que um jogador dispute a primeira jornada por um clube e que, na seguinte, represente a do adversário que enfrentou. Também se pode dar o caso de esse jogador ser afastado da competição, de forma a preservá-lo fisica e mentalmente para uma futura transferência, mas aí o jogador ficaria privado da tal adaptação competitiva, pelo que o clube que vende (que não tem o seu jogador em campo), o clube que compra e, sobretudo, o jogador ficariam, de certa forma, prejudicados. O único beneficiado seria o seu agente, que aproveitaria a espera para lançar especulação de forma a aumentar o preço de transferência, que lhe iria garantir um maior ganho com a suposta “comissão de agenciamento”.

Coutinho protaginozou uma das 'novelas' do mercado de transferências Fonte: Mirror
Coutinho protaginozou uma das ‘novelas’ do mercado de transferências
Fonte: Mirror

Onde fica o espetáculo no meio disto tudo? Onde fica o suposto principal protagonista (o Futebol) no meio de um guião inundado pela ganância de uma pessoa que nada tem a ver com ele? Continua a existir, sim (a bola rola na mesma), mas estará condicionado pelo facto dos seus interesses não serem atendidos. Afinal, a credibilidade do jogo que tanta gente ama fica afectada e esfuma-se por entre guerras de bastidores. É o futebol-negócio, com todo o mal que isso tem, a atingir o seu esplendor em prejuízo do futebol-desporto.

“Mas sempre foi assim”, pode alegar-se. É verdade. Mas dizia-se o mesmo há muitas décadas atrás, quando se colocavam sanguessugas no corpo para curar certas maleitas. “Mas sempre foi assim” até deixar de o ser. Evoluiu-se, revolucionou-se. E a revolução no futebol tinha de começar por algum lado. Ainda bem que partiu dos mais poderosos. A Liga Inglesa oficializou o fecho do mercado de transferências do próximo Verão para o dia 9 de Agosto, dois dias antes da competição começar. A partir daí, nenhum clube inglês poderá contratar, apenas vender.

O anúncio oficial da Premier League, relativo à antecipação do fecho do mercado de Verão de 2018 Fonte: Premier League
O anúncio oficial da Premier League, relativo à antecipação do fecho do mercado de Verão de 2018
Fonte: Premier League

Saem prejudicados? Talvez. Caso nenhum país lhes siga as pegadas, estarão quase um mês em desvantagem competitiva para com outras ligas, cujos clubes poderão comprar e fazer todos aqueles jogos obscuros de alicamento, “por fora”, com jogadores da Premier League. Mas convenhamos, esses jogadores estão na liga mais desejada do mundo e os seus clubes terão, de certeza, condições financeiras para rivalizar com uma proporção gigantesca de equipas de outros campeonatos.

Ou seja, se havia liga com margem para se sacrificar em detrimento do futebol, era a Premier League. Ainda bem que o fez. Os apaixonados, como o redator desta crónica, pelo futebol desporto, ficam eternamente gratos.

Foto de capa: Premier League

Pedro Machado

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