Cagliari Calcio: Bodas de Jequitibá com ou sem recheio de Champions?

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No início de qualquer campeonato é costume haver equipas surpresa. Neste arranque de época não é exceção. Famalicão, Monchengladbach, Granada, e em Itália, o Cagliari.

Um emblema histórico, já por uma vez campeão transalpino. Nos últimos anos não tem sido destaque, e se o foi, tal se deve a ter sido promovido à Serie A (2015/16). Alcançou o maior feito, que foi a conquista da Liga, em 1969/70, com o lendário Luigi Riva como expoente máximo.

Comandado por Rolando Maran, tem surpreendido pelos resultados. Qualquer adepto que tenha visto os jogos ou acedido aos respetivos resumos podem confirmar um caudal ofensivo cuja execução impressiona jogo após jogo.

O plano de jogo assenta num 4-4-2, em que as duas primeiras linhas alinham mais chegadas, sendo a segunda bastante flexível (box-to-box) e objetiva na busca dos homens referência: o ex-Estoril Praia, João Pedro Galvão e Giovanni Simeone. Essa dupla contabiliza perto de 50% dos golos no campeonato…

Aliás, o entrosamento geral é evidente, não estritamente na linha da frente. A transição ofensiva não me impressiona unicamente pela objetividade da mesma. Mas principalmente pela sua tremenda eficiência: o talento individual das “peças” envolvidas é nítido e é capaz da criação de bastantes oportunidades de golo por jogo. Desde a circulação da bola, passando pelo acompanhamento dos laterais, até à fase de decisão.

Os emprestados: o titular da seleção sueca, Robin Olsen, por parte da Roma; o jovem lateral esquerdo, Pellegrini, pela Juve; o experiente Radja Naingollan, pelo Inter; e o predestinado Simeone, pela Fiorentina (opção de compra obrigatória), têm sido chave e elevaram, além do número de soluções, as ambições efetivas do Cagliari.

A meia distância, um dos vastos atributos do médio belga que peca em reconhecimento
Fonte: Cagliari Calcio

O atual quarto colocado do campeonato italiano tem tido uma consistência notável. Com doze encontros disputados, são sete vitórias, três empates e apenas duas derrotas. Dos seus parceiros no topo da classificação, não é a equipa com mais golos. Contudo, curiosamente, nesse aspeto superioriza-se a conjuntos mais cotados, como a AS Roma e a líder Juventus!

Outro elemento bem patente na busca pelo golo é o jogo aéreo. Em lances de bola parada, a equipa da belíssima capital da Sardenha, beneficia de intervenientes poderosos nessa vertente. Por exemplo, o central e capitão, Cappitelli, é fortíssimo em lances desse género e já contabiliza dois golos.

No aspeto defensivo, existem erros, claro. Mas naturais. Uma defesa por muito sólida que seja nunca será impenetrável, como um ataque imensamente feroz nunca será infalível. O Cagliari já sofreu golos devido a erros crassos, como na falha de um passe (antecipação adversária), ou tendo por base uma precipitação. Não é alarmante, a meu ver, já que a velha máxima emana que quem ataca está sempre um passo à frente de quem defende, pois é a ação que gera a reação, e não o oposto.

Como é costume se suceder, as equipas sensação chegam a um auge e tendem a decair. Tendências são e sempre as serão, a menos que sejam contínuas. O Cagliari não tem a pressão de Juventus, Inter, Roma ou Nápoles, ou mesmo a Lazio, mas também não tem os recursos dos primeiros. Muito menos a história. Completa cem anos de existência no decorrer do próximo ano, e com a inconsistência premente dos últimos três clubes enunciados, e pegando no exemplo da Atalanta da temporada transata, quão impossível seria esta surpresa na próxima edição da Liga dos Campeões?

Foto de Capa: Cagliari Calcio

Revisto por: Jorge Neves

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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