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Arsenal FC e Liverpool FC encontram-se no Estádio Emirates a três jornadas do fim da Liga Inglesa. Os reds já asseguraram o primeiro lugar, mas lutam por bater os 100 pontos, recorde da competição detido pelo Manchester City. Por outro lado, os gunners, em processo de reconstrução, ainda têm em jogo a participação nas competições europeias da próxima temporada, embora a possam conseguir via FA Cup. O Arsenal venceu o Liverpool pela última vez em 2015. De lá para cá, dez jogos depois, a equipa não conseguiu repetir o feito.
Na primeira volta, ainda com Unai Emery como técnico dos londrinos, o Liverpool venceu por 3-1, numa partida em que brilhou Mohamed Salah, com dois golos apontados.
Não obstante aos objetivos das duas formações e aos momentos distintos que vivem, os jogos entre Arsenal e Liverpool são sempre um clássico de rivalidade bem vincada. Ao longo dos mais de 200 encontros disputados entre as duas equipas, com um histórico favorável aos comandados de Jürgen Klopp, houve vários que ficaram para a história pelos acontecimentos dignos de epopeia, autênticos épicos do futebol.
5.
Arsenal 2-1 Liverpool (1970/71 – final da FA Cup) – Perante 100 mil espetadores, Arsenal e Liverpool brindaram Wembley com um jogo espetacular. Decorria o ano de 1971 e em jogo estava a sempre prestigiante FA Cup. O Arsenal dominou durante o tempo regulamentar, mas, ao fim de 90 minutos, o resultado terminou como começou: 0-0. No entanto, o melhor estava guardado para o fim.
Não fosse o extraordinário prolongamento que as equipas protagonizaram e talvez não estivéssemos a recordar este encontro. No final do tempo regulamentar, os jogadores, exaustos e sem os luxos de hoje, recorriam a baldes metálicos carregados com água que passavam entre si para se refrescarem e, sentados no relvado, esticavam as pernas numa tentativa desesperada de fazer o seu corpo suportar mais meia hora de jogo.
Logo no início do prolongamento, o avançado do Liverpool, Steve Heighway, fez o primeiro golo. O já campeão Arsenal foi buscar forças onde só os grandes heróis o fazem e deu a volta ao marcador. Primeiro fez o gosto ao pé o escocês Eddie Kelly, e, dez minutos depois, Charlie George, um jogador com uma altura que o distinguia de todos os outros atletas, cabelo pelos ombros e umas patilhas de respeito, como a moda da época impunha, marcou um golo que ficou para a história, virando o resultado a favor dos gunners. No momento da celebração, George deitou-se no chão e abriu os braços em sinal de conquista. Uma icónica celebração gravada para sempre na memória dos adeptos londrinos.
4.
Arsenal 1-2 Liverpool (2000/01- final da FA Cup) – Novamente no Estádio de Wembley, o Liverpool procurava conquistar a sua sexta FA Cup, mas não só. Os reds, naquele dia equipados de amarelo, jogavam pelo desejo incessante de vingar as derrotas nas finais de 1950 e de 1971.
Com Arsène Wenger no banco de suplentes do Arsenal, os londrinos contavam com Patrick Vieira, Dennis Bergkamp e Thierry Henry. No lado do Liverpool, alinhavam Steven Gerrard, Jamie Carragher e Michael Owen, sendo que este último viria a reivindicar para si todo o protagonismo desta partida.
A 18 minutos do fim do jogo, o sueco do Arsenal, Fredrik Ljungberg, abriu a contagem. Michael Owen não gostou do que estava a ver e ativou o modo “vamos jogar a sério” e, no espaço de 5 minutos marcou dois golos, aos 83 e aos 88, tirando a mão que o Arsenal já tinha no troféu e colocando as suas duas.
3.
Liverpool 0-2 Arsenal (1988/89 – Liga Inglesa) – À entrada para a última jornada do campeonato inglês, na ressaca do desastre de Hillsborough que vitimou 96 adeptos dos reds, Liverpool e Arsenal entravam em campo com uma diferença de três pontos a favor da equipa da margem do Marsey. As contas eram simples: para o Arsenal ser campeão tinha que bater, em Anfield, os reds, dez vezes campeões nas últimas 16 temporadas, por dois golos de diferença. Só assim poderiam igualar a diferença entre golos marcados e sofridos do Liverpool e beneficiar do maior número de golos marcados na competição.
Se o golo de Alan Smith fez o alarme soar, o golo de Michael Thomas, já para lá do minuto 90, foi a prova de que já não havia salvação para o drama a que Anfield assistiu naquele dia e que deixou os adeptos da equipa da casa silenciados, contrastando com o delírio dos adeptos dos gunners que conquistaram o seu nono título de campeão inglês.
2.
Liverpool 4-4 Arsenal (2008/09 – Liga Inglesa) – “From Russia with love”.
Parece contraditório, mas foi um russo que aqueceu Anfield naquela noite de clássico. Andrey Arshavin marcou não por uma, não por duas, não por três, mas por quatro vezes! No entanto, o Arsenal, carregado às costas pelo extremo, foi bem acompanhado por um Liverpool muito competente e repleto de craques. Do lado dos reds, brilharam Benayoun e Fernando Torres, com dois golos cada um.
Com alterações na liderança do marcador e golos de belo efeito, este jogo é impossível não ser conotado com o chavão de “impróprio para cardíacos”.
1.
Liverpool 5-5 Arsenal (2019/20 – EFL Cup) – Não é preciso recuarmos muito no tempo para encontrarmos o jogo mais emocionante entre estas duas formações. Ao olhar para o onze inicial das duas equipas, era pouco expectável um espetáculo desta envergadura. No entanto, ainda que a contar para uma das competições menos importantes do futebol inglês, deixou os amantes do futebol rendidos.
Jürgen Klopp aproveitou a ocasião para dar oportunidade a jovens como Harvey Elliott, o segundo jogador mais novo de sempre a jogar pelo Liverpool, Neco Williams e Sepp van den Berg. Os Klopp Babes, embalados pelo You’ll Never Walk Alone entoado pelos adeptos reds, deram espetáculo e mostraram que o futuro está assegurado. No Arsenal, jogaram Joe Willock, Bukayo Saka e Gabriel Martinelli que, entretanto, se tornaram opções mais regulares na equipa.
Quanto ao jogo, houve erros, grandes golos, para os dois lados (destaque para o de Oxlade-Chamberlain e o de Willock), e, acima de tudo, houve emoção. O Liverpool só esteve em vantagem por uma vez ao longo da partida e só quatro minutos para lá dos 90 é que selou o empate definitivo. Nos penáltis, onde qualquer adepto rói as unhas, a sorte sorriu à equipa da casa. Não valeu de muito, pois a vitória na competição foi do Manchester City, mas, para a história, fica a emoção que a partida teve do início ao fim.
Artigo revisto por Diogo Teixeira












