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Neste período, ser adepto da Juventus FC é um ato de coragem e fé. De coragem, porque quando se ama uma equipa, não podemos fazer menos do que continuar a apoiá-la, também nos momentos mais negros. De fé, porque acreditar que a Vecchia Signora conseguirá dar uma reviravolta radical à sua atual temporada requer algum esforço mental e uma pitada generosa de esperança.
Tudo o que podia correr mal até agora, correu. Resultados abaixo do esperado, um número inacreditável (e inaceitável) de jogadores lesionados, uma equipa de estrelas que não consegue brilhar, um treinador que já não convence mais e uma perda abismal de atitude e valores que desde sempre inspiraram o famoso “estilo Juventus”, onde ganhar não é uma opção, mas o único resultado possível.
A tudo isto, acrescenta-se uma grande fratura entre a direção do clube e os seus adeptos, que já não se sentem representados na postura e nas decisões tomadas ou que ficaram por tomar.
Apesar de possuir um plantel estelar, que custou uma soma exorbitante, a Juventus não brilha, não fascina pela maneira de jogar e desilude na forma como encara as partidas, além de não transmitir harmonia entre os seus elementos. O ponto é que, neste momento, a Juventus ainda não é uma equipa.
Todos acham que o foco do problema, além do elevado número de jogadores lesionados, é Massimiliano Allegri, cuja postura e declarações inflamam e alimentam o mau ambiente vivido entre o povo juventino. Mas será realmente que toda a culpa desta temporada infesta é só e exclusivamente dele? A meu ver não, mas é por aqui que vamos começar.
ALLEGRI 2.0, UMA VERSÃO DESATUALIZADA
“FIZEMOS UMA CHAMPIONS FEIA!” 🗣️🇮🇹 Allegri analisou a participação de sua Juventus, eliminada na fase de grupos, em papo EXCLUSIVO com nossa @claalbuquerque. Concorda com ele? #CasaDaChampions pic.twitter.com/h9a9gpCl8g
— TNT Sports BR (@TNTSportsBR) November 3, 2022
Nos últimos três anos, a Juventus teve três treinadores: Sarri, Pirlo e Allegri, com este último a regressar na época passada.
O que é curioso é que tanto Sarri como Pirlo foram educadamente afastados do projeto, apesar de terem obtido resultados importantes, como scudetto e taças, apenas depois de um só ano de contrato.
Todas estas mudanças de treinadores, transmitem a sensação que desde a primeira saída de Massimiliano Allegri do clube (2019), não foi feita uma verdadeira programação a longo prazo, e sobretudo não foi dada a necessária confiança – e tempo – às pessoas escolhidas para construir um coletivo que se tornasse uma equipa.
A verdade é que a Juventus não só não programou o futuro iminente, mas foi arrogante em pensar que novos resultados pudessem ser obtidos rapidamente. De facto, a equipa turinesa, depois de nove anos no topo, pensou que podia simplesmente continuar a brilhar de luz reflexa, desfrutando da glória passada. Entretanto, os principais rivais, FC Internazionale Milano, SSC Napoli e AC Milan, vão construindo o futuro e reforçando-se, dando aos próprios líderes aquela confiança que ultimamente falta em casa da Juventus. De cima para baixo, e vice-versa.
Allegri foi chamado de volta à pressa, pois já conhecia o ambiente, a direção, alguns dos jogadores mais influentes e porque se pensava que fosse capaz de realizar uma reedição do seu primeiro quinquénio de sucessos. A verdade é que a Juventus não foi capaz de escolher uma outra pessoa carismática para iniciar um novo ciclo, dando-lhe ferramentas e tempo.
Não quero tirar os méritos de Allegri no quinquénio anterior, mas sopa aquecida nem sempre é boa como nós achamos, e fazer ficar um treinador que só está a recolher resultados embaraçosos e coleciona declarações completamente fora do estilo Juventus, é sinonimo que, nos patamares mais altos, já ninguém tem ideia do que fazer, faltando também humildade para admitir que algo falhou.
UMA EQUIPA DE ESTRELAS (DE)CADENTES
Angel Di Maria x Paul Pogba 🇦🇷🇫🇷 pic.twitter.com/NFa9qGy1UQ
— BeFootball (@_BeFootball) July 21, 2022
Pogba, Bremer, Di Maria, Vlahovic, Paredes… só a ler estes nomes todos juntos, os adversários deveriam ficar preocupados. Mas não é assim. A Juventus perdeu credibilidade e peças pelo caminho, por causa de uma preparação física inadequada e mal programada. É inútil pensar que seja só uma questão de pouca sorte.
Eu própria, em agosto, exaltei o grande retorno de Pogba à Juventus, pensando que pudesse assumir a liderança do plantel e recolocar a Vecchia Signora no caminho das vitórias. O francês, mal chegou, foi ocupar um lugar na enfermaria bianconera, e nunca mais de lá saiu.
Nesta altura, surge uma pergunta: não era mais conveniente ter ficado com Dybala? Talvez não garantisse continuidade física, mas representava o conceito de “última bandeira bianconera”, sendo o elo de conjunção entre a equipa e os seus adeptos. Hoje em dia, ninguém dos jogadores mais antigos da Juventus conseguiu recolher esta herança e tornar-se bandeira, nem o próprio Bonucci que, apesar da braçadeira de capitão, não teve coragem de meter a cara à frente dos microfones, após as derrotas na Liga dos Campeões. Também as estrelas devem saber cair com elegância quando é o momento, e sobretudo assumir a queda.
JOVENS NA EQUIPA: O FUTURO PASSA POR AQUI
Nicolò Fagioli vs Psg (dati @SofascoreINT)
– 96,7% passaggi completati (migliore in campo)
– 3 key pass 🔑
– 7 lanci lunghi riusciti su 7
– 6 duelli vinti su 9
– 1/1 cross riusciti e dribbling riusciti
– 2 soli possessi persi in 86’ (migliore in campo)
World class 🌍 pic.twitter.com/MlKSGTwpy3— Alex Campanelli (@Campanelli11) November 2, 2022
Nesta escuridão toda, ainda há algo de bom. As baixas físicas dos inúmeros jogadores titulares deram a oportunidade aos jovens da Juventus de emergir e demostrar que o futuro está em casa. Miretti e Fagioli, sobretudo, estão a ser as luzes de uma Juventus que ainda não consegue encontrar o caminho certo. Contudo, esses dois jovens estão a transmitir uma mensagem bem clara: dão confiança porque sabem o que fazem. O povo bianconero quer vê-los como titulares. Ambos crescidos na Juventus, estão a demostrar ter qualidades técnicas e saber representar o espírito bianconero, aquele dar tudo até o fim pela camisola. É um regalo para os olhos vê-los jogar, assim como errar e voltar mais ferozes no meio do campo.
À frescura dessa Juventus tão nova, junta-se também o inglês Iling-Junior. Bastaram-lhe 15 minutos frente ao SL Benfica para impulsionar um plantel literalmente atordoado e evitando uma derrota em estilo tenístico.
A Juventus desde sempre soube cultivar em casa própria grandes talentos, e também sempre foi um clube corajoso quando se tratava de arriscar e apostar nos mais novos. Com o retorno de Federico Chiesa, no jogo frente ao PSG nos últimos 15 minutos da partida, sinto que é o momento de ter fé e coragem, porque a Juventus pode voltar dum momento para o outro, mas alguém deve ser humilde, e dar um passo atrás, dando tempo e espaço à reconstrução.













