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Quem tem medo do Manchester United?

Frederico Seruya · 3 min

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Já vão longe os tempos em que o Manchester United FC era um colosso que dominava o futebol inglês e, não raras vezes, a Europa. Este United já não é o de Alex Ferguson, nem de Beckham, Giggs, Phil e Gary Neville, Paul Scholes, Schmeichel, Dwight Yorke, Andy Cole, Carrick, Ferdinand, Rooney, Cristiano Ronaldo, e podia ficar aqui mais uma quantas linhas a enumerar tantos que fizeram deste United o “papão” que ninguém queria defrontar.

Hoje em dia, a história é outra. Este United já não assusta. Mas, pior ainda, já não é um real candidato a vencer a Premier League e anda longe dos grandes palcos europeus, vagueando pela segunda divisão da Europa em busca de uma glória outrora conquistada.

Nas últimas semanas, o desempenho da equipa treinada por Solskjaer salda-se por vitórias tangenciais frente ao Leicester City FC e frente ao Astana FC, seguindo-se a derrota por 2-0 com o West Ham United FC, que atirou os Red Devils para o oitavo lugar da classificação, a dez pontos do líder Liverpool FC. Ontem, a jogar em casa frente ao modesto Rochdale AFC, do terceiro escalão inglês, o United sofreu para passar à ronda seguinte da Taça da Liga Inglesa e apenas suplantou o adversário nas grandes penalidades.

O regresso de Solskjaer foi, acima de tudo, um regresso à nostalgia do passado, trazendo para liderar a equipa um dos jogadores que fez parte do período de maior sucesso do clube. Mas o técnico norueguês não tem deslumbrado ao comando dos Red Devils, longe disso. O futebol apresentado pela equipa não encanta, há dificuldades latentes no processo defensivo e na falta de capacidade para construir bem a partir de trás, e o ataque, uma das imagens de marca do United de Ferguson, está longe de ser demolidor.

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A política de transferências do clube foi vastamente dissecada e criticada neste defeso, sobretudo em virtude da aquisição de Harry Maguire, reforço sonante mais pelos valores em causa (87M€) do que propriamente pela sua qualidade, tornando-se o defesa central mais caro do mundo. Difícil de perceber esta aquisição, mais ainda se tivermos em conta, por exemplo, que Mathijs de Ligt foi transferido também neste defeso pela quantia de 85M€ para a Juventus FC.

O United está longe dos seus tempos áureos e a contestação dos adeptos tem subido de tom.
Fonte: Manchester United FC

No ataque reside uma das maiores fontes de problemas do clube, com as saídas de Lukaku e Alexis Sánchez a não serem devidamente acauteladas. Daniel James, nova aquisição para esta época, até tem sido um dos elementos em melhor forma e, à falta de outros reforços, Solskjaer teve de recorrer à prata da casa, chamando Greenwood para a equipa principal. Mas a verdade é que estes jogadores não dão a robustez ofensiva que um clube desta envergadura precisa para voltar a lutar por títulos. Podem sê-lo, num período a médio prazo, mas neste momento o United precisa de jogadores que possam acrescentar mais.

Outra situação que causa consternação e muita discórdia é a de Paul Pogba, um jogador que continua numa instabilidade constante. Tanto é capaz do melhor e de carregar a equipa às costas, como é capaz de desaparecer do jogo e estar várias partidas sem ser decisivo. Esta característica do francês é algo que consecutivamente o tem impedido de dar o salto para uma equipa com objetivos realistas mais ambiciosos que os do United. Há muito potencial dentro de Pogba mas tem-lhe faltado a força mental para exponenciar ao máximo esse potencial.

No Teatro dos Sonhos o limite não é o céu. Dificilmente este United lutará pelo título esta época, estando fadado a disputar a presença na Liga dos Campeões da próxima época. Em termos europeus o clube é, em teoria, um candidato a vencer a Liga Europa ou pelo menos a disputar as rondas mais avançadas da competição. A estreia dos Red Devils não foi promissora, apesar da vitória, e os adeptos exigem mais deste gigante. Solskjaer tem uma missão espinhosa pela frente, mas se há pessoa no clube que sabe o que é ganhar pelo United é ele. Resta saber se o consegue “ensinar” aos seus jogadores ou não.

Foto de Capa: Manchester United

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão.

Frederico Seruya

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