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As 3 razões para o (in)sucesso do Borussia Dortmund

Tiago Silva Ferreira · 4 min

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O bi campeonato conquistado pelo Borussia Dortmund em 2011/12 parece que remonta a um tempo longínquo,um tempo em que Jurgen Klopp, timoneiro na turma dos auri-negros, liderava uma autêntica constelação de estrelas, como Lewandowski, Mats Hummels,Mario Gotze, Shinji Kagawa, Ivan Perisic, Kehl, Gundogan, Subotic,Blaszczykowski, Lukasz Piszczek, entre tantos outros.

De então para cá o Borussia não mais festejou um título alemão, Klopp saiu e terá levado com ele também muita da sua mística que em comunhão com os adeptos faziam uma  simbiose perfeita.

Que factores então, terão feito com que o Borussia Dortmund não conseguisse mais conquistar um título?

Tentarei apresentar 3 factores internos para esta análise para se perceber o que poderá estar a faltar  ao Borussia regressar aos títulos.

1. A estrutura

Fonte: BV Borussia Dortmund

 

A maioria da estrutura actual do Borussia Dortmund não passou por um dos piores períodos do clube quando uma grave crise financeira assolou a equipa, tendo o mesmo sido obrigado a vender activos importantes e cortar nos salários em todo o plantel,inclusive o Bayern Munique um dos grandes rivais, emprestou dinheiro para o pagamento dos salários em atraso. Um período bem negro que foi sendo ultrapassado com a inclusão de novos administradores de gestão financeira que com novas ideias de reduzir a dívida conseguiram reerguer o clube, uma dessas ideias foi renomear o nome do estádio Westfalenstadion para o actual Signal Iduna Park que permitiu um bom encaixe financeiro.

Uma estrutura que compreende que o maior activo do clube são os adeptos e numa medida não muito consensual mas compreensível decidiram retirar 500 lugares de época a sócios que tenham falhado no mínimo 7 jogos caseiros, isto para permitir que a lotação do estádio esteja sempre o mais cheia possível.

Resumindo uma estrutura que pensa no futuro do clube e em como o pode tornar sustentável financeiramente nunca descurando investimentos que ponham em causa a saúde financeira.

2. Scouting e formação

Fonte: Borussia Dortmund

Um dos melhores scoutings do campeonato alemão que deu a conhecer ao mundo alguns grandes talentos mundiais juntamente com uma formação de excelência são a combinação perfeita para o sucesso. Neste aspecto o scouting do Dortmund tem sido uma aposta mais forte e consistente que a aposta nos jovens da casa que mesmo assim produziu jogadores como Gotze, Reus e Marcel Schmelzer.

A política de contratação de jovens com potencial que depois se desenvolvem no clube tem se mostrado acertada, vários são os exemplos de sucesso, pese embora a venda desses jogadores por grandes quantias de dinheiro serem quanto a mim uma estratégia que embora boa do ponto de vista financeiro, não cria o suporte necessário para a estabilidade do plantel lutar pelo campeonato.

Um clube que quer ser campeão não pode perder os melhores jogadores especialmente para os rivais, e neste aspecto o Dortmund tem que evoluir de maneira a conseguir manter os melhores jogadores no seu plantel.

3. Treinadores

Fonte: UEFA

Jurgen Klopp deixou um legado difícil de igualar, quer pelos títulos conquistados, quer pelo seu estilo carismático, era ele o elo de ligação entre os adeptos e a equipa e essa simbiose fez com que esta união perdurasse até aos dias de hoje . Foi literalmente o salvador do Dortmund, tirando o clube dos lugares de descida e devolvendo a glória ao clube durante a sua estadia no Signal Iduna Park. Um casamento que durou 7 anos e 3 títulos que foram parar ao museu do Borussia mas acima de tudo que colocava novamente o Borussia na rota do futebol europeu ao mais alto nível.

Para o seu lugar entraria Thomas Tuchel mais moderado que Klopp, e com um estilo de jogo também diferente, era um purista da defesa a 3, ambos tinham sido contratados ao Mainz mas apenas Klopp deixou saudades. Tuchel teria a difícil missão de continuar a carreira  vitoriosa que Klopp tinha incutido no clube, e nas duas épocas que treinou o clube conseguiu conquistar uma taça da alemanha, um título que pouco significou pois a sua saída deu-se logo após a vitória na taça.

As opções que se seguiram mostraram ser apostas fracassadas.

Peter Bosz  holandês que tinha deixado boa impressão no Ajax pareceu aos olhos dos adeptos ser uma boa aposta, nada mais errado, o holandês tinha fracassado em todos os aspectos e a sua saída foi inevitável. Para o seu lugar viria o austríaco Peter Stoger tentar remediar uma situação no campeonato preocupante, ainda assim acabou a época no 4º lugar.

Lucien Favre é o actual treinador do Borussia e a sua época de estreia teve quase a ser um sucesso, isto porque o clube liderou o campeonato durante várias jornadas acabando por claudicar no final para o inevitável Bayern Munique. Uma repetição dos anos anteriores portanto. Ainda assim deixou uma imagem positiva e a nova época promete novamente ser um forte concorrente ao título.

Posto isto e analisando estes três prismas poderemos dizer que o Borussia recuperado que está financeiramente deve olhar para dentro e aproveitar os melhores jogadores da sua formação, continuar apostar no scouting visto que têm sido contratados jovens jogadores de qualidade, e não só potencia-los mas também mantê-los na equipa de modo a que consigam ano após ano lutar de igual para igual com o Bayern Munique de forma competitiva.

Manter aposta em treinadores cuja visão seja a de potenciar jovens jogadores e incutir um estilo de jogo atacante, imagem de marca da equipa.

Todos estes requisitos podem não ser suficientes enquanto o Bayern Munique se mantiver no auge mas de certa maneira poderão manter o Borussia mais perto do sucesso.

Foto de Capa: Borussia Dortmund

Tiago Silva Ferreira

Redação Bola na Rede · ver artigos