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AC Milan: Para onde caminham os rossoneri?

Gonçalo Taborda · 4 min

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Estamos em maio de 2011. A Associazione Calcio Milan, inspirada por Ibrahimovic, Robinho e Alexandre Pato, acaba de conquistar o 18º título de campeã nacional da sua história. Apesar da avançada idade de jogadores como Pirlo, Seedorf ou Abbiati, o futuro não deixa de parecer risonho para os rapazes de vermelho e preto. Hoje, sete anos e muitos milhões de euros depois, os rossoneri contentam-se com a qualificação para a Liga Europa, após terminarem em sexto lugar – a sua melhor classificação (igualada na época passada) desde 2013. A situação financeira do clube continua por resolver e os resultados desportivos não parecem melhorar, independentemento do investimento. Isto suscita uma pergunta: o que se passou?

Comecemos pelo plano desportivo. Aqui, houve uma mistura de má sorte e mau planeamento. Alexandre Pato, suposta futura referência atacante do AC Milan e da seleção brasileira, acaba por ser vendido ao Corinthians em janeiro de 2013, após uma série de lesões ter estragado os seus anos finais em Milão. Zlatan Ibrahimovic apenas estava no San Siro graças a um empréstimo do FC Barcelona. O negócio tornou-se permanente na época seguinte, mas no verão de 2012 o avançado sueco foi vendido ao Paris Saint-Germain. Robinho, apelidado de “o próximo Pelé”, acabou por ser tornar em mais uma daquelas histórias de potienciais não atingidos e foi vendido ao Guanghzou Evergrande, da China, em 2015. Três possíveis soluções para o ataque acabaram por não se confirmar.

Este ano, em particular, houve uma tentativa de renovar a equipa, com mais de uma dezena de contratações e um total de 194 milhões de euros gastos em transferências (127.90 milhões se descontarmos os lucros de vendas, de acordo com o site Transfermarkt). Chegaram ao San Siro grandes promessas, como André Silva e Franck Kessié, e jogadores com provas dadas, como Hakan Calhanoglou e Leonardo Bonnuci, mas os resultados foram escassos.

Contratado ao FC Porto por 22 milhões de euros, André Silva acabou por ter uma época muito aquém das expectativas
Fonte: AC Milan

Ainda não se encontrou um defesa central com a qualidade de Maldini – Thiago Silva era tido para muitos como um pilar na defesa rossoneri durante muitos anos, mas foi vendido ao Paris Saint-Germain em 2012 -, um médio com a classe de Pirlo – Giacomo Bonaventura é atualmente uma referência no meio campo, mas tem um estilo de jogo completamente diferente – ou um ponta de lança letal como Filippo Inzaghi – Mario Balotelli teve um sucesso moderado na sua passagem pelo AC Milan, entre 2013 e 2014, mas os seus problemas de atitude deixaram muito a desejar.

Um golpe duro para os lados de Milão foi ter despedido Massimiliano Allegri sair em janeiro de 2014 – após uma derrota de 4-3 contra o recém promovido Sassuolo – para depois ver o técnico italiano a conquistar quatro scudettos consecutivos com a Juventus FC.

No plano financeiro, a situação continua negativa. O AC Milan não falhou a apenas o acesso à Liga dos Campeões. Falhou, também, o acesso à Deloitte Football Money League: um estudo que identifica os 20 melhores clubes mundiais, no que toca a lucros. Realizada desde 1997, esta é a primeira vez que o emblema italiano fica fora da lista. Em 2011, era o sétimo classificado.

O investimento ainda não surtiu efeito nos rossoneri
Fonte: AC Milan

Em abril de 2017, o clube foi comprado a Silvio Berlusconi pelos investidores chineses Rossoneri Sport, com Li Yonghong a tornar-se no novo presidente. Apesar de o próprio ter dito, em janeiro deste ano, numa conferência de imprensa, que estava tudo em condições a nível financeiro, a Reuters noticiou (a 21 de março) que Li Yonghong ainda não pagou os empréstimos feitos pelo fundo de investimentos americano Elliot. Isto coloca o AC Milan em risco de sair das mãos do empresário chinês e passar para as mãos deste fundo. Mas Gennaro Gattusso, o atual treinador (que participou, como jogador, da conquista do último scudetto do AC Milan), também fez questão de afirmar que está tudo em ordem com a direção de Li Yonghong, recusando as alegações de ingerência financeira.

Com quatro épocas sem Liga dos Campeões – e o melhor resultado na Liga Europa a ser a chegada aos quartos de final nesta época -, os rossoneri parecem ter entrado num ciclo vicioso: os resultados em campo prejudicam as finanças e a situação precária das finanças pode impossibilitar a recuperação desportiva do clube. Jovens promessas como Gianluigi Donnarruma poderão ter de ser vendidas para equilibrar as contas e também para ajudar a escapar ao fair-play financeiro, com o qual o AC Milan se encontra a braços, após o forte investimento (infrutífero) desta época, segundo avança a Sky Sports.

O que se passou (e o que se passa) foi (e é) isto. Para onde caminham, então, os rossoneri? Essa é a pergunta à qual ninguém quer responder, talvez porque a resposta pareça óbvia. Entre derrotas, despedimentos, vendas e compras, nada indica que este gigante adormecido do futebol europeu e mundial irá acordar tão cedo.

Foto de Capa: AC Milan

Artigo revisto por: Jorge Neves

Gonçalo Taborda

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