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Quem pode ser o melhor parceiro de CR7 no ataque da Juventus?

Francisco Correia · 6 min

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Nos últimos anos a Juventus tem melhorado cada vez mais o seu plantel, tornando-se uma das super-potências da Europa do futebol. Há nomes sonantes para todos os sectores do campo e, com a chegada de Cristiano Ronaldo a Turim, a vecchia signora está num completo auge de opções, especialmente no ataque. Com jogadores em menor ou maior forma nos últimos tempos, é difícil gerar consenso em quem pode servir ou juntar-se a CR7 na tarefa de fazer agitar as redes adversárias na próxima temporada.

Marcar muitos golos não significa ser campeão e vice-versa. A Juventus foi o segundo melhor ataque (86) da última edição da Série A, atrás da Lazio (89) que terminou o campeonato no quinto lugar e com o ponta de lança italiano Ciro Immobile a levar a bota de ouro transalpina (29 golos). O mesmo dado se repetiu há duas (2016/2017) e três (2015/2016) temporadas. A Juventus foi campeã em ambos os anos, mas sempre marcou menos golos que o Nápoles e a Roma. É preciso estarmos entre as temporadas 2013/2014 (80GM) e 2014/2015 (72GM) para vermos novamente o clube de Turim a ser o melhor ataque do calcio.

Para baralhar ainda mais: Del Piero foi o último melhor marcador da Liga Italiana pela Juventus, na temporada 2007/2008, com 21 golos. Está aqui um ‘borrego’ que CR7 ‘pode matar’. Nessa altura, Cristiano Ronaldo ainda estava por Inglaterra, no Manchester United, a cumprir a penúltima época ao serviço dos red devils. Por acaso, também foi o melhor marcador da Premier League, com 31 golos.

Se o plantel já era de luxo… Massimiliano Allegri conta agora com Cristiano Ronaldo
Fonte: Juventus FC

Dado ao mediatismo e história que o Real Madrid tem no futebol, muito se tem especulado nos últimos dias quem será o substituto de Cristiano Ronaldo. Todavia, não nos podemos esquecer que o internacional português, por ter a capacidade de concretização que todos tão bem conhecemos, cumpre (quase sempre) tarefas atacantes e é sempre o jogador que fica mais adiantado no terreno. Mas nunca joga lá à frente sozinho. O internacional português continua sempre a ser designado como um extremo esquerdo, mas nos últimos anos no Real Madrid, e especialmente na Seleção Nacional, vemos CR7 cada vez mais ao centro, sempre em sintonia com um ou mais companheiros.

Em dupla ou tridente atacante, as qualidades de Cristiano continuam lá. Sozinho, nem ele, nem ninguém seria capaz de chegar a grandes números de golos. Taticamente falando, a Juventus foi uma escolha acertada para o que pode restar da carreira de Ronaldo. Os italianos costumam jogar com um ataque a três, em dupla ou até apenas com um ponta de lança, havendo um segundo avançado no apoio.

Nos ilustres nove anos ao serviço dos merengues, Cristiano Ronaldo não se pode queixar das companhias. Raúl, Higuain, Benzema, Ruud van Nistelrooy, Morata, Di Maria, ‘Chicharito’ Hernandéz e mais recentemente Gareth Bale foram os companheiros de ataque de CR7 no Real Madrid.  Agora, quem é que lhe espera na Juventus para levar o clube a mais golos e conquistas? Quem pode ser o parceiro de ataque ideal? Só cabem lá 11…

Fonte: FIFA

1) Mario Mandžukić: É difícil não começar pelo croata dado à excelente prestação no Mundial da Rússia. O agora vice-campeão do mundo marcou três golos ao serviço da Croácia na competição. Marcou o golo da vitória nas meias-finais à Inglaterra e fez o gosto ao pé por duas vezes na final contra a França.

Deu que falar entre 2012 e 2014 no Bayern de Munique, onde marcou mais de 20 golos em cada época e até conquistou uma Liga dos Campeões em 2013. Foi arredado pelos alemães quando contrataram Lewandowski ao Borussia Dortmund. Antes de chegar a Turim ainda esteve uma época no Atlético de Madrid.

Uma autêntica referência dentro de área, especialmente a finalizar bolas do ar onde faz bom uso ao seu 1m90cm de altura. Tem 32 anos, é possante e capaz de reter a bola para jogar aos colegas.  Não é o jogador mais rápido, nem o mais tecnicista, mas uma opção fiável. Num ataque a três, isto obriga a Ronaldo descair mesmo para a esquerda ou então terão de ambos estar de ‘lanças apontadas’ num esquema de dois avançados. Mandžukić é um jogador de equipa.

Fonte: Juventus FC

2) Gonzalo Higuaín: O argentino vai reencontrar o antigo parceiro do Real Madrid. Outrora em Espanha havia Higuaín, Ronaldo e Benzema. No país da bota há Higuaín, Ronaldo, Mandžukić, Dybala e muito mais (já lá vamos). No entanto, aqui o contexto é outro. Itália fez bem a Híguain. No Nápoles, há dois anos, marcou 38 golos na Série A, sendo o melhor marcador da história. Bateu um recorde histórico com 68 anos. Nesse verão rumou a Turim por 90 milhões de euros!

Em campo, Higuaín tem mérito nos golos que marca mas, à semelhança de Cristiano Ronaldo, é um jogador que opera mais em terrenos mais adiantados. Foi a aposta regular da Juventus na última temporada, dividindo grande parte dos golos do clube com Dybala. Mas neste Mundial, tal como a sua seleção, passou despercebido, zero golos, poucos remates.

O argentino e o português diferem (e muito) nos momentos de forma. Higuaín já foi muito contestado pelo peso, já Cristiano Ronaldo poupa comentários nesse aspeto. É um jogador mais sereno e previsível. Quando é para rematar, remata. Tem vindo a perder velocidade e prima pouco pela técnica, mas na área há poucos como ele e os números e carreira comprovam. Tal como no Real Madrid, é difícil reunirem-se em Turim apesar de ter correspondido na Juventus com golos e conquista de títulos.

Gonzalo Híguain é um nome muito respeitado em Itália. Há um claro número elevado de opções no ataque da Juventus. Muito se fala numa saída do avançado para o futebol inglês. No banco de certeza que não pode ficar, especialmente aos 30 anos.

Fonte: Juventus FC

3) Paulo Dybala: Também argentino, é o atual menino bonito de Turim. Na temporada transata, a terceira ao serviço da Juventus, completou o melhor registo na carreira com 26 golos. O Mundial foi como se não tivesse acontecido, só participou em uma partida.

O camisola 10 pode fazer o ‘perfeito casamento’ com o número 7. Dybala tanto joga no meio no apoio ao avançado, como nas alas e a ponta de lança. Pode estar aqui o elemento chave se juntar a Cristiano Ronaldo e a alternar com este as várias posições no ataque. Num ataque a dois, três ou com Ronaldo na frente, o argentino pode funcionar.

Dybala tem uma qualidade de distinção que partilha com CR7: finalização, com remates de longe, de bola parada ou corrida. Além disso, pois até não tem uma estatura assinalável para os oponentes típicos da Liga Italiana (1m77cm), é também um jogador com um notável registo de passes realizados em qualquer parte do campo e em bolas paradas também.

Fonte: Juventus FC

4) Nas alas com Douglas Costa e Juan Cuadrado: É a opção menos provável, mas é um cenário que pode surgir em caso de lesão dos outros jogadores mencionados. Num esquema de quatro ou cinco médios, a Juventus sempre teve ao dispor boas apostas na velocidade.

O brasileiro Douglas Costa e o colombiano Juan Cuadrado são autênticos desequilibradores, podem trazer muito mais largura à equipa e colocar bolas na área, a zona preferida para qualquer goleador fazer gosto ao pé. Mais atrás ainda há os defesas laterais com as mesmas qualidades: Alex Sandro, Asamoah e agora João Cancelo. Portanto, podemos imaginar Ronaldo à frente com Higuaín/Dybala/Mandžukić num desenho com dois ou quatro destes alas (ou ainda Dybala ou o próprio Ronaldo na ala com algum dos outros avançados referidos). Ainda assim, fico-me mais pela parceria mais dinâmica com Dybala.

Excluindo Mandžukić que chegou à final, Douglas Costa e Juan Cuadrado saíram com nota positiva deste Mundial apesar dos desaires das suas respetivas seleções e só terem participado numa partida.

O brasileiro jogou só 32 minutos na Rússia, notou-se que chegou ‘tarde demais’ para ajudar o Brasil antes de ser eliminado pela Bélgica. Foi adquirido em definitivo ao Bayern de Munique. Já o colombiano jogou os 120 minutos na eliminação da Colombia, contra a Inglaterra nos oitavos-de-final, e fez a assistência para o golo que levou as seleções ao desempate por grandes penalidades.

Boas dores de cabeça se avizinham para Massimiliano Allegri. No entanto, não querendo dizer que a equipa irá funcionar em volta de Cristiano Ronaldo, quando tens o melhor jogador do mundo do teu plantel, tudo tem que ser feito para que ele e toda a equipa estejam em completa comunhão.

Foto de Capa: Juventus FC
Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Francisco Correia

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