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The Invincible One?

Pedro Machado · 3 min

The Invincible One?

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cab premier league liga inglesaA secção de desporto dos jornais ingleses de 19 de Agosto de 2002 tinha como manchete declarações que roçavam a arrogância, de tão ousadas. O autor fora Arsène Wenger, que, embalado pela  conquista da Premier League 2001/2002 e cegamente confiante na capacidade dos seus jogadores, afirmara: “Ninguém irá terminar acima de nós na Premier League. Não me surpreenderia se pássassemos a época toda sem perder”.

Esta “premonição” estava errada, e o Arsenal terminou a temporada com uma equipa acima de si (Manchester United), com mais 5 pontos e menos uma… derrota. Porém, aquilo que Wenger disse acabou por ter efeitos práticos na motivação dos seus jogadores. Nomes como Pirès, Henry, Wiltord, Bergkamp, Ljungberg, Gilberto Silva, Sol Campbell, Ashley Cole ou Patrick Vieira, já estrelas na altura, foram motivados pelas declarações do seu treinador e algo mexeu dentro deles durante a época 2002/2003: um sentimento de que poderiam, de facto, ser invencíveis durante uma época inteira… Caso se corrigisse o que de errado houve nas derrotas com Everton, Blackburn (duas vezes), Southampton, Manchester United e Leeds.

A época 2003/2004 começou e fez-se história. Entre jogos mais e menos apertados (o 0-0 contra o campeão United, que ficou conhecido como a Batalha de Old Trafford, foi o mais marcante e, talvez, o mais “vital” – segundo Bob Wilson, treinador de guarda-redes da altura e jogador do Arsenal durante 9 anos -, com os gunners a “sobreviver” à expulsão do seu capitão e a um pénalti falhado por Van Nistelrooy ao minuto 90 do encontro), a equipa conseguiu terminar as 38 jornadas da Premier League sem sofrer uma única derrota, deixando vincado o seu carácter em todos os jogos que disputou.

O Arsenal tornou-se a segunda equipa a acabar uma edição do campeonato inglês sem derrotas (depois de o Preston North End ter vencido a primeira “English Football League” da história com 14 vitórias e 4 empates em 18 jogos, em 1897), e, prolongando esta série pela temporada seguinte, perfez um total de 49 partidas (recorde absoluto) sem conhecer o amargo sabor da derrota na competição.

Henry foi a grande estrela dos campeões invencíveis Fonte: seanbjack (Flickr)
Henry foi a grande estrela dos campeões invencíveis
Fonte: seanbjack (Flickr)

Dada a competitividade da Premier League, este recorde é algo que ficará nos livros de história do futebol; um feito que, muitos vaticinaram, não se iria repetir em anos próximos. No entanto, à medida que o Arsenal ia trilhando esse caminho de sucesso, ia nascendo o mito de um português que conquistava tudo o que havia para ser conquistado, incluindo a Liga dos Campeões, com um clube português (dando assim o mote para essa e outras conquistas com uma mensagem parecidíssima com a de Wenger em Agosto de 2002).

Esse português, mais tarde, viria a tornar-se uma das figuras da Premier League e um dos principais rivais de Wenger, “vencendo-lhe” o título nas duas épocas seguintes e mantendo, entretanto, um registo imaculado nos confrontos entre ambos (que se cifra, actualmente, em 7 vitórias e 5 empates, sendo a mais marcante destas partidas a vitória por 6-0 na “celebração” do jogo 1000 da carreira de Wenger).

Portanto, esse português conquistou quase tudo a Wenger. Só ainda não logrou o título de “invencível” numa época da Premier League (o feito mais notável da carreira do francês), algo que ameaça fazer esta época, ao leme do Chelsea. Os blues deixaram, mais uma vez, vincado todo o seu carácter e personalidade no jogo em Anfield Road, impondo toda a sua superioridade num encontro que, teoricamente, seria dos mais difíceis da temporada. Até agora, volvidas 11 jornadas, já foram a Manchester duas vezes (Old Trafford e Etthiad) e ao terreno do Liverpool. Empataram os dois primeiros encontros e venceram o último, tendo um registo total de 9 vitórias e 2 empates. Ou seja, já foram ao campo do campeão, do vice-campeão e da equipa que detinha a hegemonia do futebol inglês nos últimos anos sem perder. Dos campos mais complicados (ou melhor, dos “Big Five”), só falta mesmo ir ao terreno do Arsenal.

É normal que se especule sobre uma possível reedição dos “Invincibles”, algo que se acentua com a segurança do futebol praticado pelo Chelsea e pelas sucessivas afirmações de carácter da equipa. O tal treinador português afirma que não acredita que possa conquistar esse título. É normal que queira gerir expectativas e a pressão sobre a equipa. Mas os dados estão à vista, e, mesmo faltando 29 jornadas de Premier League, o Chelsea perfila-se como um dos mais sérios candidatos a destruir esse “título” conquistado por Wénger e seus orientados.

José Mourinho, “the invincible one”?

Foto de capa: Tsutomu Takasu (Creative Commons)

Pedro Machado

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