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As emoções da Liga italiana estão para breve e prevê-se uma entusiasmante temporada quando a bola começar a rolar em território transalpino. Num país que se encontra ainda em lua de mel devido à vitoriosa prestação da seleção comandada por Roberto Mancini no EURO 2020, os exigentes tifosi italianos estarão ávidos por dar continuidade ao ímpeto glorioso no plano interno.
Historicamente conhecida pelo seu inesgotável pragmatismo e pelas mais variadas contribuições do ponto de vista defensivo dado ao futebol, a verdade é que a Liga Italiana tem estado em constante mutação. O catenaccio, filosofia de jogo que vigorou durante décadas e que se tornou imagem de marca italiana, assente numa conceção encarecidamente defensiva e tática do Jogo, tem-se revelado um capítulo do passado e só os mais desatentos ainda não se aperceberam do espetáculo que estará reservado para a temporada que se avizinha na primeira Liga italiana.
Futebol envolvente e apaixonante, chuva de golos e um ambiente eletrizante… é este o cardápio para a época que se aproxima e uma descrição do que tem sido o cenário dos últimos anos em solo italiano, nos quais a Liga Italiana se tem evidenciado como o campeonato com maior número de golos marcados em toda a Europa.
Apresentações feitas, a expectativa é que as formações subam ao palco e façam as delícias de todos os amantes da modalidade. Neste artigo irei traçar a minha previsão sobre as primeiras quatro posições da tabela classificativa para 2021/22, tecendo uma análise a cada uma das formações, tendo em conta o desempenho que vão demonstrando nesta pré-época e o trabalho levado a cabo em anos anteriores.
4º Lugar
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— S.S.Lazio (@OfficialSSLazio) June 9, 2021
SS Lazio- Após uma temporada de 2020/21 que terá ficado, certamente, aquém das expectativas, com um 6º lugar alcançado no campeonato e o acesso à Liga Europa, é com grande ambição que a formação Biancocelesti encara a preparação para a próxima época.
Em processo de transição, após consumada a saída de Simone Inzaghi do comando da equipa depois de mais de cinco temporadas, Maurizio Sarri é o timoneiro que se segue e que pretende recolocar a Lazio no trilho dos triunfos. O técnico de 62 anos, que se encontrava sem clube desde agosto de 2020, após ter guiado a Juventus ao último título nacional e ter marcado uma era em Nápoles, entre 2015 e 2018, com um futebol esteticamente muito apelativo, promete replicar esses atributos em Roma.
O verdadeiro desafio na ótica do plantel da Lazio será o de se adaptar ao esquema do comandante transalpino, visto que o 3-5-2 utilizado nas últimas temporadas por Inzaghi, deverá dar lugar ao 4-3-3, facilmente reconvertível num 4-3-1-2, que se tem afigurado como uma das imagens de marca de Sarri.
Amante de um futebol ofensivo, dinâmico e asfixiante, é indubitável que o técnico italiano quererá ver estes valores espelhados na equipa e que tantos adeptos fascinou. Para tal, o mercado de transferências será crucial para o plantel ficar apetrechado de jogadores que possibilitem este estilo de jogo.
Entre os vários nomes que têm sido apontados ao clube romano destacam-se os de Hysaj, Maksimovic, ambos do Nápoles, e o do suíço Shaqiri. Contudo, até ao final da janela de transferências ainda são expectáveis várias mudanças.
Se o “Sarrismo” for implementado e conseguir tirar o maior proveito de jogadores como Immobile, Luís Alberto, Milinkovic-Savic ou Joaquín Correa, a formação da Lazio será, certamente, uma das equipas mais interessantes de se assistir e um dos maiores focos de atenção de toda a competição.
3º lugar
Prima amichevole stagionale ✅
First friendly of the season 👌🆚 AlbinoGandino 13-0
⚽️⚽️⚽️⚽️ #Colley
⚽️⚽️⚽️⚽️ #Piccoli
⚽️⚽️ #Iličić
⚽️ #Miranchuk
⚽️ #Mallamo
⚽️ #Capone📝 Match report 👉 https://t.co/UxJILeu9dA #GoAtalantaGo ⚫️🔵 pic.twitter.com/5SZVhxoDlb
— Atalanta B.C. (@Atalanta_BC) July 16, 2021
Atalanta BC- Em Bergamo mora, a meu ver, uma das equipas mais entusiasmantes de toda a Europa. Habituada a bater o pé aos grandes nos últimos anos, a formação liderada por Gian Piero Gasperini terá na temporada de 2021/22 mais um prova de afirmação entre a elite do futebol italiano e uma oportunidade para repetir as suas estonteantes atuações com que nos tem brindado, de forma a alimentar o sonho de conquistar, pela primeira vez na sua história, o tão desejado Scudetto. A estreia da Dea na liga está marcada para o dia 22 de agosto em Turim, contra o Torino.
Transformada numa verdadeira máquina de fazer golos nos últimos anos, sendo há três épocas consecutivas o melhor ataque da Liga Italiana, com registos estratosféricos (90 golos em 2020/21, 98 em 2019/20 e 77 em 2018/19), a Atalanta manterá intacta a sua ambição de fazer balançar as redes adversárias tão regularmente.
Mas o que tem feito dos pupilos de Gasperini uma formação tão imparável? A palavra-chave é liberdade. O técnico italiano liberta os seus jogadores das “amarras táticas” e deixa que todo o talento destes flua naturalmente… uma tática que tem colhido os seus frutos.
Com uma disposição que varia entre o 3-4-1-2, o 3-4-2-1 ou o 3-5-2, a rotatividade posicional é palavra de ordem em Bergamo, dada a facilidade com que as peças se movimentam no tabuleiro de xadrez de La Dea.
Privilegiar o ataque pelos corredores laterais (onde jogadores como Gosens, Maehle e Hateboer assumem uma preponderância acrescida) e chegar ao último terço com a equipa em apenas 30 metros (mesmo com bola!), são algumas das imagens de marca de uma Atalanta que chega à presente época sedenta por triunfos.
Juan Musso, proveniente da Udinese, e Cristián Romero adquirido a título definitivo depois de uma época por empréstimo são, para já, as caras novas de uma formação italiana que poderá ainda ver chegar mais reforços para atacar a Champions League. A par disto, Luís Muriel, Josip Ilicic, Duván Zapata, Malinovskyi ou Pasalic serão sempre sinónimo de perigo para as defensivas adversárias.
2º lugar
🎞️ | HIGHLIGHTS
Relive the Nerazzurri’s first outing of the season ⚫🔵#Inter #ForzaInter #InterPreSeason #LuganoInter pic.twitter.com/GDBWN5h4b2
— Inter 🏆🇮🇹 (@Inter_en) July 18, 2021
FC Internazionale- “I campioni siamo noi!”. É com esta frase na cabeça e com o estatuto de detentores do Scudetto que os adeptos do Inter entram na presente temporada, depois de nove anos consecutivos a suportarem as festas dos tifosi da Juventus. O Inter, comandado por Antonio Conte, alcançou assim a proeza de colocar um ponto – pelo menos um parágrafo – na superioridade avassaladora dos turinenses, ultrapassando os grandes rivais citadinos, o Milan, em número de títulos nacionais – agora são 19 para o nerazzurri e 18 para os rossoneri.
Fruto de um estilo de jogo agressivo, controlador e assente no coletivo, a turma milanesa foi, inegavelmente, a formação mais consistente ao longo de toda a época. Contudo, o título foi seguido de uma grave crise financeira que se abate, de momento, sobre o clube. Talvez para fazer face a este cenário preocupante, Antonio Conte abandonou o cargo de timoneiro da equipa (para o seu lugar foi Simone Inzaghi após mais de cinco anos na Lazio) e Hakimi despediu-se da capital transalpina, após uma temporada de altíssimo nível, no qual se afirmou como um dos principais protagonistas do título conquistado.
Se por um lado, a incerteza paira sobre os ares de Milão e a apreensão sobre a próxima época se adensa (a situação em torno de Christian Eriksen ainda é uma enorme incógnita), por outro nem tudo são más notícias: a contratação de Hakan Çalhanoğlu ao rival AC Milan deverá ser vista com bons olhos pelos adeptos, dado ser um incremento assinalável de qualidade no plantel e um reforço de luxo para a zona nevrálgica do terreno.
Não podemos, também, esquecer o plantel extraordinário que Simone Inzaghi terá à sua disposição. Uma das frentes de ataque mais temíveis do panorama atual com Lukaku e Lautaro Martínez em evidência e um meio-campo que conta com nomes como Arturo Vidal, Brozovic, Gagliardini e o incansável Nicolò Barella, que rubricou um campeonato da Europa formidável e chamou a atenção de alguns colossos como o Liverpool. Conseguirá Simone Inzaghi replicar em Milão o que fez, a espaços, em Roma, fazendo da Lazio uma das equipas a praticar melhor futebol na Liga Italiana?
1º lugar
Diamo il via a una nuova settimana di lavoro al JTC ☀️⚪️⚫️
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— JuventusFC (@juventusfc) July 19, 2021
Juventus FC- Após uma época de menor fulgor que culminou com o quarto lugar na passada edição da Liga Italiana (conquistado de forma muito suada na última jornada da Liga) e com o afastamento precoce da Champions League (quartos de final frente ao FC Porto), a Juventus encara a temporada de 2021/22 como um ponto de retoma da hegemonia que detinha até então sobre o futebol italiano e que sofreu um interregno com o título do Inter de Milão. Contudo, mesmo numa época aquém do esperado, os comandados de Andrea Pirlo venceram a Supertaça de Itália e a Taça transalpina – só por si demonstra o poderio dos bianconeri em anos recentes.
A verdade é que la Vecchia Signora nunca encantou dentro das quatro linhas e o rendimento demonstrado em vários momentos da época foi consideravelmente exasperante (como em várias temporadas anteriores e que foram sinónimo de títulos).
O maestro Pirlo nunca impôs a sua ideologia (escolha que me pareceu, desde uma primeira instância, bastante arriscada para o comando técnico com tamanha responsabilidade e com tão pouca experiência) e os resultados estiveram à vista: uma irregularidade exibicional e em termos de resultados que foram via verde para o título Nerazzurri.
Para devolver a Juventus ao trilho dos triunfos, o clube contratou alguém que conhece bem os cantos à casa, Massimiliano Allegri. O técnico italiano, que orientou o clube entre 2014 e 2019, e pelo qual conquistou cinco scudettos, quatro taças de Itália e duas supertaças e ainda guiou a Juventus às finais da Liga dos Campeões de 2015 e 2016, promete trazer a glória até Turim novamente. E a verdade é que o plantel que Allegri terá à sua disposição é de excelência e poderá ser reforçado com o centro campista Manuel Locatelli, contratualmente ligado ao Sassuolo, e que esteve em grande plano no EURO 2020.
Não há dúvidas de que as individualidades que compõem o plantel da Juve fazem dela o plantel mais rico e completo da Liga Italiana, mas será que Allegri, um dos expoentes do característico pragmatismo italiano, conseguirá fazer de um conjunto de individualidades uma verdadeira equipa? Eu penso que sim e daí a minha escolha de a Juve figurar no primeiro lugar da “grelha de partida” para a conquista do Scudetto.
Mas como disse anteriormente, a Liga Italiana encontra-se num ascendente qualitativo e o espetáculo está mais do que garantido. Prova disso é a Roma que terá como técnico José Mourinho, o Special One, de volta a um país onde foi muito feliz, e que quer juntar-se à luta por títulos. Um Nápoles de Spaletti que quererá rapidamente voltar à Liga dos Campeões ou um AC Milan que está de regresso à principal competição europeia de clubes e por lá se quererá manter.
A incerteza é muita, mas há algo que é certo: a emoção e a magia que certamente deixará milhões de apaixonados rendidos por esta bela arte: o futebol.
Artigo redigido por Fábio Lopes








