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A análise à competitividade dos “Big 5” na última década

Nuno Oliveira · 6 min

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Quem é que não gosta de um campeonato decidido só na última jornada? Lembro-me, como se fosse hoje, do golo do Kun Aguero ao serviço do Manchester City, contra o Queen Park Rangers, não só me lembro, como ainda fico com uma ligeira pele de galinha.

Confesso que, nos momentos em que preciso de alguma inspiração ou até de motivação, lanço-me à plataforma Youtube e procuro aquele momento, e quando não fico satisfeito ainda procuro por “Last Minute Goals”. Estes são momentos que ficam para a história e, por certo, a história do futebol é em grande parte feita por momentos desses.

Agora, vamos aos factos.

Vyom Chaundry e a sua equipa na Run Repeat fizeram um trabalho simplesmente fantástico. Foram analisados mais de 18.000 jogos na última década, das cinco mais importantes Ligas Europeias – Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e a Ligue 1, e neste artigo vou tentar sintetizar, analisar e resumir o que foi a luta frenética pelos títulos do topo das Ligas Europeias.

LIGA INGLESA

Fonte: Premier League

Comecei este artigo com a referência ao arrepio que ainda hoje me causa o golo do Kun Aguero, por isso começarei esta análise com a Premier League. E como os dados são tão fiéis como o algodão, a Premier League tem-nos dado as melhores corridas ao título na última década em conjunto com a La Liga. Este ano não é claramente exemplo, estando um Liverpool, provavelmente, nem ao alcance dos Deuses. Mas vejamos:

Em 2009/10, os 29 golos de Didier Drogba levaram o Chelsea à conquista do título, mas foi preciso uma vitória categórica por 8-0 aos já despromovidos Portsmouth na última jornada para levarem o troféu para Londres.

Não vou falar outra vez da minha pele de galinha, mas em 2011/12 foi preciso ver o minuto 90+4 da trigésima oitava jornada para sabermos para que museu de Manchester é que o título inglês ia.

Em 2013/14, o enorme capitão dos reds escorregou e a duas jornadas do fim encontrávamos Manchester City e Liverpool empatados. Os pupilos de, na altura, Manuel Pellegrini não tremeram e levaram de novo o título para a cidade de Manchester.

A média de semanas em falta, após um título ficar decidido
Fonte: Runrepeat.com

Já em 2015/16 a Premier League trouxe-nos o impensável. Ao olharmos para a diferença pontual constatamos uma separação pontual relevante, mas é também preciso olhar para os nomes. Foi o “furacão” Vardy e os seus colegas que deixaram o mundo incrédulo ao levarem o troféu mais desejado para a cidade de Leicester.

Na temporada transata, os azuis de Manchester e os reds levaram-nos outra vez até a última, e foi por um ponto apenas que se decidiu o Campeonato. É difícil encontrar outro sítio do planeta Terra que nos presenteie constantemente com entretenimento deste género.

LIGA ESPANHOLA

Fonte: FC Barcelona

Saímos de terras de sua majestade, e vamos para uma realidade diferente. Realidades diferentes, pedem-nos análises diferentes, mas mais uma vez, os factos não nos mentem.

A La Liga na última década tem vivido muito à sombra do que os extraterrestres Ronaldo e Messi faziam, e fazem, nas suas épocas. Fomos brindados com a era Guardiola, com a vitória de José Mourinho, com um milagre de Diego Simeone e inúmeros dérbis e “El Clasicos” que nos fizeram suar no sofá.

Os campeonatos de 2009/10 e 2010/11 foram marcados pela quase perfeição dos catalães e do Real Madrid, ficando separados por três e quatro pontos, respetivamente.

Já 2013/2014 ficou marcado pela surpresa: El Cholo foi capaz de tornar os colchoneros competitivos o campeonato inteiro e Diego Godín protagonizou mais um momento daqueles que escreve a história do futebol e, em pleno Camp Nou, guardou no bolso um troféu merecido pela equipa de Madrid.

As épocas de 2014/15 e 2015/16 trouxeram-nos mais duas corridas épicas ao título da Liga Espanhola, é verdade, os culés mostraram sempre conseguir ser mais regulares que os merengues, mas a diferença pontual começava a mostrar que algo estava prestes a mudar.

Em 2016/2017, o regresso de Zizou trouxe um Real Madrid mais estável e com capacidade de, ano após ano, lutar pelo campeonato. Podemos afirmar que pouco resta da super era de Guardiola, e que os Catalães de momento estão à procura do caminho para se voltarem a afirmar na Europa, mas os sinais que nos dão é de que serão sempre competitivos e estarão prontos para lutar pelo troféu interno até ao final.

Já os merengues estarão sempre dispostos a investir para alcançar um título que têm deixado fugir. Os Colchoneros são uma incógnita, o ADN de Diego Simeone parece desgastado e será preciso ver algo a mudar na segunda melhor equipa da capital espanhola para conseguirem o destaque.

LIGA ALEMÃ

Fonte: FC Bayern

Chegamos a terras alemãs, onde é mais fácil de sintetizar o que tem sido a luta e a corrida ao troféu final.

Desde 2009/10, os bávaros ganharam oito em dez campeonatos possíveis, reforçando o seu estatuto como o poder máximo do futebol Alemão, só mesmo Jurgen Kloop e o seu entusiasmante Borussia Dortmund conseguiram interromper a hegemonia do Bayern de Munique.

Os diferentes campeões nos “Big5”
Fonte: Runrepeat.com

É possível e provável que, com a recente chegada do RB Leipzig e com o investimento do Borussia Dortmund de Lucien Favre, nos próximos anos vejamos outros vencedores no mês de maio.

LIGA FRANCESA

Neymar foi eleito o melhor jogador do Campeonato Francês na temporada 2017/18
Fonte: PSG

De terras Francesas a análise da RunRepeat traz-nos novidades, à primeira vista, inesperadas. A Ligue 1 tem-nos presenteado com a maior rotatividade de vencedores do Título, somando um total de cinco vencedores.

Do início, 2009/10 trouxe-nos a última época de sucesso perfeito do Olympique de Marseille e, para isso, ajudou a última época do histórico Mamadou Niang ao serviço dos azuis com 18 golos marcados só no campeonato que deixou o Lyon a seis pontos, no segundo lugar. 2011/12 foi o ano do Lille, os comandados de Rudi Garcia excederam as expectativas e levaram para a sua cidade o 3.º título da história dos apelidados “Les Dogues”.

A temporada que se segue é das mais marcantes da história da Ligue 1. O PSG é comprado por um fundo de investimento do Qatar e os efeitos são imediatos com contratações sonantes como Javier Pastore e Jeremy Menez. No entanto, nessa época existiu um homem, Olivier Giroud, que deixou a sua marca ao marcar 25 golos. Foi assim que se mostrou ao panorama do futebol europeu e levou o Montpellier a ser, pela primeira vez nos seus 46 anos de história, vencedor de um título da Ligue 1.

Os anos seguintes foram de supremacia do PSG, à exceção do “super” Mónaco de Leonardo Jardim e Kylian Mbappé não existiu mais ninguém capaz de fazer frente aos parisienses. E enquanto o investimento continuar a ser feito, não será expectável que haja uma luta acesa pelo campeonato francês.

LIGA ITALIANA

Fonte: Lega Serie A

Para acabar esta análise, seguimos para terreno italiano, ou se quisermos para terras da La Vecchia Signora. A verdade é que vivemos um período de total hegemonia da Juventus, no qual nem mesmo o período de Supremacia do Torino de 1942/43 até 1948/49, ou mais recentemente os cinco títulos seguidos do Inter de Milão, conseguem igualar tal feito.

A distância entre o primeiro e o segundo
Fonte: Runrepeat.com

Podemos ver este ano uma surpresa, mas os de Turim continuam na frente, e podem fazer-se valer da sua grande experiência e de jogadores como Bonnuci, o regressado Buffon e Cristiano Ronaldo para garantir o nono campeonato seguido.

Foto de Capa: Premier League

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Nuno Oliveira

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